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domingo, 9 de setembro de 2012

A novela Gabriela: versão 1961




Sim, existiu uma primeira versão para a televisão da história baseada na obra de Jorge Amado "Gabriela, Cravo e Canela" anterior à de 1975 e bem anterior...de 1961. Apenas três anos após o livro ter sido publicado (a primeira edição é de 1958) já ganhava uma adaptação televisiva na extinta TV Tupi do Rio de Janeiro. Infelizmente, ao que parece, nada restou da mesma em termos de imagens. Mesmo as fotos são raríssimas. Contudo, o blog História Mundi foi atrás e conseguiu reunir um pequeno material e informações esparsas sobre essa primeira versão de "Gabriela". 
Uma jovem da cidade de Niterói (RJ) chamada Janete Marilda Vollu de Carvalho ou simplesmente Janete Vollu (na imagem acima), que fazia parte do elenco de vedetes do produtor de espetáculos Carlos Machado, foi a primeira atriz a viver a famosa personagem. Uma Gabriela de olhos azuis, algo que ninguém na época repararia, pois a televisão era em preto e branco. 
A novela, chamada nos jornais da época de série, teve 42 capítulos, sendo adaptada por Antonio  Bulhões de Carvalho e dirigida por Maurício Sherman, responsável atualmente pelo humorístico (humorístico???) Zorra Total da TV Globo. Cada capítulo tinha apenas 20 minutos e exibidos duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras. Os capítulos eram gravados em videotape, um novidade na época. Aliás, essa foi a primeira novela gravada pelo novo sistema. Apesar de contar com esse recurso, as gravações eram feitas sem edição e de forma ininterrupta. 




Sobre a novela em si existem poucas informações. De acordo com Maurício Sherman, em uma recente entrevista ao blog da revista Veja, optou-se por uma transcrição mais fiel do livro de Jorge Amado, tendo como foco a luta política dos coronéis. A personagem Gabriela deveria transparecer a sensualidade descrita no livro. Por isso, a escolha da citada atriz para viver o papel foi baseada mais em sua beleza do que na experiência como intérprete. 
Janete Vollu fez a sua primeira e unica atuação nessa novela. Na época, Vollu trabalhava para pagar o seu curso de normalista com o objetivo de se formar professora. Ainda de acordo com Sherman, o próprio Jorge Amado (na foto acima, o escritor baiano é o segundo a partir da esquerda e Vollu de vestido branco ao centro) teria sugerido uma atriz que fosse desconhecida e o Carlos Machado, que era "o rei da noite" do teatro de revista (gênero conhecido por exibir belas mulheres) preparava Janete Vollu para ser uma nova vedete. A atriz acabou sendo escolhida e foi convidada por Jorge Amado para conhecer a Bahia e a cidade de Ilhéus, terra do cacau. Após o final da novela, ela se casou com um arquiteto e este exigiu que ela abandonasse a carreira artística. O marido da atriz não aprovava "esse tipo de trabalho". Janete Vollú morreu jovem, com apenas 34 anos, no início da década de 1970. 
As informações a respeito do papel desempenhado pelo grande ator Paulo Autran na novela "Gabriela, Cravo e Canela" de 1961 são controversas. No livro "Almanaque da TV: 50 anos de memória e informação" de Rogério Sacchi (o Rixa) e Renata Mafra, o famoso ator é citado como intérprete de Mundinho Falcão. Recentemente, procurado para falar da primeira versão de Gabriela, o próprio Maurício Sherman confirmou na citada entrevista para o blog da Revista Veja, que Paulo Autran viveu mesmo o dr. Mundinho Falcão, embora muitas outras fontes afirmem ter Autran interpretado o personagem Tonico Bastos. Outros grandes nomes fizeram parte do elenco, como Renato Consorte (como o turco Nacib), Grande Otelo (como Tuísca), Sueli Franco (como a jovem rebelde Malvina) além de Glauce Rocha, Jece Valadão e o grande dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho (o criador da Grande Família). 




Por outro lado, o grande ator de teatro, cinema e televisão Renato Consorte (1924-2009) que interpretava Nacib nessa primeira versão (na foto acima, da época da novela) viveu um drama dois anos depois, em 1963. Ao embarcar em Congonhas para um viagem ao Rio de Janeiro, o avião da antiga companhia aérea Cruzeiro do Sul sofreu uma pane ao decolar do aeroporto da capital paulista. Na tentativa de retornar à pista acabou caindo no bairro do Jabaquara e sofrendo uma explosão. O saldo: 34 mortos entre passageiros e tripulantes e apenas 13 sobreviventes. Um deles era Renato Consorte, que sofreu queimaduras em todo o corpo e passou meses até se recuperar plenamente. Muitos afirmaram na época que o sobrenome do ator pesou muito na sua sobrevivência....
Fontes consultadas: 
http://veja.abril.com.br/blog
Almanaque da TV: 50 anos de memória e informação de Rixa. Editora Objetiva, 2000.
Fonte das imagens: Agência O Globo. 





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