Pesquisar este blog

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Mapa-Múndi Medieval




O mapa acima foi confeccionado no ano de 1220 por um padre espanhol, mas o detalhe interessante vai além disso. Trata-se de uma cópia de outro mapa mais antigo, do século VIII da nossa era, ou seja, da Alta Idade Média dos tempos do Império Carolíngio (fundado por Carlos Magno). A observação do mesmo não deve se ater aos aspectos relativos ao grau de precisão, embora isso também possa ser discutido e analisado, mas sim para a simbologia que transparece no mesmo, reveladora da mentalidade profundamente influenciada pelo pensamento cristão da época. 
Na imagem do mapa (acima) aparecem vários números (sobrepostos nos tempos atuais, claro), que indicam os locais de referência fundamentais do cristianismo para aqueles que se dispusessem (ou tivessem a rara oportunidade) de ver de perto o mapa naqueles tempos. Se o caro leitor clicar sobre a imagem poderá observar esses números com maior nitidez. Também a indicação do ponto Norte aparece em uma sobreposição moderna (na parte superior esquerda do mapa). Vamos lá?

1. Localização do Jardim do Éden. Conforme descrições da Bíblia o ambiente natural onde teriam vivido Adão e Eva (os quais, aliás, aparecem no desenho) estaria localizado nas proximidades da antiga Mesopotâmia (Iraque atual) e o mapa parece coerente com tal concepção.
2. A cidade de Jerusalém. Era muito comum nos mapas medievais Jerusalém estar representada no centro do mundo. Por razões óbvias é a referência maior da cristandade em termos geográficos, lugar onde Jesus Cristo foi crucificado, mas também cidade sagrada para os judeus e muçulmanos. 
3. O mar Mediterrâneo. Aqui ele está representado como se fosse um canal. Como sabemos, o mesmo é o berço das grandes civilizações ocidentais e não poderia deixar de ser mostrado.
4. O rio Nilo. Se o leitor olhar com atenção, o delta (foz) do rio também está representado. Um detalhe, as nascentes do mesmo, motivo de controvérsia até a era do imperialismo europeu na segunda metade do século XIX, são representadas (erroneamente) como sendo localizadas na atual Etiópia. 
5. A antiga península do Hindustão ou atual Índia, em uma proporção muito menor do que de fato é.
6. O continente africano. 
7. Constantinopla. Como se sabe, essa cidade era, na época em que o mapa foi concebido (e também copiado) capital do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino. Fundada pelo imperador Constantino (que foi o primeiro governante romano a se converter ao cristianismo), atualmente é a cidade mais importante da Turquia (com o nome de Istambul).
8. E claro, Roma. Apesar do desaparecimento definitivo do Império Romano do Ocidente no século V e da cidade ter sofrido um forte decréscimo populacional no milênio medieval, Roma abrigava a autoridade do bispo superior da cristandade: o papa. Tornou-se também a sede dos territórios da Itália central que estavam sob sua jurisdição: os Estados Papais. 

Bem, existem outros pontos importantes que estão localizados no mapa, como por exemplo, a Babilônia, a Judeia (atual Israel e territórios palestinos), a península da Anatólia (atual Turquia), a Gália (atual França) e a península Ibérica (onde hoje estão Portugal e Espanha) na parte inferior do mapa. O mundo era concebido como uma massa plana e cercada de água. Evidentemente, a América, boa parte da Ásia, a Oceania e a Antártida não estão registrados. A cartografia não está imune a fatores religiosos, ideológicos e políticos. Não é técnica pura, como podemos observar neste exemplo. 
Crédito da imagem: The Life Millennium: The 100 most important events & people of the past 1,000 years. Life Books: New York, 1998, p. 9. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Entrevista sobre a Castanha-do-Pará na Rádio Unesp FM


Aos que acompanham a página do blog História Mundi é com grande satisfação que envio-lhes o áudio da minha entrevista para o programa Perfil da Rádio Unesp FM onde falo sobre o livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação". 
O link para o mesmo é: 
http://podcast.unesp.br/perfil-13042017-jose-jonas-almeida-entrevista-2741

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Imagens Históricas 22: Rua Libero Badaró






"Morre um liberal, mas não morre a liberdade!" Costuma-se afirmar que o médico e jornalista Libero Badaró teria dito essa frase momentos antes de morrer, vítima de um tiro disparado à queima-roupa na antiga rua de São José, que se tornou depois rua Libero Badaró, no centro da cidade de São Paulo. Nessa mesma rua (acima, a rua durante o dia e à noite, em fotos tiradas por autor desconhecido em 1931) o jornalista, de origem italiana, fixou residência após vir morar no país. O crime é considerado como o primeiro atentado contra a liberdade de imprensa na história do Brasil. Para variar, os seus autores não foram punidos! Algo normal em se tratando da sociedade brasileira tradicional, ainda mais quando o principal acusado pelo crime era o desembargador-ouvidor Candido Ladislau Japi-Assú. O tempo de 24 horas transcorridos da emboscada armada contra o jornalista até a sua morte foram suficientes para que Libero Badaró denunciasse o autor do disparo, o imigrante alemão Henrique Stock e o mandante do crime, o citado desembargador. 



O crime teve repercussões políticas que respingaram na figura do então governante do Brasil, o imperador D. Pedro I (na imagem acima, em uma gravura de 1830 por Henri Grevedon), uma vez que Badaró havia feito apologias em seu jornal a respeito da queda do rei francês Carlos X, exaltando os paulistanos a comemorarem o evento. Como se sabe, o rei francês tentou restaurar o velho absolutismo, o que provocou uma violenta reação da população parisiense na Revolução Liberal de 1830, levando à deposição do mesmo. Inevitável a associação que os liberais aqui no Brasil faziam do rei francês com o nosso então imperador. O próprio cortejo fúnebre de Libero Badaró já era uma demonstração da repercussão política do fato, tomando ao todo a distância de 1,2 quilômetros que separava a residência do jornalista e a Capela da Ordem Terceira do Carmo, no antigo centro da cidade de São Paulo, que tinha algo em torno de 10 mil habitantes. 
Giovanni Battista Libero Badaró nasceu em 1798, em uma vila próxima à cidade de Gênova no que atualmente constitui a Itália (na época o país ainda não era unificado). O pai também era médico e tinha uma imensa biblioteca. Badaró estudou em Gênova e Bolonha, formando-se em medicina no ano de 1825 pela Universidade de Turim. Logo em seguida viajou e em 1826 desembarcou no Brasil. Embora fosse jovem, aparentava ser mais velho com as suas longas suíças (costeletas) e óculos arredondado. O médico foi atraído a este país, que há pouco se tornara independente de Portugal sendo governado por um imperador tido como liberal, mas que governava com uma Constituição imposta por ele mesmo. 
No Rio de Janeiro, Libero Badaró fez amizade com outro jornalista, o liberal Evaristo da Veiga, que fazia oposição ao avanço das forças conservadoras que começaram a se aglutinar em torno de D. Pedro I, como por exemplo, o chamado "partido português", que como o nome indicava, era representado pela colônia lusitana, que ainda era influente politicamente. À medida em que se isolava dos políticos brasileiros, D. Pedro assumia uma postura cava vez mais autoritária, na visão da oposição.



Em 1828, Libero Badaró chegou a São Paulo, onde a onda conservadora se tornava cada vez mais forte e truculenta (no documento acima, na parte inferior direita, a assinatura de Badaró). O governador era o bispo Dom Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade, que ocupava o cargo de forma interina. O comandante de armas era o Coronel Carlos Maria de Oliva e o chede do judiciário era o desembargador e ouvidor Candido Ladislau Japi-Assú, que logo tornou-se inimigo de Badaró. Por outro lado, a cidade, ainda provinciana, começava a reunir um núcleo de tendências mais liberais formados pela pequena burguesia, por estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e pelos integrantes da Câmara Municipal. 
Em 23 de outubro de 1829, Badaró lançou o pequeno jornal "Observador Constitucional", um bissemanário de quatro páginas e que era impresso nas oficinas de outro jornal, "O Farol Paulistano", de José da Costa Carvalho, futuro regente do Império. O tabloide de Libero Badaró tornou-se uma espécie de canal de comunicação da oposição ao grupo conservador, que estava abrigado no poder. Em função disso, o jornalista italiano era mal visto junto a esse grupo, tanto que os seus amigos mais próximos recomendavam que ele não andasse sozinho pelas ruas da cidade, sobretudo durante a noite. 



No dia 20 de novembro de 1830, exatamente à noite, Libero Badaró voltava para a sua casa na rua São José, número 17, sozinho... (na plano urbano acima, do século XIX, o número 17 aponta o local onde morava Badaró). Aproximadamente entre as 10 e meia e 11 horas da noite, o jornalista notou dois homens sentados perto de sua casa. Os homens se levantaram, se aproximaram de Badaró e perguntaram:
- O senhor é o doutor João Baptista Badaró? O jornalista respondeu:
- Sim! 
Em seguida os dois indivíduos disseram:
- Estamos aqui da parte do ouvidor... 
Logo na sequência, antes que Badaró começasse a retrucar, o mesmo sentiu em sua barriga o impacto de um tiro. Os ferimentos internos foram gravíssimos e o jornalista passou 24 horas em terrível agonia, mas que foi o tempo suficiente para que um juiz o interrogasse. Badaró relatou que o indivíduo que atirou tinha sotaque alemão e de que o mandante teria sido o desembargador-ouvidor Candido Ladislau Japi-Assú. Uma testemunha, nada mais nada menos do que o escrivão da ouvidoria, relatou que ouviu o próprio desembargador jurar matar o jornalista. Na verdade, como se soube depois, o crime foi cuidadosamente planejado, sendo contratados o tenente Carlos José da Costa e o alemão Henrique Stock, vindos do Rio de Janeiro, especialmente para serem os executores do jornalista. 



Na manhã do dia 21 de novembro de 1830, Libero Badaró faleceu (na imagem acima, o jornalista em seu leito de morte, em uma gravura de Hercole Florence). A morte do jornalista teve repercussão rápida na pequena São Paulo de 1830 e logo os autores do crime foram detidos. O ouvidor-desembargador Japi-Assú teve que se refugiar na casa do comandante militar até ter a sua saída negociada com as lideranças da província de São Paulo, entre elas o futuro regente e padre Diogo Antônio Feijó. A pretexto de que a sua integridade física estava ameaçada e de que teria foro privilegiado, Japi-Assú foi levado para a Corte do Rio de Janeiro, onde permaneceu sob escolta até o julgamento. 
Aquele que foi acusado de ser o autor material do crime, o alemão Henrique Stock foi julgado em São Paulo e condenado. Contudo, diante da absolvição de Candido Ladislau Japi-Assú pelos seus pares no Rio de Janeiro, o alemão obteve uma apelação e também foi absolvido em 1831. Ou seja, o crime ficou impune. 


Como afirmamos anteriormente, Libero Badaró é tido como o primeiro jornalista assassinado em nosso país em virtude de seu ofício. Em 1889 a urna com os seus restos mortais foi transferida da Capela do Carmo para o Cemitério da Consolação, também na capital paulista, onde se encontra atualmente, podendo ser visitada por qualquer cidadão (foto acima).
Bem, após a morte de Libero Badaró a posição política do imperador Dom Pedro I começou a se deteriorar. O monarca perdeu a sustentação interna entre os líderes políticos brasileiros. A rivalidade entre portugueses (pró D. Pedro) e nacionais (contra) chegou a ganhar as ruas, em episódios como "A Noite das Garrafadas" em 1831. Diante da iminência de uma rebelião das tropas, D. Pedro I abdicou (renunciou) ao trono do Brasil em 7 de abril de 1831. Para muitos o verdadeiro dia da nossa independência, uma vez que deixava o país o ultimo governante português. D. Pedro retornou a Portugal para uma luta contra o seu próprio irmão, D. Miguel, pelo trono português. E o curioso, comandando as forças liberais! O ex-imperador do Brasil levou a melhor e se tornou D. Pedro IV, rei de Portugal. D. Pedro teria dito na época: "é melhor ser quarto em Portugal do que primeiro no Brasil". Tal afirmação nunca foi confirmada, mas é preciso destacar que os liberais lançaram muitas criticas a D. Pedro, as quais nunca tiveram confirmação de fato, como a ideia de promover uma nova união com Portugal sob a sua liderança. Deve-se lembrar também que o primeiro governante do Brasil foi um inimigo da escravidão e defendia a sua extinção, algo que, na época, ia contra os interesses dos grandes proprietários. A figura de D. Pedro talvez mereça uma revisão histórica. 
Quase um século depois, em 7 de abril de 1908 foi fundada a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a data passou a ser comemorada como o "Dia do Jornalista". Libero Badaró deve ser lembrado não apenas como um cidadão que fazia oposição a um governo autoritário, mas também como um homem que o fez dentro de suas convicções e sem subterfúgios. Pagou com a própria vida por sua integridade.
Esta pequena postagem utilizou muitas informações de um texto escrito por Carlos Alves Muller da Associação Nacional dos Jornais e doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (UnB), que foi publicado no jornal Gazeta do Povo em 19.11.2010. O link para o artigo é:
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/ha-180-anos-libero-badaro-era-assassinado-10dsqhyy4db5fgoik4wwj94r2
Crédito das imagens: 
Fotos da rua Libero Badaró de 1931:São Paulo: de vila a metrópole. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2012, pags. 44 e 45. 
Fotos da assinatura de Libero Badaró e do mapa assinalando o antigo local de sua residência: livro Libero Badaró de Augusto Goeta. Disponível em: 
http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/badaro.html
Túmulo de Libero Badaró no cemitério da Consolação:
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/ha-180-anos-libero-badaro-era-assassinado-10dsqhyy4db5fgoik4wwj94r2
Imagens de D. Pedro I e Libero Badaró: D. Pedro I de Isabel Lustosa. Série perfis brasileiros. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. 


sábado, 8 de abril de 2017

O livro "A Castanha do Pará na Amazônia" no site História Hoje



Um comentário sobre o meu livro "A Castanha do Pará na Amazônia" está no site História Hoje da jornalista Márcia Pinna Raspanti e da historiadora Mary Del Priori. Aproveito para deixar a todos os meus seguidores e leitores o convite para o lançamento (imagem acima).
Não deixem de ver o artigo e o próprio site que é excelente. 
O endereço é:
http://historiahoje.com/castanha-do-para-da-amazonia-para-o-mundo/?fb_action_ids=1478737645532747&fb_action_types=news.publishes

terça-feira, 4 de abril de 2017

O Livro "A Castanha do Pará na Amazônia": Destaque na Mídia





O "Jornal da USP" desta semana traz com grande destaque o lançamento do meu livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação". A matéria do jornalista Denis Pacheco ressalta como a castanha-do-pará conquistou o gosto do público inglês e norte-americano desde o final do século XVIII até hoje, sendo conhecida como Brazil nut. As dificuldades para a extração da mesma na floresta amazônica; os vários usos dados ao produto, sobretudo na confecção de doces e na culinária de modo geral; as campanhas publicitárias (imagens acima) promovidas pela Brazil Nut Association, associação criada em 1934 pelos importadores norte-americanos para divulgar a castanha junto ao público e as donas de casa nos Estados Unidos e o desmatamento nas bordas da Amazônia, que prejudicou a produção e tirou do Brasil a condição de maior exportador (que hoje pertence à Bolívia). Repleto de imagens e fotos que foram selecionadas especialmente para a matéria, a reportagem ajuda a divulgar uma das maiores riquezas naturais da Amazônia.
O link para o mesmo é:
http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/direto-da-amazonia-livro-revela-como-a-castanha-do-para-ganhou-o-mundo/
A matéria também pode ser acessada por meio da página inicial do jornal "O Estado de S. Paulo" de hoje (dia 4 de abril):
http://www.estadao.com.br/


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Lançamento do Livro "A Castanha-do-Pará na Amazônia"



Já está disponível o livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação", de minha autoria e publicado pela Paco Editorial. Trata-se do trabalho originário de nossa tese de doutoramento em História Econômica defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) em 2014. 
A extração da castanha-do-pará, conhecida no exterior como Brazil nut, se constituiu numa das atividades mais importantes e tradicionais da Amazônia. A amêndoa (semente da castanheira) é apreciada nos Estados Unidos e na Inglaterra, sobretudo nas festividades de final de ano, como o Halloween e o Natal. Desde a primeira metade do século XIX, os ingleses tentaram controlar a domesticação da planta, a partir do Real Jardim Botânico de Londres. Mas, ao contrário do que ocorreu com a seringueira, a Bertholletia excelsa (designação científica da castanheira) não mostrou boa adaptação fora das condições naturais e ecológicas da floresta amazônica. O êxito no processo de domesticação, a fim de possibilitar o seu cultivo, coube aos cientistas e agrônomos brasileiros. Desde a década de 1970, o desmatamento da floresta amazônica contribuiu para que o Brasil perdesse a condição de maior produtor, cabendo hoje tal posição à Bolívia. 
O livro percorre a história do produto, a sua importância para as populações da Amazônia, o difícil e perigoso trabalho de extração do fruto, o processamento e beneficiamento do mesmo e as possibilidades que a castanha-do-pará ainda oferece, sobretudo na indústria de cosméticos e de alimentos. A exploração da castanha constituiu-se, sobretudo nas décadas de 1920 e 1930, em importante alternativa econômica para a região, sobretudo após o declínio da borracha. A castanha-do-pará chegou a superar a goma elástica como principal produto da Amazônia. 




Durante muito tempo existiu o temor que acontecesse com a castanha-do-pará o mesmo que ocorreu com a seringueira, ou seja, que tivesse as suas sementes contrabandeadas para o exterior e que a planta fosse domesticada em outro lugar. O que não se sabia, e eu revelo isso nesse trabalho, é que as sementes da castanheira-do-pará já haviam sido levadas para fora antes mesmo da seringueira. Várias tentativas foram feitas pelos ingleses a fim de conseguir a domesticação da castanheira, com sementes levadas para a Jamaica, Trinidad e Tobago e, finalmente, para o Real Jardim Botânico de Kew, em Londres, ainda no século XIX. Dos viveiros desse jardim, as sementes foram enviadas para o Ceilão (atual Sri Lanka), para a Malásia e até para a Austrália (na foto acima, o fruto da castanheira que contém as sementes ou castanhas, obtidas em cultivo experimental na Malásia). Contudo, a castanheira da Amazônia não mostrou boas condições de adaptação e produção de frutos fora de seu ambiente natural, ou seja, a própria floresta amazônica. Algo bem diferente do que ocorreu com a seringueira.



Apesar das tentativas iniciais de domesticação da planta não apresentarem bons resultados, algo que foi realizado em definitivo pelos técnicos e engenheiros agrônomos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a amêndoa ou castanha propriamente dita fez sucesso no exterior. Presente no mercado inglês desde o final do século XVIII e no norte-americano no início do seculo seguinte, a castanha-do-pará participa, ao lado das outras amêndoas e nozes, do grupo de produtos associados às festas de final de ano e também como complemento de pratos em geral, como assados, suflês, bolos, doces e chocolates (na foto acima, livreto de receitas utilizando a castanha-do-pará publicado nos Estados Unidos na década de 1940). 



O livro também descreve as várias tentativas de melhorar o beneficiamento e o aproveitamento do produto a nível interno, algo que apenas recentemente tem sido obtido. Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em função do bloqueio do mercado externo, algumas campanhas foram realizadas para tornar a castanha-do-pará mais conhecida dos brasileiros do sul (na foto acima, o presidente Getúlio Vargas observa o ouriço ou fruto da castanheira, durante visita feita ao Pará em 1940). Por décadas o município de Marabá, no sudeste do estado do Pará, foi o grande centro produtor de castanhas.
Em breve o livro estará disponível nas livrarias e o lançamento oficial será comunicado aos amigos leitores. Mas para aqueles já interessados em adquirir a obra, é só entrar no site da Paco Editorial: 
http://editorialpaco.com.br/
Ao entrar clique na Livraria Virtual e acesse o livro pelo título ou autor. 
Crédito das Imagens: 
Extraídas do livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação" de José Jonas Almeida. Paco Editorial, 2016, pags. 185 (livro de receitas), 230 (frutos da castanheira-do-pará obtidos na Malásia) e 286 (Getúlio Vargas segura o ouriço ou fruto da castanheira-do-pará). 


domingo, 22 de janeiro de 2017

O Centenário da Revolução Russa na USP





Caro leitor, no decorrer de 2017 estão sendo lembrados os 100 anos da Revolução Russa. Trata-se de um fato histórico que influenciou profundamente o século XX, a ponto do mundo chegar a estar dividido em governos que seguiam direta ou indiretamente o regime adotado na União Soviética (nome dado aos territórios que, basicamente, compreendiam o Império Russo antes de 1917) e os países de economia capitalista. Foi a época do mundo bipolar, que durou até 1991. 
Para discutir o significado que a Revolução Russa teve e a profunda influência da mesma sobre o mundo, o Departamento de História da FFLCH da USP organizou um ciclo de palestras e debates que deverá ocorrer entre os dias 3 e 6 de outubro próximos, no próprio Departamento de História na Cidade Universitária em São Paulo. O professor Rodrigo Ricupero, um dos organizadores do evento divulgou o cronograma e as apresentações dos expositores já programadas. Da mesma forma, o site para as inscrições já foram divulgados.
Os participantes são professores, pesquisadores e intelectuais familiarizados com o tema, que estão associados a várias linhas de pensamento e pontos de vista sobre o assunto. Ao contrário do que possa parecer, os acontecimentos de 1917 deixaram marcas até o momento presente quando se discute o tipo de Estado capaz de gerir o destino das nações do planeta e da menor ou maior participação do mesmo na economia e na sociedade. A questão que separa Estado e mercado está na "ordem do dia" em termos de importância e por isso discutir a Revolução de 1917 é algo fundamental para que tenhamos subsídios a esse debate. O papel exercido pela Russia atual guarda também um forte legado dos tempos da União Soviética, a começar pela própria origem do seu atual líder, Vladimir Putin. Portanto, é impossível dissociar isso do passado soviético e, com certeza, o encontro ajudará a reunir elementos para a compreensão dessa realidade. 
Segue abaixo o cronograma do evento e o endereço eletrônico para as inscrições (que darão direito a certificados): 

1917-2017 Centenário da Revolução Russa
CEM ANOS QUE ABALARAM O MUNDO
Simpósio Internacional - Departamento de História (FFLCH) da Universidade de São Paulo - Cidade Universitária - 3 a 6 de outubro de 2017

PROGRAMAÇÃO
3ª. Feira / 3 de outubro
9:00 hs. (AH): A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO ENTRE UTOPIA E HISTÓRIA: Osvaldo Coggiola (Universidade de São Paulo) Debatedor: Rodrigo Ricupero
9:00 hs. (ANS): MARX E A RÚSSIA: Danilo Nakamura, Ricardo Martins Rizzo, Paulo Barsotti, Luis Antonio Costa
9:00 hs. (AG): POPULISMO E MARXISMO NA RÚSSIA: Lúcio Flavio de Almeida, Cláudio Maia, André Keysel, Henrique Canary, Ramón Peña Castro
9:00 hs. (CPJ): A REVOLUÇÃO RUSSA E AS EDIÇÕES MARXISTAS: Marisa Midori Deaecto, Lincoln Secco, Flamarion Maués, Dainis Karepovs
9:00 - 13:00 (SV): Comunicações Livres
14:00 hs. (AH): A CONTROVÉRSIA ENTRE ESLAVÓFILOS, OCIDENTALISTAS E EURASIANISTAS: Angelo Segrillo, Giuliana T. de Almeida, Priscila Nascimento Marques, Lucas Simone
14:00 hs. (AG): REVOLUÇÃO SOVIÉTICA, MEIO AMBIENTE E ORGANIZAÇÃO ESPACIAL: Elvio Rodrigues Martins, Ruy Moreira, Carlos Walter Porto Gonçalves, Douglas Santos
14:00 hs. (ANS): A REVOLUÇÃO SOVIÉTICA E A EDUCAÇÃO: Ana Paula Hey, Ítalo de Aquino, Roberto Lehrer, Julio Turra, César Minto
14:00 hs. (CPJ): A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO E A EMANCIPAÇÃO DOS JUDEUS: Arlene Clemesha, Saul Kirschbaum, Samuel Feldberg, Jayme Brener
17:00 hs. (AH): REVOLUÇÃO RUSSA E INTELECTUAIS BRASILEIROS: Luiz Bernardo Pericás, Deni Rubbo, Rafael Bivar Marquese, Angelica Lovatto
17:00 hs. (AG): ROSA LUXEMBURGO, GEORG LUKÁCS, WALTER BENJAMIN E A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO: Isabel Loureiro, Jorge Grespan, Francisco Alambert, Wolfgang Leo Maar
17:00 hs. (ANS): UMA “REVOLUÇÃO CONTRA O CAPITAL”? GRAMSCI E A REVOLUÇÃO RUSSA: Álvaro Bianchi (Unicamp) Debatedor: Cícero Araújo
17:00 hs. (CPJ): A NOVA POLÍTICA ECONÔMICA (NEP) 1921-1929: Joana Salem Vasconcellos, Marcos Cordeiro Pires, Luiz E. Simões de Souza, Alexandre Freitas Barbosa
17:00 hs. (SV): A REVOLUÇÃO E A URSS EM CONTRACULTURAS: Adrián Pablo Fanjul, Andréia Menezes, Larissa Locosselli, José Mauricio Rocha
19:30 hs. (AH): A CULTURA E AS ARTES NA UNIÃO SOVIÉTICA: Clara de Freitas Figueiredo, Thyago Marão Villela, Peterson Pessoa, Gilberto Maringoni, Luiz Renato Martins
19:30 hs. (ANS): CAMPESINATO E QUESTÃO AGRÁRIA NA RÚSSIA: Ariovaldo Umbelino de Oliveira, Manoel Fernandes, Carlos Borba, Valéria De Marcos
19:30 hs. (AG): 1917 EM SÃO PAULO, GREVE GERAL: Cláudio Batalha, Christina Roquette Lopreato, Luigi Biondi, Eujacio Silveira, Bruno Rodrigo
19:30 hs. (CPJ): A REVOLUÇÃO RUSSA E OS EUA: Sean Purdy, Mary Anne Junqueira, Elizabeth Cancelli, Rodrigo Medina Zagni
4ª. Feira / 4 de outubro
9:00 hs. (AH): REVOLUÇÃO RUSSA E REVOLUÇÃO ALEMÃ: Ricardo Musse, Rosa Rosa Gomes, Luiz Enrique Vieira de Souza, Felipe Demier, Fabio Mascaro Querido
9:00 hs. (ANS): A REVOLUÇÃO RUSSA E O CINEMA: Marcos A. Silva, Marcos Napolitano, Mauricio Cardoso, Wagner Pinheiro Pereira, Alessandro Gamo
9:00 hs. (AG): A REVOLUÇÃO SOVIÉTICA E O EXTREMO ORIENTE: Andrea Longobardi, Wladimir Pomar, Luciano Martorano, Shu Sheng, Fernando Leitão
9:00 hs. (CPJ): JOHN REED E OUTRAS ESCRITAS SOBRE A REVOLUÇÃO: Daniel Puglia, Marcos César de Paula Soares, Tercio Redondo, Rosângela Sarteschi
9:00 - 13:00 (SV): Comunicações Livres
14:00 hs. (AH): A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO E OS BÁLCÃS: Savas Michael-Matsas (Centro Christian Rakovsky, Atenas) Debatedor: Tibor Rabockzai
14:00 hs. (ANS): DA COMUNA AOS SOVIETS, DE MARX A MARCUSE: Wolfgang Leo Maar (Universidade Federal de São Carlos) Debatedora: Sara Albieri
14:00 hs. (AG): A DERROTA DO OUTUBRO ALEMÃO: Bernhard Bayerlein (Bochum Universität) Debatedora: Isabel Loureiro
14:00 hs. (CPJ): A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO E O MUNDO ÁRABE E MUÇULMANO: Reginaldo Nasser, Malcon Arriaga, Aldo Sauda, Paulo Farah
14:00 hs. (SV): CAPITAL FINANCEIRO E IMPERIALISMO, GUERRA MUNDIAL E REVOLUÇÃO: Edmilson Costa, Sofia Manzano, Apoena Cosenza, Fátima Previdelli
17:00 hs. (AH): REVOLUÇÃO RUSSA E REVOLUÇÃO MUNDIAL: REVOLUÇÃO PERMANENTE? Daniel Gaido (Universidad de Córdoba) Debatedor: João Machado
17:00 hs. (AG): CONSELHISTAS, ANARQUISTAS E REVOLUÇÃO RUSSA: Margareth Rago, Felipe Correa, Gabriel Zacarias, Ricardo Rugai
17:00 hs. (ANS): REVOLUÇÃO SOVIÉTICA E REVOLUÇÃO ESPANHOLA: Antônio Rago, Ana Lúcia Gomes Muniz, Fernando Camargo, Ivan Rodrigues Martin, Ismara Izepe de Souza
17:00 hs. (CPJ): A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO E O IMPÉRIO OTOMANO: Heitor Carvalho Loureiro, José Farhat, Ramez Philippe Maaluf, Soraya Misleh, Nelson Bacic Olic
19:30 hs. (AH): REVOLUÇÃO RUSSA E INTELECTUALIDADE EUROPEIA: Vladimir Safatle - Paulo Arantes (Universidade de São Paulo)
19:30 hs. (ANS): O BOLCHEVISMO: AVATAR POLÍTICO OU ALTERNATIVA HISTÓRICA? Jorge Altamira (Universidad Obrera, Buenos Aires) Debatedor: Antonio Bertelli
19:30 hs. (AG): A URSS E A REVOLUÇÃO CUBANA: Áquilas Mendes, Ramón Peña Castro, Carlos Alberto Barão, José R. Mao Jr, Stella Grenat (Universidad de Buenos Aires)
19:30 hs. (CPJ): O PCB E A UNIÃO SOVIÉTICA: Milton Pinheiro, Carlos Fernando Quadros, Marcus Dezemone, Augusto Buonicuore, Marly Vianna
5ª. Feira / 5 de outubro
9:00 hs. (AH): REVOLUÇÃO E CIÊNCIA SOVIÉTICA: Pedro Ramos, Gildo Magalhães, João Zanetic, Marcia Regina Barros da Silva, Francisco de Assis Queiroz, Douglas Anfra
9:00 hs. (AG): LITERATURA RUSSA E REVOLUÇÃO: Arlete Cavaliere, Noé Oliveira Policarpo Polli, Fatima Bianchi, Mário Ramos Francisco Jr, Quezia Brandão
9:00 hs. (ANS): OS ESPORTES NA UNIÃO SOVIÉTICA: Flávio de Campos, Luiz Henrique de Toledo, Wagner Xavier Camargo, José Carlos Marques
9:00 hs. (CPJ): OPOSIÇÃO DE ESQUERDA E TROTSKISMO NO BRASIL: Tullo Vigevani, Dainis Karepovs, José Castilho Marques Neto, Felipe Gallindo, Iram Jácome Rodrigues
9:00 - 13:00 (SV): Comunicações Livres
14:00 hs. (AH): AS MULHERES NA REVOLUÇÃO RUSSA: Joana El-Jaick Andrade, Alana Moraes, Daniela Mussi, Diana Assunção, Iole Ilíada
14:00 hs. (AG): LYSSENKO E O DRAMA DA GENÉTICA SOVIÉTICA: Boris Vargaftig (ICB – USP) Debatedor: Carlos Winter
14:00 hs. (ANS): O BOLCHEVISMO, A COMINTERN E A QUESTÃO NEGRA: Emerson Santos, Wilson Honório da Silva, Eduardo Januário, Fernando Frias, Aruã de Lima
14:00 hs. (CPJ): ITÁLIA: CONSELHOS OPERÁRIOS E PARTIDO COMUNISTA: José Luiz del Roio, Francesco Schettino (Università di Napoli), Silvia De Bernardinis, Elisabetta Santoro
14:00 hs. (SV): HUMOR RUSSO E HUMOR SOVIÉTICO: Elias Thomé Saliba (Universidade de São Paulo) Debatedor: Francisco Alambert
17:00 hs. (AH): A UNIÃO SOVIÉTICA E A ÁFRICA: Marina Gusmão de Mendonça, Leila Hernandez, Maria Cristina Wissenbach, Tânia Macedo, José Luiz Cabasso, Carlos Alberto Barão
17:00 hs. (AG): A REVOLUÇÃO RUSSA E PORTUGAL: Raquel Varela (Universidade Nova de Lisboa) Debatedor: Lincoln Secco
17:00 hs. (ANS): FIM DO COMUNISMO OU COLAPSO DA MODERNIZAÇÃO? Carlos de Almeida Toledo, Anselmo Alfredo, Marildo Menegat, Virgínia Fontes
17:00 hs. (CPJ): LENIN E LENINISMO: O QUE FAZER? Anderson Deo, Antonio Carlos Mazzeo, Valério Arcary, André Ferrari
17:00 hs. (SV): HISTORIOGRAFIA SOVIÉTICA E HISTORIOGRAFIA FRANCO-BRITÂNICA: Mauricio Parisi (USP) - Priscila Gomes Correa (Universidade do Estado da Bahia)
19:30 hs. (AH): A INTERNACIONAL COMUNISTA, DA COMINTERN AO KOMINFORM: Alexander Zhebit, Lincoln Secco, Antonio Bertelli, Antonio C. Mazzeo, Sean Purdy
19:30 hs. (AG): 1989-1991: FIM DO MARXISMO? Mariano Schlez (Universidad del Sur, Argentina) Debatedora: Paula Marcelino
19:30 hs. (ANS): PERESTROÏKA: PORQUE NÃO DEU CERTO? Lenina Pomeranz (Universidade de São Paulo) - José Arbex (PUC) Debatedor: Angelo Segrillo
19:30 hs. (CPJ): FIDEL CASTRO E CHE GUEVARA ENTRE LENDA E REALIDADE: Luiz Bernardo Pericás (Universidade de São Paulo) Debatedores: Daniel Gaido e Áquilas Mendes
19:30 hs. (SV): O COMUM E O COMUNISMO, ONTEM E HOJE: Jean Tible, Henrique Parra, Ricardo Teixeira, Tatiana Roque
6ª. Feira / 6 de outubro
9:00 hs. (AH): A REVOLUÇÃO RUSSA E O BRASIL: Frederico Duarte Bartz, Felipe Castilho de Lacerda, Lidiane Rodrigues, Christiano B. Monteiro dos Santos, Rosana de Moraes
9:00 hs. (AG): REVOLUÇÃO SOVIÉTICA E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO (LENIN E TAYLOR): Afrânio Catani (Universidade de São Paulo) Debatedora: Angela Lazagna
9:00 hs. (ANS): REVOLUÇÃO RUSSA E PENSAMENTO LATINO-AMERICANO: Igor Fuser, Gabriela Pellegrino, Vinicius Moraes, Flavio Benedito
9:00 hs. (CPJ): A REVOLUÇÃO RUSSA NAS LITERATURAS HISPÂNICAS: Margareth Santos, Pablo Gasparini, Gabriel Lima, Graciela Foglia
9:00 - 13:00 (SV): Comunicações Livres
14:00 hs. (AH): PCB, PC do B, TROTSKISTAS, PT: AS METAMORFOSES DO COMUNISMO BRASILEIRO: João Quartim de Moraes, Murilo Leal, Pedro Pomar, Frederico Falcão
14:00 hs. (ANS): GEOPOLÍTICA E GEO-HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO SOVIÉTICA: André Martin, Erivaldo C. de Oliveira, Rafael Duarte Villa, Valter Pomar, Wanderley Messias da Costa
14:00 HS. (AG): A REVOLUÇÃO RUSSA E A AMÉRICA LATINA: Fernando Sarti Ferreira, Everaldo Andrade, Liz Nátali Soria, Felipe Deveza
14:00 hs. (CPJ): GUERRA FRIA E HEGEMONIA DO DÓLAR: Maria Lucia Fattorelli (Auditoria Cidadã da Dívida) Debatedores: José Menezes Gomes e Leda Paulani
14:00 hs. (SV): CHILE 1970-1973: FIM DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA? Enio Bucchioni, Horácio Gutiérrez, Paulo Fernando L. Pereira de Araujo, Plínio de Arruda Sampaio Jr
17:00 hs. (AH): O FIM DA URSS: ANÁLISE DAS CAUSAS: Angelo Segrillo (Universidade de São Paulo) – Gilson Dantas (UnB) Debatedora: Lívia Cotrim
17:00 hs. (AG): O STALINISMO: SOCIALISMO OU ANOMALIA HISTÓRICA? Breno Altman, Waldo Melmerstein, Rodrigo Ricupero, Zilda Iokoi
17:00 hs. (ANS): A ESQUERDA NO BRASIL HOJE: João Batista de Araújo (Babá), Valério Arcary, André Singer, Mauro Iasi, Guilherme Boulos
17:00 hs. (CPJ): O PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS E A “REVOLUÇÃO DOS CRAVOS”: Francisco Palomanes Martinho (Universidade de São Paulo) Debatedora: Raquel Varela
17:00 hs. (SV): MÚSICA E REVOLUÇÃO SOVIÉTICA: José Geraldo Vinci de Moraes (USP) Debatedor: Antonio C. Mazzeo
19:30 hs. (AH): A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO E O SÉCULO XXI: Jorge Altamira, Savas Michael-Matsas, Plinio de Arruda Sampaio Jr, Valter Pomar, Osvaldo Coggiola
19:30 hs. (AG): A URSS, BALANÇO ECONÔMICO: José Menezes Gomes, Xabier Arrizabalo (Universidad Complutense de Madrid), Leda Paulani, Vitor Schincariol
19:30 hs. (ANS): CLASSE OPERÁRIA E REVOLUÇÃO: O PROLETARIADO AINDA É AQUELE? Ricardo Antunes (Unicamp) - Iram Jácome Rodrigues (USP) - Ruy Braga (USP)
19:30 hs. (CPJ): IMPERIALISMO E REVOLUÇÃO, ONTEM E HOJE: Virgínia Fontes (UFF) - Lúcio Flavio de Almeida (PUC) - Antônio Roberto Espinosa (Unifesp) Debatedora: Regina Gadelha
21:30 hs. (Vão da História-Geografia): AS MÚSICAS E CANÇÕES DA REVOLUÇÃO: SHOW COM O SATÂNICO DR. MAO
AH: Anfiteatro de História - AG: Anfiteatro de Geografia - ANS: Anfiteatro Nicolau Sevcenko - CPJ: Sala Caio Prado Júnior - SV: Sala de Vídeo
Comissão Organizadora: Osvaldo Coggiola, Jorge Grespan, Sean Purdy, Everaldo de Andrade, Milton Pinheiro, Francisco Alambert, Angelo Segrillo, Lincoln Secco, Rodrigo Ricupero, Luiz B. Pericás, Adrián Fanjul
Apoio: Laboratório de Estudos da Ásia (LEA), Cátedra Jaime Cortesão, GMarx, Boitempo Editorial, Programa de Pós-Graduação em História Econômica, NEPH (Núcleo de Economia Política e História Econômica), Centro de Estudos Africanos, LUDENS (Núcleo de Pesquisa sobre Futebol e Modalidades Lúdicas), CEDHAL (Centro de Demografia Histórica da América Latina), CAHIS
Inscrições: http://cemanosrevolucaorussa.fflch.usp.br/ SERÃO FORNECIDOS CERTIFICADOS DE FREQUÊNCIA

Crédito da imagem: detalhe invertido do quadro "Revolução" de Ludwig Meidner, pintado em 1913.