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sábado, 12 de setembro de 2015

Anúncio Antigo 39: Modess



Caros leitores, demorou muito, mas muito tempo para que as mulheres tivessem, de fato, um produto que possibilitasse maior proteção durante a fase da menstruação. E demorou mais ainda para que esse mesmo produto alcançasse um preço mais acessível para o público feminino de baixa renda. O Anúncio Antigo de hoje mostra tal produto, o conhecido Modess. Como nos relata Marcelo Duarte, em sua obra "O Livro das Invenções" (Cia. das Letras, 1999), durante séculos as formas de proteção feminina ficaram limitadas a algum tipo de material macio e absorvente que ficava preso à vagina, por meio de cintas ou cordões, a fim de manter o mesmo no lugar correto. 
Nos tempos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) surgiu um tipo de toalha pequena ou faixa de tecido atoalhado, as quais podiam ser reutilizadas. Mas, faltava algo importante a ser resolvido: o conforto. Essas "toalinhas higiênicas", que não eram tão higiênicas assim, apresentavam um certo incômodo em função da grossura do tecido e do tamanho do mesmo. Após serem lavadas várias vezes, as tais toalinhas ficavam ásperas e ainda mais desconfortáveis. E as mulheres ainda tinham que encontrar um local adequado para secar as mesmas, fora do alcance dos olhares dos vizinhos e das visitas. Naqueles tempos, falar a respeito da sexualidade feminina e da menstruação era algo impensável, sobretudo na sociedade brasileira da Primeira República (1889-1930), predominantemente patriarcal. 
Pois bem, no início da década de 1930, a conhecida indústria farmacêutica norte-americana Johnson & Johnson lançou no mercado o primeiro absorvente descartável: o Modess. Aliás, a grande crise econômica da época fez muitas empresas lançarem produtos novos, mais baratos e descartáveis, a fim de manter as vendas. Como vocês podem perceber, as crises também propiciam um aumento da criatividade!
No Brasil a novidade chegou em 1933, importada dos Estados Unidos. Somente em 1945 é que passou a ser fabricada por aqui. Os anúncios, como o que vemos acima, eram discretos, mas ressaltavam o conforto e a comodidade para a mulher, aliás, para poucas mulheres, pois o preço ainda não era popular. A filial da Johnson & Johnson até criou uma espécie de "ouvidora", chamada Anita Galvão, para orientar as mulheres por carta, a respeito da higiene íntima e até sobre questões ligadas à sexualidade. Trata-se de um outro exemplo na propaganda de marca que virou sinônimo do produto, como já tivemos a oportunidade de mostrar com a lâmina de barbear "Gillette".
O Anúncio Antigo de hoje foi publicado na revista "O Cruzeiro", edição de 08.11.1958, pag. 119.