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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Imagens Históricas 54: Trotsky e Stálin na mesma foto?


Caro leitor (a), já tivemos a oportunidade de publicar uma imagem mostrando os dois protagonistas da Revolução Russa de 1917, Leon Trotsky e Josef Stálin, juntos, na postagem "Stalin e a formação da União Soviética parte 2" (ver a mesma em nosso blog). Na verdade, tratava-se de uma cena captada de um filme feito no funeral de Felix Dzherzinsky, chefe da Polícia de Estado Soviética, em 1926. Eis agora que nos deparamos com esta foto, a qual segundo informações obtidas no site Getty Images e na revista Time foi tirada em Petrogrado (atual São Petersburgo) no mesmo ano da revolução, ou seja, em 1917. Ao que parece, a figura em uniforme militar, de óculos e com o braço direito erguido em forma de saudação, que se encontra do lado esquerdo, parece ser mesmo de Leon Trotsky (1879-1940), um dos comandantes do movimento revolucionário e que teve papel de destaque na formação do Exército Vermelho, durante a guerra civil que se seguiu à tomada do poder pelos bolcheviques (comunistas). Já do lado direito, também com o braço levantado e de bigode, parece ser Josef Stálin (1878-1953), o líder do Partido Comunista, que sucedeu a Lênin (o pai da grande revolução) no comando político da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). É até possível que não seja Stálin, mas a semelhança é grande. Como se sabe, Leon Trotsky e seu grupo oposicionista foram afastados do governo e colocados na condição de inimigos da revolução. Trotsky foi exilado e acabou assassinado no México, em 1940, em uma operação articulada a partir do próprio governo soviético e de seus serviços de inteligência espalhados no exterior. A orientação para a sua eliminação teria partido do próprio Stálin. Considerado um ditador sanguinário para muitos, uma figura controversa para alguns e até herói para outros, foi sob a liderança deste último que a URSS se consolidou como potência econômica e militar, conseguindo derrotar as forças alemãs na Segunda Guerra Mundial. 

O assassinato de Trotsky deixou uma ferida no movimento comunista internacional, que até hoje não foi cicatrizada, se é que um dia poderá ser. Porém, dentro da atual Rússia, boa parte da população considera que Stálin foi uma liderança importante na Grande Guerra Patriótica (nome pelo qual a Segunda Guerra é conhecida lá), da qual a URSS se saiu vitoriosa. O próprio líder atual da Federação Russa, presidente Vladimir Putin, vê o ex-líder soviético como uma figura que agiu de acordo com as circunstâncias da época, para o bem e para o mal, da mesma forma que outros governantes, como Napoleão e Bismarck, que agiram em defesa de seus países (França e Alemanha, respectivamente) com o poder e as armas de que dispunham...

Crédito da Imagem:

https://time.com/4798229/1917-russian-revolution-excerpt/

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Batalha de Stalingrado: relato de um oficial alemão

 

Uma batalha travada na virada de 1942 para 1943, em pleno inverno russo, que se constituiu num dos momentos cruciais da Segunda Guerra Mundial e da campanha militar promovida por Adolf Hitler, cujo objetivo era dominar a União Soviética (na foto acima, soldado alemão na Rússia, sob a temperatura de -35ºC). A vitória nesse confronto específico colocaria o Terceiro Reich (Império Alemão) diante dos campos de petróleo da região do Cáucaso, cadeia de montanhas no extremo sul da antiga União Soviética (hoje partes da Armênia, Geórgia, Azerbaijão e Federação Russa). Mas, como dizia o poeta, no meio do caminho havia uma "pedra", a cidade que carregava o nome do então líder soviético Josef Stálin e que ficava na margem direita do rio Volga, uma via fluvial importante, navegável e estratégica para quem a controlasse: Stalingrado (atual Volgogrado). Para defender a área urbana do intenso bombardeio alemão, os soldados do Exército Vermelho ocuparam cada rua, cada fábrica, cada quarteirão e cada casa da cidade, que se encontrava em escombros. E isso sob um frio que chegou a alcançar -40ºC. A resistência dos soldados soviéticos possibilitou o tempo necessário para a chegada do reforço vindo do leste, com material bélico que acabava de sair das fábricas instaladas no interior da União Soviética e na Sibéria, inclusive de 450 tanques T-34 novos. Esse blindado era considerado imbatível e foi sendo aperfeiçoado ao longo do conflito, sobretudo no tempero do aço para a blindagem. O comando do Exército Vermelho estava a cargo do célebre general e depois marechal Georgy Zhukov. 

Em 2 de fevereiro de 1943, cercado na retaguarda e nos flancos (pelos lados), sem possibilidade de receber reforços e suprimentos por terra e pelo ar, com os soldados exauridos no frio intenso, o Marechal de Campo Von Paulus aceitou a rendição, contrariando as determinações de Adolf Hitler de resistir. O frio derrotou os alemães? Os antigos historiadores soviéticos e russos contestam veementemente isso, afirmando que o inverno prejudicou os dois lados. Os mesmos também destacam a coragem dos soldados soviéticos e o abnegado desejo de defender a pátria. Dos 250 mil soldados alemães sitiados em novembro do ano anterior, apenas a metade conseguiu sobreviver e destes apenas 10 % retornou à Alemanha ao final da guerra. 

Abaixo temos um relato de um tenente alemão da 24ª Divisão Panzer (de tanques) feito após o conflito. Infelizmente não temos o nome desse oficial: 

"Para tomar uma única casa, lutamos quinze dias, lançando mão de morteiros, granadas, metralhadoras e baionetas. Já no terceiro dia, 54 cadáveres de soldados alemães estavam espalhados pelos porões, pelos patamares e pelas escadas. Nossa frente é um corredor ao longo de quartos incendiados ou o forro entre dois pavimentos. Pelas chaminés e escadas de incêndio das casas vizinhas é que chegam os reforços. A luta não cessa nunca. De um andar para o outro, rostos enegrecidos pelo suor, nós nos bombardeamos uns aos outros com granadas, em meio a explosões, nuvens de poeira e de fumaça, montes de argamassa, em meio ao dilúvio de sangue, aos destroços de mobiliário e de seres humanos. Perguntem a qualquer soldado o que significa meia hora de luta corpo a corpo numa peleja desse tipo. Depois imaginem Stalingrado - oitenta dias e oitenta noites só de luta corpo a corpo. As ruas já não se medem por metros, mas por cadáveres (...). Stalingrado já não é mais uma cidade. Durante o dia não passa de uma imensa nuvem de fumaça, que cega e queima, uma enorme fornalha iluminada pelo reflexo das labaredas. Depois, quando a noite chega, uma daquelas noites causticantes, de sangue e de gemidos, os cães se lançam às águas do Volga e nadam desesperadamente para chegar à outra margem. Até os animais fogem deste inferno, que as pedras mais duras não conseguem suportar por muito tempo só os homens ainda resistem."

O relato foi extraído de "Stalingrado", artigo do historiador militar britânico Alan Clark e que está contido na coleção História do Século 20 Abril Cultural, volume 5, 1975, página 2045. 

Crédito da imagem: 

The Pictorial History of World War II de Charles Messenger. JG Press, página 77. 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Feliz Ano Novo!




Acima temos um cartão com os votos de Feliz Ano Novo (pelo menos é o que registra a minha fonte) proveniente da antiga União Soviética e datado de 1966. O caro leitor pode verificar que o mesmo tem como tema a corrida espacial que envolvia soviéticos e estadunidenses. Possivelmente substituindo os tradicionais anjos temos três pequenos cosmonautas, termo utilizado pelos comunistas para designar os astronautas do Programa Espacial Soviético, que vivia os seus grandes momentos após enviar ao espaço o primeiro cosmonauta, a primeira mulher e de ter realizado o primeiro passeio de um ser humano em órbita da Terra, fora do veículo espacial. 

É com esta pequena relíquia que o blog História Mundi deseja a todos um ótimo 2021, cheio de saúde e de esperanças, que é aquilo que podemos mais aspirar para este país que vive momentos terríveis com a atual pandemia de covid-19 e ainda sem perspectivas concretas de uma vacina...

Crédito da Imagem:
https://www.facebook.com/sovietvisuals/

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Anúncio Antigo 76: recrutamento para a Segunda Guerra Mundial



Um anúncio na forma de poster convocando os cidadãos estadunidenses ao recrutamento para a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) feito pela administração da cidade de Nova Iorque, na época capitaneada pelo conhecido prefeito Fiorello La Guardia (1882-1947). O material de propaganda carrega a mensagem de que não importa o credo religioso, pois nesse conflito protestantes, católicos e judeus estão lutando lado a lado contra o inimigo comum, o nazi-fascismo e o militarismo nipônico. No ano de 1944, quando foi publicado, a guerra já estava praticamente definida na Europa. O Exército Vermelho da União Soviética retalhava a invasão alemã e tinha assegurado a retomada dos territórios ocupados. O desembarque aliado (anglo-americano), depois de muito tempo de protelação, finalmente iria ser efetivado nas praias da Normandia (norte da França) para abrir uma nova frente de combate aos alemães a oeste do continente, já que os russos avançavam pelo leste. O norte da África e quase toda a Itália também estavam liberados do domínio alemão e italiano. Não temos a informação se o anúncio foi publicado antes ou depois do desembarque do Dia D, ocorrido em 6 de junho de 1944. 

Pode ser lido no material: "Para que cada pessoa adore Deus à sua maneira!" Bem, aqui não havia muito espaço para os incrédulos, agnósticos e ateus. Em relação aos judeus destacava-se que os mesmos seriam bem recebidos na Forças Armadas, sem qualquer preconceito (na verdade, mesmo nos Estados Unidos havia) pois, naquele momento, muitos refugiados do domínio nazista na Europa viram na América (do Norte, Central e do Sul) um lugar onde pudessem viver e seguir as suas convicções religiosas. Para os estadunidenses era importante destacar que no American Way of Life (modo americano de viver) havia tolerância e respeito às religiões, mas não tanto às ideias políticas e ideológicas, sobretudo em relação aos socialistas e comunistas depois de encerrado o conflito. Mas isso, já é uma outra história.

O Anúncio Antigo acima foi publicado no livro The Pictorial History of World War II de autoria de Charles Messenger, da editora estadunidense JG Press (mas, impresso na China) de 1997. Este que vos escreve adquiriu o livro no Museu da Aeronáutica e Espaço de Washington, quando visitou a capital dos Estados Unidos em 1998. 

domingo, 13 de dezembro de 2020

Editorial: Censura ao blog História Múndi


Algum infeliz na vida, com absoluta falta de ter o que fazer, denunciou o blog História Mundi  por conteúdo inapropriado e abusivo. Os administradores do Facebook e do Instagram fazem questão de não apontar qual seja esse conteúdo, nem mesmo o que significam esses termos "inapropriado e abusivo". É óbvio que tal conceituação varia do ponto de vista de cada um. Muitas vezes, falar a verdade é abusivo. Este que vos escreve tem outra definição para isso: censura. Vivemos em uma ditadura das piores que já existiu neste país, senão a pior. Por que? Porque a mesma usa o disfarce de democracia. Aquilo que nossos antepassados chamavam de "lobo em pele de cordeiro". Faço publicamente um desafio a todos os leitores, que busquem no blog História Múndi qualquer conteúdo inapropriado e abusivo, cabendo ressaltar o que podemos considerar, de fato, como socialmente inapropriado e abusivo, como pedofilia, racismo, preconceitos contra LGBTs, contra mulheres (misoginia), apologia ao estupro, isto é, toda a série de crimes os quais sabemos praticados pelo atual poder instituído neste país. Será esta última crítica o conteúdo de que reclamam os inconformados e intolerantes em relação à escrita do blog?
Da minha parte estou inteiramente tranquilo e continuarei a escrever e a postar os conteúdos que dizem respeito à disciplina de Clio (a Musa da História). Aliás, nos tempos que correm e para muitos daqueles que tem dividas com a sociedade, todo conteúdo da História é inapropriado e abusivo. Abusivo para aqueles que abusam de nossa paciência...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Imagens Históricas 53: Faça como a Marilyn Monroe, use máscara!

 


Um dos ícones do cinema, a atriz Marilyn Monroe (1926-1962), nascida Norma Jeane Mortenson, usando uma máscara muito semelhante à que estamos utilizando nos dias de hoje para prevenir a covid-19. Infelizmente não temos informações mais precisas sobre a foto e nem mesmo sabemos tratar-se de uma montagem ou não. Se for, está muito bem feita. De qualquer forma, a imagem de Marilyn pertence ao período áureo da atriz, em meados da década de 1950. Isso é para lembrar que no dia de ontem, 9 de dezembro de 2020, mais de três mil estadunidenses morreram vítimas dessa temível doença. Um número superior aos atentados ocorridos no dia 11 de setembro de 2001.  Infelizmente, a ciência ainda não tem como saber se um indivíduo sofrerá os efeitos de uma simples gripe ou se poderá perder a vida ao contrair esse vírus. 

Vivemos o pior momento dessa pandemia (uma epidemia em escala global) e por isso, deixamos aqui as recomendações fundamentais: higienize o seu corpo, sobretudo as mãos; use máscara fora de seu ambiente domiciliar e saia de casa apenas se for necessário. São procedimentos simples, mas que muitas pessoas despreocupadas ou desinformadas desprezam. 

Para alívio mundial, as vacinas estão chegando, mas até lá todo cuidado é pouco...

Crédito da imagem: 

https://www.facebook.com/B-Movie-Mania-328512880516145