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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Silvio Santos no Museu da Imagem e do Som (MIS)




A intenção de seu pai era que o filho se chamasse Dom Isaac Abravanel, a fim de lembrar um ancestral israelita da família, que na segunda metade do século XVI teve grande importância na corte dos reis de Portugal como financista, tesoureiro e também autoridade nos assuntos relacionados à religião hebraica. Contudo, o cartório não identificava esse nome como sendo conhecido aqui no Brasil e sugeriram algo semelhante a "senhor". Além disso, lembraria o nome do avô paterno, Señor Abraham Abravanel. Então ficou resolvido! O recém-nascido foi registrado como Senor Abravanel. Isso tudo aconteceu no distante 12 de dezembro de 1930, na cidade do Rio de Janeiro, no velho bairro da Lapa. Mas é com o nome artístico de Silvio Santos que ele ficou conhecido pelos milhões de telespectadores que o acompanham a mais de cinco décadas (na foto acima, sem data, o apresentador). 
A mostra do Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo nos proporciona um belo passeio pela trajetória daquele que talvez seja o mais conhecido personagem da televisão brasileira ou, como ele mesmo gosta de ser chamado, animador de programas de auditório! Arrisco a afirmar que se trata de um personagem único em termos televisivos no mundo. De locutor, passando a apresentador de shows, construindo paralelamente uma atividade como empresário e finalmente proprietário de uma emissora de televisão. Silvio Santos pode perfeitamente ser enquadrado como exemplo daquilo que hoje, apesar das muitas ressalvas a esse conceito, tem sido chamado de empreendedorismo. 
Mas, se isso por si só já não justificasse a visita a essa exposição do MIS, podemos ainda fazer um passeio pela fascinante história da televisão brasileira desde os seus primórdios e notar a forte influência que o rádio teve na formação da mesma. As varias modalidades de programas televisivos que conhecemos hoje tem no rádio a sua origem: novelas, humorísticos, shows de música popular, espetáculos de auditório, programas de perguntas e respostas e os tão conhecidos shows de calouros. 


A formação educacional de nosso personagem não foi diferente da de muitos brasileiros de classe média baixa daquela época, final da década de 1930, que coincidia com a liderança de Getúlio Vargas na República brasileira. Silvio Santos fez o primário elementar e depois frequentou um curso técnico no qual obteve o diploma de contabilidade (na foto acima, Silvio com aproximadamente 10 anos de idade).



Nessa época, o pai de Silvio, Alberto Abravanel, imigrante grego de origem judaica, havia perdido uma loja de produtos para turistas em função das dívidas contraídas em jogos (na foto acima, a travessa Bem-te-vi na Lapa, Rio de Janeiro, onde Silvio e família moraram na década de 1930). Silvio Santos que estava no segundo ano do curso de contabilidade, ainda menor de idade, começou a ganhar dinheiro fazendo apostas em jogadores de sinuca nos bares do bairro boêmio da Lapa. 


Após a queda de Getúlio Vargas (e da ditadura do Estado Novo) no final de 1945, o país conheceu a fase de redemocratização e aumentou a expedição de títulos eleitorais. Foi aí que Silvio Santos  (na foto acima de 1972, Silvio com os seus pais Rebeca e Alberto Abravanel) encontrou a sua primeira boa oportunidade de ganhar dinheiro, vendendo capas para esses documentos e trabalhando como camelô (vendedor ambulante) nas ruas do Rio de Janeiro. Silvio chegou a comprar as capas de outros camelôs e as revendia em vários pontos da cidade. Em 1948, Silvio Santos foi convocado para o serviço militar na Escola de Paraquedistas do Exército. Sim caro leitor, Silvio realizou saltos que foram bem avaliados por seus superiores! 
Ainda atuando como camelô, ao lado de seu irmão caçula Leon Abravanel, mais conhecido como Léo, Silvio Santos tinha problemas para escapar dos "rapas" (fiscalização). Trabalhava no horário de almoço dos fiscais e, mesmo assim, ganhava o equivalente a cinco salários mínimos por dia. Contudo acabou sendo pego e levado ao chefe dos fiscais, que teria ficado admirado com a inteligência do rapaz e com a sua voz, indicando-lhe um concurso para locutor na Rádio Guanabara. Silvio Santos venceu concorrendo com mais de 300 candidatos. Um detalhe curioso: o segundo colocado foi Chico Anysio! Mas o que ganhava como radialista era bem menos do que auferia como camelô e ele voltou às ruas. 
Contudo, o namoro de Silvio Santos com o rádio continuou, participando de concursos para locutor. O futuro apresentador inspirou-se nos grandes nomes do rádio da década de 1940, como Cesar de Alencar, Carlos Frias, Manoel Barcelos, Paulo Gracindo (que mais tarde se destacou como ator), o Trio de Osso (Heber de Bôscoli, Yara Salles e o conhecido compositor Lamartine Babo) e Jorge Curi. Foi no programa deste último que surgiu o seu nome artístico. Como já havia participado de vários concursos, para não ser identificado, lançou Silvio Santos. O sobrenome por considerar que os céus sempre lhe foram favoráveis. Assim reza a lenda...




Após o fim do serviço militar Silvio foi trabalhar na Rádio Tupi e depois na Rádio Continental que ficava em Niterói (na foto acima, Silvio e os seus colegas da Rádio Tupi em 1950). Nesta última, tinha que pegar a barca para trabalhar do outro lado da baia de Guanabara (ainda não existia a ponte Rio-Niterói). Foi nesse momento que Silvio Santos enxergou a sua primeira grande oportunidade como homem de negócios, obtendo autorização para instalar auto-falantes na barca, que tocavam músicas durante o trajeto e anunciavam produtos nos intervalos. A publicidade era por conta do próprio Silvio Santos, que também era o locutor. E ele foi além... 



Estendeu o serviço de alto-falante para a balsa que ia para a ilha do Paquetá aos domingos, abrindo também um bar nesse mesmo ponto turístico, oferecendo, além das bebidas, jogo de bingo! Silvio tornou-se um importante cliente da fábrica de bebidas Antárctica no Rio de Janeiro (na foto acima, Silvio na Ilha do Paquetá com sua amiga Madalena, início da década de 1950). 


Em 1950 o Brasil conheceu a chegada da televisão com a TV Tupi de São Paulo, por iniciativa do empresário Assis Chateaubriand (na foto acima, a primeira câmera RCA de televisão utilizada no Brasil ). 


Poucos afortunados dispunham de um televisor em casa, uma vez que o preço do aparelho era quase o de um automóvel (na foto acima, um aparelho de TV Philco, dos primeiros a serem utilizados no Brasil). Por isso, o rádio ainda era o grande veículo de comunicação. Uma emissora em especial se destacava: a Rádio Nacional. A mesma tinha sede no Rio de Janeiro e acreditem, era estatal! Seu diretor era o conhecido Victor Costa. Aproveitando a experiência no ramo, este último criou a Organização Victor Costa e abriu em 1952, a Rádio Nacional de São Paulo (privada e independente da existente no Rio), contratando nomes importantes do rádio paulista, entre eles, Manoel de Nóbrega, Walter Forster e Dermival Costa Lima. Estes dois últimos já tinham participado da inauguração da primeira emissora de televisão brasileira, a já citada TV Tupi. A eles se juntaram Hebe Camargo e Yara Lins. Em 1955, Victor Costa adquiriu a TV Paulista, que era concorrente da TV Tupi (Diários Associados de Assis Chateaubriand) e da TV Record (da família Machado de Carvalho). 


E Silvio Santos? Nesse momento estava às voltas com a barca para Niterói, que se encontrava no estaleiro para reparos. Silvio reclamou com o diretor da Antárctica de ter o seu negócio paralisado e este resolveu trazê-lo para São Paulo. Aqui conseguiu uma vaga para locutor comercial na Rádio Nacional no programa de Manoel de Nóbrega em 1954, ano em que se comemorava o IV Centenário de fundação da cidade (na foto acima, Manoel e Silvio no início da década de 1960). Silvio era muito amigo do irmão de Nóbrega que trabalhava na Rádio Continental de Niterói. Logo, Silvio Santos passou a ter o seu próprio programa e permaneceu na capital paulista.




Em paralelo ao seu trabalho na Rádio Nacional, Silvio Santos corria o interior de São Paulo para realizar shows com outros artistas em circos, naquilo que ficou conhecido como "A Caravana do Peru que Fala". Entre os artistas que o acompanhavam estava o comediante Ronald Golias, que segundo a lenda, lhe teria dado o apelido de "Peru que Fala", pelo fato do apresentador ficar vermelho quando se apresentava em público. A exposição no MIS reconstituiu a caravana, inclusive com o modelo de Jipe com o qual o apresentador se deslocava (imagens acima).


O encontro com Manoel de Nóbrega permitiu a Silvio Santos entrar definitivamente no ramo comercial. Nóbrega mantinha um pequeno negócio em sociedade com um empresário alemão, no qual a partir do pagamento de várias prestações o cliente recebia ao final um cesta de brinquedos ou de utilidades domésticas. Como o tal empresário abandonou o negócio, Nóbrega sugeriu a Silvio que assumisse o mesmo (na imagem acima os famosos Carnês do Baú da Felicidade).


Em 1959 nasceu a empresa Senor Abravanel com sede na rua 13 de maio, no bairro da Bela Vista, na capital paulista. Em 1963 passou a se chamar Baú da Felicidade Utilidades Domésticas e Brinquedos. Eis a versão oficial, narrada em uma pequena história em quadrinhos na mostra do MIS (imagem acima), a origem do Baú da Felicidade. Silvio Santos começou a se tornar "O Homem do Baú".


Enquanto isso, a televisão avançava e Silvio Santos que já fazia parte da Rádio Nacional encontraria logo a sua oportunidade na TV Paulista, que pertencia ao mesmo grupo. Vale lembrar que essa emissora era modesta em relação às suas concorrentes, mas que lançou programas que fizeram história, entre os quais "Circo do Arrelia", "A Praça da Alegria", "O Mundo é das Mulheres" (com Hebe Camargo), o infantil "Zás Trás" (do qual este que vos escreve participou) e "Vamos Brincar de Forca". Este ultimo, que entrou no ar em 1960, marcou a estréia de Silvio Santos na televisão (na foto acima, cupom para participar do programa e concorrer a prêmios). Ele já era conhecido na emissora como "esquentador de auditório". 


Em 1963 Silvio estreou o "Programa Silvio Santos" transmitido aos domingos das 12 às 14 horas, que era o horário em que a emissora entrava no ar (foto acima). Foi a partir desse momento que o carnê do Baú da Felicidade começou a prosperar, permitindo ao cliente retirar todas as parcelas pagas em mercadorias em qualquer loja da rede e ainda concorrer aos prêmios sorteados no programa dominical, desde que, claro, estivesse "rigorosamente em dia com as prestações", como gostava de destacar Silvio Santos!




O programa cresceu e os negócios também, a ponto de praticamente Silvio Santos comprar o horário  dominical na emissora. E que horário: das 11 até as 20 horas! Em 1967 a emissora é transferida para a TV Globo de Roberto Marinho e no ano seguinte passou a se chamar TV Globo de São Paulo. A transferência foi alvo de muitas polêmicas e permaneceu por décadas na justiça. A TV Globo herdou a programação da TV Paulista e no pacote veio Silvio e o seu carnê do Baú. O acordo com o qual Silvio alugava o horário dos domingos foi mantido (nas fotos acima, revistas da década de 1960 com Silvio Santos e Hebe Camargo).


Um detalhe interessante para os que estão habituados com a televisão atual, Silvio Santos também alugava um horário semanal na principal concorrente da Globo, a TV Tupi. Um dos programas transmitidos nessa emissora pelo apresentador foi o famoso "Cidade contra Cidade", levado ao ar entre 1968 e 1972 nas noites de sexta-feira. O show era uma espécie de gincana entre duas cidades e a vencedora recebia prêmios que possibilitavam uma melhoria nos equipamentos sociais, como ambulância, material de construção, equipamentos para creches e escolas. Uma transmissão do programa em 1969 quase igualou o Ibope da chegada do homem na Lua (na foto acima, outro programa criado por Silvio Santos na TV Tupi, "Sua majestade, o Ibope" no início da década de 1970).


Nessa época, a imagem de Silvio Santos era estampada em várias capas de revistas do mundo artístico. O apresentador chegou até a fazer uma fotonovela ao lado da cantora Wanderlea (imagem acima). Existe um outro detalhe que a mostra no MIS esqueceu. Além dos programas semanais nos dois canais de televisão mais importantes do país, Silvio Santos ainda mantinha o seu programa diário na Rádio Nacional de São Paulo (que depois foi integrada ao Sistema Globo de Rádio) e que entrava no ar a partir do meio dia de segunda a sábado. A influência da tradição do rádio aparecia nos musicais, relatos baseados em cartas dos próprios ouvintes em narrativas que lembravam novelas, o tradicional "Histórias que o Povo Conta" com temas sobrenaturais e o "Melodia da Saudade", onde as ouvintes lembravam das canções que marcaram as suas vidas.


No início da década de 1970, os negócios de Silvio Santos cresceram, O Baú da Felicidade virou uma rede de lojas, surgiu a Vimave (Vila Maria Veículos, concessionária da Volkswagen), a loja de móveis Tamakawi e os estúdios da Vila Guilherme adquiridos em 1972 (pertencentes à antiga TV Excelsior), onde parte dos quadros de seu programa dominical eram gravados, entre os quais um remake de "A Praça da Alegria" de seu amigo Manoel de Nóbrega (na foto acima, a famosa câmera RCA TK-60, utilizada pela Rede Globo para a transmissão de seus programas na década de 1970, inclusive o de Silvio Santos).






Na mostra é possível fazer um passeio pelos vários quadros apresentados em seu programa dominical, que foram exibidos ao longo de mais de cinco décadas. Dentre eles "Namoro no Escuro", "Só Compra Quem Tem" (neste o prêmio máximo era um automóvel cedido pela Vimave, como na foto acima e que também teve um jogo lançado com base no quadro), "Ela Disse, Ele Disse", "Os Galãs Cantam e Dançam aos Domingos", "Boa Noite Cinderela", "Show da Loteria" (uma espécie de Loteria Esportiva paralela), "Namoro na TV", "Roletrando", "Porta da Esperança", "Domingo no Parque", entre outros, boa parte deles lembrados na mostra.


Muitos cantores e artistas tiveram as suas carreiras alavancadas com as aparições no programa dominical de Silvio Santos (acima, alguns cantores do quadro "Os Galãs Cantam e Dançam aos Domingos" em foto de 1970). 


Na verdade, a grande atração dos programas de Silvio Santos era o seu próprio público, que se inscrevia para participar, como no quadro "Namoro na TV" que reunia candidatos(as) interessados em encontrar a sua "cara metade" (na foto acima, Silvio Santos apresentando o quadro, no início da década de 1980). 



O Troféu Imprensa, criado em 1958 pelo jornalista Plácido Manaia Nunes foi outra das atrações consagradas pelo famoso "animador". Trata-se de uma premiação feita aos melhores do ano na televisão em várias categorias (ator, atriz, apresentador, melhor programa, melhor jornal...) em votação feita por jornalistas e que, mais tarde, contou também com a participação do público. A premiação foi inserida por Silvio na TV Tupi em 1969 e depois levada ao seu programa dominical na Rede Globo a partir de 1970, permanecendo na emissora até a saída de Silvio Santos em 1976 (na foto acima, Silvio comanda a entrega dos prêmios em 1974). Plácido Manaia cedeu os direitos da atração ao apresentador, mas continuou a fazer parte do juri até 2007 quando faleceu.




Contudo, a sua principal atração, sem dúvida, era o "Programa de Calouros"! Novamente, uma adaptação do rádio, mas que ganhou identidade própria sob o comando de Silvio Santos e também de outros apresentadores famosos, como Flavio Cavalcanti, Chacrinha e Raul Gil. O quadro passou por vários nomes como "A hora do pato" (1963), "Cuidado com a buzina" (1966), "Show de novos calouros" (1972), "Show de talentos anônimos" até chegar ao "Show de Calouros" já na fase SBT. Muitos membros do seu juri ganharam fama por darem notas baixas aos calouros, como o crítico musical José Fernandes e a cantora Araci de Almeida (grande intérprete de Noel Rosa). Também ficaram conhecidos o jornalista Décio Piccinini, o decifrador de sonhos Pedro de Lara e Elke Maravilha, que também foi jurada do Chacrinha (nas imagens acima, Pedro de Lara, Aracy de Almeida e Décio Piccinini).
Na virada das décadas de 1960 para 1970 uma série de acontecimentos mudaram o panorama televisivo. Incêndios ocorridos em circunstâncias estranhas atingiram várias emissoras, como a TV Paulista (Globo), a recém-inaugurada TV Bandeirantes e a TV Record, que conheceu uma fase de decadência nos anos de 1970. Outra emissora, a TV Excelsior teve a sua concessão cassada pelo Governo Militar de forma não muito bem esclarecida. Ao mesmo tempo, o início das transmissões por satélite e a chegada da televisão em cores marcaram o começo da liderança da Rede Globo que dura até hoje. 


Nesse contexto, Silvio Santos tornou-se sócio da TV Record em 1972. Era um momento crucial para o empresário, uma vez que o seu contrato com a Rede Globo (no qual, como já destacamos, ele alugava os horários da emissora) estava para expirar nesse mesmo ano e havia comentário de que a emissora não pretenderia renova-lo. Contudo, Roberto Marinho (dono da TV Globo) chamou Silvio Santos e manteve o vínculo por mais quatro anos (na foto acima, o campeão mundial de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi no programa de Silvio, ainda na TV Globo, em 1972).
Mas Silvio Santos percebia que mais cedo ou mais tarde teria que ter o seu próprio canal. A oportunidade veio em 1975, quando o seu amigo e jornalista Moysés Weltmann lhe informou que o Governo Militar iria colocar em leilão a concessão do canal 11 do Rio de Janeiro (da antiga TV Rio). Silvio Santos apresentou um plano para ganhar a concessão e acabou vencendo o leilão. Era evidente que o então governo do general Ernesto Geisel tinha simpatias pelo apresentador. 


Após obter a concessão, Silvio Santos foi aos Estados Unidos comprar equipamentos para a nova emissora, a fim de organizar os estúdios no Rio de Janeiro e na Vila Guilherme em São Paulo, e ainda para o recém inaugurado Teatro Manoel de Nóbrega. Além disso, arrematou em leilão o material da antiga TV Continenal, cuja antena já estava preparada para realizar a transmissão em cores (na foto acima, Luciano Calegari, superintendente da TVS, ao lado de Silvio Santos, em 1974).



Em 14 de maio de 1976, a TV Studio Silvio Santos ou TVS entrou no ar. Nesse mesmo ano, o contrato de Silvio Santos com a Rede Globo não foi renovado encerrando uma parceria de 8 anos. O apresentador passou a transmitir o seu programa dominical pela TV Tupi, pela TV Record (do qual era sócio), e claro, pela TVS (na foto acima, câmera RCA TK 46 para transmissão em cores adquirida para a nova emissora).
Mas, foi a extinção da antiga TV Tupi (falida e com dívidas trabalhistas) que abriu caminho definitivo para que Silvio Santos se tornasse um empresário de comunicação em bases sólidas. Em 23 de julho de 1980, o Governo Federal anunciou a abertura de concorrência para duas novas redes de televisão que deveriam surgir da massa falida da TV Tupi (sete concessões) e da antiga TV Excelsior (duas concessões). Os grupos vencedores foram o de Silvio Santos e o de Adholfo Bloch (futura Rede Manchete). Em 19 de agosto de 1981 o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) entrou no ar. E o resto virou história. Mais uma vez Silvio Santos contou com o apoio governamental do então presidente General João Baptista Figueiredo e principalmente de sua esposa, Dulce Figueiredo, algo que a mostra do MIS deixa claro, mas não explica os motivos!



O público do SBT era praticamente o mesmo que Silvio Santos trouxe dos seus anos de apresentador, com uma programação popular e que por isso chegou a ser alvo de muitas críticas em função de seu sensacionalismo, sobretudo o jornalístico "O Povo na TV" (para os que lembrarem, foi nesse programa que o denunciante do mensalão Roberto Jefferson ficou conhecido do público). Silvio Santos tem uma posição clara em relação aos programas jornalísticos: mostrar os fatos! A opinião cabe ao telespectador. Por outro lado, a emissora reviveu alguns programas marcantes como "Almoço com as Estrelas", "Show Sem Limite" com Jota Silvestre, "Moacyr Franco Show", "Escolinha do Golias", "Hebe Camargo" e "A Praça é Nossa" (novo formato do antigo "A Praça da Alegria"). A emissora também foi responsável por novos programas como o "Jô Soares Onze e Meia", "Programa do Bozo", o conhecido palhaço produzido sob licença norte-americana (na imagem acima, a evolução do logo da emissora).


Nas telenovelas destaque para as produções mexicanas e algumas produzidas na própria emissora como "Éramos Seis" de 1994 (na foto acima, a cidade cenográfica montada para essa novela). E, claro, não poderíamos deixar de lembrar do seriado mexicano "Chaves" considerado "pau pra toda obra" na grade de programação do SBT.


Em 1996 foi inaugurado o estúdio do SBT na via Anhanguera, nas proximidades da capital paulista, também chamado "Complexo Anhanguera", no mesmo local que era utilizado como depósito das antigas lojas do Baú da Felicidade (na foto acima, Flor e Décio Piccinini no "Show de Calouros" do SBT).


A exposição não poderia deixar de lembrar a participação de Silvio Santos nas eleições de 1989 para a presidência da República, a primeira desde o fim do Governo Militar (1964-1985). Pesquisas de opinião apontavam o apresentador como favorito para a disputa. O seu nome já havia sido cogitado para o cargo de prefeito de São Paulo na eleição anterior. Para concorrer ao cargo de presidente, Silvio Santos filiou-se a um partido "nanico", o Partido Municipalista Brasileiro (PMB) de Armando Correa (que se identificava nas propagandas como o candidato dos pobres e dos explorados...). Correa abriu mão de sua candidatura em favor de Silvio Santos a 11 dias da eleição. Contudo, em uma decisão polêmica, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impugnou a chapa. No início da década de 1990 Silvio Santos ainda tentou uma nova incursão na política, mas sem sucesso (na imagem acima, propaganda do SBT anunciava a presença de Silvio Santos em todos os canais, em função do horário eleitoral gratuito).


A mostra do MIS prima por ser abrangente e rica em informações sobre a trajetória do apresentador. Outro detalhe interessante, muitas instalações são interativas, como na sala onde se encontra a reconstituição do quadro "Qual é a Música". O visitante pode responder a perguntas feitas pelo próprio Silvio Santos em áudio gravado do programa original em uma brincadeira virtual. Na instalação do quadro Domingo no Parque, o visitante pode interagir e ter a sua foto enviada para o próprio e-mail (como na imagem acima). 



Alguns quadros conhecidos do apresentador poderiam ter tido um tratamento a altura da importância que tiveram, como é o caso do "Show de Calouros". Muitos dos jurados conhecidos foram esquecidos (José Fernandes, Elke Maravilha, por exemplo). A fase do SBT poderia ter sido um pouco mais trabalhada apesar das limitações do espaço. Mas esses detalhes, de nenhuma forma, tiram a qualidade e o ineditismo da exposição, a qual, sem dúvida, merece ser vista. Reserve aproximadamente três horas para ver ou, caso seja a vontade do visitante, dar uma repassada na exposição (na foto acima, o característico microfone de Silvio Santos). 


Vá com espírito alegre para desfrutar dos quadros e brincadeiras propostas pelo apresentador, que afinal, se mantém no ar por 53 anos (na foto acima, Silvio com o seu famoso assistente de palco Roque). E ao entrar, lembre-se da música que abre o programa dominical do apresentador...

Agora é hora
De alegria
Vamos sorrir e cantar
Do mundo não se leva nada
Vamos sorrir e cantar
Lá, lá, lá
Lá, lá, lá
Silvio Santos vem aí
Silvio Santos vem aí...

Para ver:



Silvio Santos Vem Aí!
Museu da Imagem e do Som (MIS).
Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo (SP).
De terça a domingo. 
Ingressos R$ 12,00 (estudantes pagam meia entrada mediante apresentação de documento). 
Para maiores informações: (11) 2117-4777. 

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