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domingo, 26 de novembro de 2017

A tumba do faraó Tutancâmon




Uma das mais incríveis descobertas arqueológicas de todos os tempos! A tumba e o tesouro do faraó adolescente Tutancâmon, praticamente como foram deixados por ocasião do fechamento da sepultura, há mais de três mil anos (acima, detalhe do segundo sarcófago, banhado a ouro). Algo absolutamente fascinante para os que são atraídos pela história dessa civilização notável, que foi a egípcia. Muitos estudiosos afirmam que a descoberta ainda não rendeu todo o conhecimento que nos poderia fornecer, uma vez que o estudo do material encontrado está muito longe de se esgotar. Milhares de peças e objetos ainda estão disponíveis para analises e possivelmente, para novas conclusões a serem feitas por arqueólogos e historiadores. 
O Egito Antigo constituiu uma civilização que durou praticamente três mil anos, passando pelas etapas do Antigo, Médio e Novo Império. Nesta ultima fase, que vai aproximadamente de 1550 a 1070 a.C. (antes de Cristo), é que encontramos Tutancâmon, faraó que pertenceu à 18ª Dinastia (cada dinastia compõe uma linhagem familiar). O Novo Império teve início com a expulsão dos invasores conhecidos pelo nome de hicsos, que haviam se estabelecido na região do delta do rio Nilo (norte do Egito ou chamado também de Baixo Egito). No processo que levou à expulsão dos mesmos, tivemos a restauração da autoridade do faraó (rei). E mais, com um exército renovado, quase profissional, os reis do Novo Império promoveram uma expansão territorial, que alcançou a Palestina (terra dos hebreus e filisteus) e a Síria (até o rio Eufrates). Além disso, recuperaram o controle da Núbia, no extremo sul do território (Alto Egito). 
A 18ª Dinastia foi também famosa por outros reis, cujos vestígios, de uma forma ou outra, foram preservados. Um deles foi Hatshepsut, um faraó do sexo feminino! Hatshepsut  foi casada com o seu meio irmão e então faraó, Tutmés II, algo comum no Antigo Egito, para a manutenção da linhagem familiar. O casal não conseguiu gerar um herdeiro masculino e, por isso, após a morte de seu marido, Hatshepsut teve que reger o trono com o enteado (e também sobrinho) Tutmés III, ainda uma criança. A regência de Hatshepsut foi tão longa que virou um reinado.

Após a morte de Hatshepsut, Tutmés III (imagem acima) finalmente assumiu o poder e retomou o expansionismo externo. Com isso, vieram as contribuições e tributos provenientes das regiões mais distantes, entre elas o Oriente Médio. A riqueza aumentou, porém os deuses deveriam também receber a sua parte, que era dirigida aos templos administrados pelos sacerdotes. Claro, estes últimos ampliaram o seu poder, da mesma forma que a burocracia de funcionários reais e os militares. O sistema administrativo e militarista implantado por Tutmés III manteve-se durante boa parte do Antigo Império, a ponto de alguns historiadores denominarem esse rei de "o Napoleão egípcio". 



Seus sucessores, Amenófis III e Amenófis IV (imagem acima) se beneficiaram de toda a organização criada em seu governo, exceto por um aspecto: o crescente poder do estamento sacerdotal. Talvez isso explique a tentativa de reforma empreendida por Amenófis IV (1353 a 1335 a.C.) para concentrar o culto religioso em torno de uma unica entidade, Aton, representado pelo disco-solar, substituindo o culto tradicional do deus Amon e das demais divindades. Em função disso, mudou o seu nome para Akenaton. Contudo, a reforma religiosa não teve continuidade e, após a sua morte, a antiga religião voltou (como também os sacerdotes). 



Os estudiosos atuais, entre eles o arqueólogo egípcio Zahi Hawass, consideram Akenaton o pai de nosso personagem, Tutancâmon, embora este não tenha sido filho da conhecida rainha Nefertiti (no baixo relevo acima, Akenaton, a rainha Nefertiti e suas filhas, sob a proteção do deus Aton). Tutancâmon, cujo nome significa "imagem viva de Amon", foi fruto da relação com uma esposa "secundária" de Akenaton, chamada Kiya, a qual também era sua meia-irmã.



Aos oito anos, Tutancâmon se casou com Anchesenamon (na imagem acima, pintura mostrando o casal real), cujo nome significa "ela vive para Amon", que tinha doze anos, sendo a mesma sua meia-irmã (esta sim, filha de Nefertiti). Um ano depois, o jovem faraó assumiu o trono, mas sem exercer atribuições efetivas de rei, sendo que o poder, de fato, ficou aos cuidados de Ay (pai de Nefertiti), que foi um alto funcionário no reinado de Akenaton e do general Horemheb. Por isso, a sua fase de realeza (1333-1323 a.C.) não representou nada de relevante para a história egípcia. 


Tutancâmon (na foto acima, o seu busto feito em madeira) morreu com dezenove anos. Contudo, a sua figura ficou conhecida três mil anos depois, em função de um único aspecto: a tumba. Quando esta foi encontrada, em 1922, muitos arqueólogos já consideravam esgotadas as possibilidades de novas descobertas no famoso Vale dos Reis, nas proximidades da cidade de Tebas, localizada a aproximadamente 640 quilômetros ao sul do Cairo (atual capital do Egito). Nesse local foram sepultados os faraós do Novo Império.
No início do século XX, a arqueologia, apesar de já ter adquirido a condição de disciplina científica, em muitos casos, ainda era exercida por amadores e sem os devidos procedimentos técnicos e metodológicos existentes hoje. Na verdade, o trabalho em um sítio arqueológico (lugar onde são feitas as escavações) pode demandar décadas, sendo feito em equipe, patrocinado por universidades e instituições científicas. Bem, naquela época os arqueólogos também necessitavam de patrocinadores. 


Era o caso do inglês Howard Carter (na foto acima), um obstinado explorador de relíquias do Egito Antigo e convicto da possibilidade de encontrar a sepultura do jovem faraó intacta. Sim, porque a maior parte das tumbas reais já haviam sido violadas, principalmente aquelas localizadas no Vale dos Reis, que por 420 anos serviu de abrigo para os restos mortais (ou imortais, pela religião egípcia) de 28 faraós, a maior parte enterrados em tumbas subterrâneas, que recebiam riquezas com as quais, achava-se, o faraó iria desfrutar na sua vida além-túmulo. Daí a mumificação e conservação do corpo, para que o mesmo pudesse ser utilizado nessa outra vida.



Carter era um dos poucos (se não o único) a acreditar que a sepultura de Tutancâmon não havia sido violada. Mas, para comprovar isso era preciso encontrá-la! Desde 1907, Howard Carter manifestava interesse em buscar a tumba, uma vez que nesse ano, o arqueólogo Theodore Davis encontrou fragmentos com o selo de Tutancâmon, possivelmente provenientes da cerimônia fúnebre do jovem faraó e o mesmo chegou a pensar que estivesse no lugar exato da tumba. Carter não se convenceu disso, mas tinha certeza de que a mesma não estava longe do local da escavação de Davis, no mesmo Vale dos Reis (na foto acima, na parte inferior à direita, sob um toldo, a tumba de Tutancâmon). A procura foi feita dentro desses limites, o que demonstrava a determinação de Carter.
Na manhã do dia 4 de novembro de 1922, os operários que trabalhavam para Howard Carter haviam encontrado um degrau cavado na rocha. A expectativa era enorme, mas a escavação não prosseguiu até que Carter chegasse, autorizasse a continuidade dos trabalhos e a remoção dos entulhos. O resultado: o degrau era o primeiro de outros dezesseis, que levavam a uma entrada fechada com pedras! Em seguida, um corredor e outra entrada, a qual já havia sido aberta e depois lacrada. Seria a tumba real tão procurada? E se fosse, já teria sido esvaziada pelos ladrões? Mas, Howard Carter teve que conservar a sua enorme ansiedade por duas semanas, até a chegada de seu patrocinador, que estava vindo da Inglaterra: o conde Carnarvon. Sim, conde e não lorde! Os egípcios é que lhe deram carinhosamente este ultimo título. O seu nome verdadeiro era George Edward Herbert.



Lorde (vamos chama-lo assim) Carnarvon era um apaixonado pelo Egito Antigo, aliás uma moda no século XIX e início do XX (é só lembrarmos o caso do nosso imperador D. Pedro II). Após sofrer um acidente automobilístico (ele foi um dos pioneiros nisso!), Carnarvon (foto acima) viajou ao Egito para se recuperar. Lá se apaixonou pela história dessa civilização e acabou patrocinando trabalhos arqueológicos. 


Em 1906, Carnarvon foi apresentado a Howard Carter, que também tinha experiência como desenhista e pintor de aquarelas (como o desenho acima, do túmulo de Hatshepsut, assinado por Carter), tendo participado de várias escavações no Egito. Na época do encontro com Carnarvon, Carter sobrevivia com esses desenhos e acompanhando turistas em excursões pelo país.
Lorde Carnarvon patrocinou seis temporadas de escavações para Howard Carter, na busca obstinada para encontrar a tumba tão cobiçada, com gastos superiores a 25 mil libras inglesas, algo equivalente hoje, fazendo as devidas correções, a mais de meio milhão de dólares! Os resultados foram desanimadores e por isso, ao iniciar a nova temporada de trabalhos em 1922, Lorde Carnarvon deu um aviso a Carter:
- Esta é a última!
Howard Carter, para convencer Carnarvon a patrocinar a nova empreitada, prometeu que se nada de importante fosse encontrado, arcaria ele mesmo com as despesas. 



Mas, voltemos à descoberta da tumba! A presença de Lorde Carnarvon era imprescindível para a abertura da sepultura e o mesmo chegou acompanhado de sua filha, Lady Evelyn (na foto acima, a entrada da tumba). 


Na tarde de 26 de novembro de 1922, com a presença dos envolvidos na aventura, Carter começou a abrir um buraco e por ele colocou uma vela para iluminar uma antecâmara (foto acima). A luz revelou móveis com formas de animais, objetos, estátuas e ouro por todos os lados. Lorde Carnarvon perguntou:
- Está vendo alguma coisa?
Carter respondeu:
- Sim, coisas maravilhosas!



A abertura foi ampliada e por ela se podia vislumbrar uma enorme quantidade de relíquias esparramadas do chão ao teto. Era evidente que a tumba já havia sido revirada por ladrões, os quais, não conseguiram levar tudo (como na foto acima, do anexo da antecâmara). A entrada definitiva na tumba ocorreu no dia seguinte, com a presença das autoridades egípcias. Tempos depois, soube-se que o grupo passou a noite inteira no local, celebrando a descoberta. A tumba de Tutancâmon está oficialmente registrada como KV62 (abreviatura de Kings Valley com o número da sepultura).




Na imagem acima, exibimos um mapa da tumba de Tutancâmon (com os objetos mais importantes) para o leitor poder acompanhar a sequência da postagem. 
Bem, nos dias e meses seguintes, uma surpresa após a outra era revelada. Importante lembrar que a tumba não foi explorada de uma única vez, inclusive em função de muitos objetos já estarem em estado de decomposição. Um simples manuseio poderia pôr tudo a perder.



Logo após a abertura da antecâmara, a atenção de Carter voltou-se para três divãs encostados na parede, cada um deles folheados a ouro e com os lados esculpidos em forma de animal. Os leitos estavam empilhados de objetos, como vasos de alabastro, jarros de perfume, uma caixa para viagens e embaixo de um dos divãs, recipientes de madeira amontoados contendo pedaços de carne bovina, os quais serviriam de alimento na outra vida (no centro da foto acima). 



No canto esquerdo da antecâmara, várias carroças empilhadas, tendo as estruturas de madeira revestidas com ouro e pedras preciosas incrustadas (foto acima, à esquerda).


Ao observar mais atentamente os divãs, Howard Carter percebeu uma abertura que dava para outra câmara anexa, bem menor, repleta de peças e objetos. Entre eles, pequenos sarcófagos contendo as múmias de duas crianças, possivelmente filhos do faraó que morreram ao nascer (na foto acima, catalogados com o nº 317). Nos dois ambientes ainda podiam ser observados cestos feitos de junco com frutas e pão; recipientes para vinho; dezenas de caixas decoradas com cenas as mais variadas, inclusive de batalhas, as quais provavelmente, o faraó jamais participou; além de jóias e anéis. Entre os objetos que despertaram a atenção da equipe de Carter, 35 maquetes de barcos, colocados de forma ritualística, a fim de facilitar o transporte do morto para a outra vida.


Contudo, o achado mais aguardado estava em outra sala, cuja entrada, fechada com argamassa após ter sido visitada pelos ladrões, situava-se do lado direito da antecâmara e vigiada por duas estátuas de madeira, uma de cada lado, representando o próprio faraó (foto acima). As figuras serviam como sentinelas para o compartimento (câmara funerária) onde estava depositada a múmia de Tutancâmon. 



Após retirada a argamassa que cobria a entrada da câmara funerária, foi encontrada uma enorme arca contendo a múmia (na foto acima, Carter e Carnarvon nos trabalhos de abertura dessa câmara).



Junto à câmara funerária, outro anexo foi achado, a câmara do tesouro, onde, encostado à parede estava um grande relicário, com quatro deusas em pé protegendo cada um dos lados do mesmo (na foto acima, um andor sobre o qual vemos o deus Anúbis e ao fundo, o relicário). 



O seu conteúdo só foi aberto alguns anos depois e revelou várias caixas cilíndricas contendo as vísceras do faraó, retiradas durante o processo de mumificação (fígado, pulmões, intestinos e estômago).
Howard Carter começou a perceber as dificuldades que teria para retirar tudo o que fora encontrado nos quatro compartimentos da tumba. Como já dissemos, muitos objetos estavam irremediavelmente deteriorados, como uma sandália do faraó, que a um simples toque, se desintegrou!



A descoberta atraiu a atenção do mundo, dentro das possibilidades permitidas na década de 1920. No Vale dos Reis foram montados acampamentos; pequenos galpões para a guarda dos objetos; laboratórios fotográficos e alojamento para os guardas que, depois de três mil anos, voltaram a vigiar o local. Carter contactou especialistas em antiguidades e documentos, como também desenhistas, para auxiliarem no levantamento da descoberta. Um deles foi o fotógrafo Harry Burton, do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque. As fotos em preto e branco que aparecem nesta postagem podem ser creditadas a ele, exceto a que aparece acima, um banquete na própria tumba de Tutancâmon, tirada por Lorde Carnarvon (Carter é o segundo à direita, olhando para a câmera). 



E claro, jornalistas de todo o mundo chegaram ao Egito para fazer a cobertura na imprensa. Para evitar dar entrevistas para vários periódicos e repetir as mesmas respostas, Carnarvon e Carter assinaram um contrato de exclusividade com o jornal inglês The Times, que distribuía as matérias para os outros jornais. Apenas os correspondentes desse veículo puderam adentrar na tumba e acompanhar os trabalhos (na foto acima, um jornal norte-americano divulga os achados na tumba, em 1926). Hollywood mostrou interesse no assunto e uma indústria têxtil lançou coleção de roupas inspirada no faraó!
Várias semanas foram necessárias para a limpeza da antecâmara e, em seguida, a abertura oficial da câmara sepulcral (ou funerária), que ocorreu no dia 16 de fevereiro de 1923. A expectativa era grande, pois até aquele momento os arqueólogos não haviam encontrado uma múmia de faraó em seu estado original.



Contudo, a exploração do compartimento onde se encontrava a múmia de Tutancâmon teve de esperar ainda mais tempo. Os outros objetos já encontrados requeriam cuidados especiais e deveriam ser agrupados, numerados e catalogados (como na foto acima). 
Nesse intervalo, um fato deixou todos os membros da equipe consternados. No dia 6 de abril de 1923, Lorde Carnarvon faleceu, vítima de pneumonia, fruto de infecção provocada por um corte no rosto, quando Carnarvon fazia a barba (e talvez, agravado por uma picada de mosquito). Bem, há aqueles que afirmam ser a tal da "maldição dos faraós". O escritor Arthur Conan Doyle, criador do personagem Sherlock Holmes, alimentou o mito, ao afirmar que a morte de Carnarvon foi causada por "elementos - nem almas nem espíritos - criados pelos sacerdotes de Tutancâmon" com o intuito de salvaguardar a sua múmia. A imprensa repetiu a afirmação e ainda acrescentou notícias a respeito das mortes misteriosas, de muitos daqueles que participaram da abertura da tumba. Howard Carter nunca deu atenção a isso e morreu dezessete anos após a descoberta, em 1939, vítima de câncer. Um médico da equipe, que autopsiou o corpo mumificado do faraó, viveu mais de 80 anos! Se a maldição tivesse que cair sobre alguém, teria que ser sobre estes dois, pensam os mais céticos, inclusive este que vos escreve. 



O corpo mumificado de Tutancâmon estava no centro de quatro urnas ou relicários de madeira dourada, uma dentro da outra, tal qual uma caixinha de surpresas! Removidas as urnas, eis que foi encontrada outra urna de granito (imagem acima) e dentro desta três sarcófagos, sendo que no último (de ouro maciço e pesando 110 quilos) foi encontrada a máscara funerária do faraó, embaixo da qual estava a sua múmia. 






Cada sarcófago tinha o formato do rosto do rei e todos o mostravam com a coroa composta do abutre e da cobra, respectivamente, símbolos do Alto e do Baixo Egito (nas fotos acima, detalhes do sarcófago externo). 




Da mesma forma, as mãos cruzadas sobre o peito com os emblemas da realeza: o mangual e o cetro (nas fotos acima, o segundo sarcófago). O leitor pode perceber a dificuldade, praticamente intransponível, que os ladrões teriam se tentassem remover toda essa parafernália de urnas funerárias!



Praticamente um ano se passou até Howard Carter concluir a abertura dos sarcófagos e chegar ao ultimo deles (na foto acima, Carter examina o mesmo, acompanhado de um auxiliar egípcio). 





Dentro da última urna, a máscara funerária (nas imagens acima, exatamente como a mesma foi encontrada), confeccionada em ouro maciço, que protegia a cabeça da múmia. Sem dúvida, a peça que se tornou a mais famosa, entre todas as que foram encontradas na tumba! 


Junto com a máscara surgiu a múmia que se encontrava envolvida em várias faixas de linho (treze camadas no total) e sob a proteção de um colete de couro (foto acima). 



Removida as camadas de pano, algumas surpresas. Perto da coxa foi encontrado um punhal, feito de ferro polido e que, segundo analises recentes, tem origem extraterrestre. Como? Ora, o mesmo teria sido confeccionado a partir de um meteorito! Mais de 143 amuletos foram encontrados entre as faixas de tecidos, a fim de auxiliar a passagem do faraó para a imortalidade (na foto acima, é possível observar o punhal e alguns dos amuletos). É por esta razão, que grande parte das múmias foram encontradas violadas e com verdadeiros rombos em seus corpos, uma vez que os ladrões vasculhavam as mesmas a procura dos tais amuletos, muitos deles feitos de ouro.




Finalmente, o corpo do faraó foi revelado. Claro, a própria ação do tempo fez estragos na múmia de Tutancâmon! Mas, durante o tratamento para a mumificação, o corpo do faraó foi coberto com uma resina misturada a outros unguentos (preparados líquidos), a fim de poder conservar a carne. O líquido (não se sabe ao certo a composição do mesmo) proveniente desse material, oxidou o corpo do rei, ocorrendo uma espécie de "combustão", que deixou o cadáver escuro, ressecado e colado ao fundo do sarcófago (nas fotos acima, o corpo do faraó e a parte mais bem preservada, sua cabeça). Em função desse estado, a múmia teve de ser removida aos pedaços, inclusive a cabeça, que estava dentro da máscara mortuária de ouro maciço (como se a mesma fosse um "capacete"). 






Como já dissemos, a máscara funerária é a peça mais conhecida entre as encontradas na tumba e hoje é a atração maior do Museu do Cairo (nas fotos acima, visão frontal e lateral da mesma). 



Os símbolos da monarquia faraônica, o cetro e o mangual, os quais provavelmente estiveram na coroação de Tutancâmon, foram encontrados na tumba (imagem acima). 






Uma década depois da abertura da sepultura, em fevereiro de 1932, Howard Carter entregou ao Museu do Cairo os últimos objetos encontrados, totalizando mais de 5 mil peças! Entre elas, a pequena cadeira que o faraó utilizou quando criança, feita de madeira e marfim, com detalhes laterais em ouro e os pés em forma de patas de leopardo (imagens acima). 




Apesar da enorme repercussão dessa descoberta, claro, também pelo fato de se tratar de um grande tesouro, uma coisa fez os estudiosos do Egito Antigo se lamentarem: haviam poucos documentos escritos (nas fotos acima, a deusa Selkit, uma das quatro divindades que envolviam o relicário do faraó). Sem os mesmos, poucas informações foram acrescentadas a respeito do próprio faraó e de sua época. Por exemplo, sabe-se que ele chegou ao trono após o seu pai, Akenaton, em 1333 a.C., mas é muito provável que tenha havido um "governo tampão" que durou dois anos, até que Tutancâmon fosse coroado. Alguns estudiosos acreditam que tal governo teria sido exercido pela já citada rainha Nefertite.




Após a morte prematura do jovem rei, surgiu o problema da sucessão, uma vez que Tutancâmon e Anquesenamon não deixaram um herdeiro para o trono (na foto acima, uma caixa para guardar jóias com o nome do faraó). Tanto isso é fato, que a rainha viúva buscou encontrar um novo marido, fora do Egito, na corte do rei dos hititas, reivindicando um príncipe para poder se casar. Anquesenamon admitiu não desejar ter um de seus súditos egípcios para marido, por medo! Os hititas chegaram a enviar um noivo, mas ele desapareceu misteriosamente na viagem para o Egito... Anquesenamon teve que se sujeitar ao casamento com o próprio avô, o velho Ay, quarenta anos mais velho. Nos quatro anos de seu reinado, Ay procurou apagar as inscrições que faziam referência a Tutancâmon e por isso o nome deste faraó ficou esquecido por séculos, só reaparecendo por ocasião da descoberta de sua tumba.


A sepultura de Tutancâmon é reveladora da grande riqueza que afluía ao Egito naquele momento (na foto acima, um punhal feito em ouro). Os estudiosos duvidam que alguma outra sepultura, apesar da ação de ladrões já na antiguidade, pudesse ter superado à do faraó adolescente, em termos de variedade e quantidade dos objetos depositados.



Ah, e a morte do jovem faraó? Até agora, não se chegou a um consenso entre os egiptólogos (estudiosos do Antigo Egito) com relação aos motivos que levaram à morte precoce de Tutancâmon (imagem acima). A hipótese inicial de ter o jovem rei sido vítima de um assassinato está, praticamente, descartada, em função dos exames mais apurados (tomografia) feitos a partir do ano de 2006, os quais parecem indicar morte acidental ou mesmo natural. Outro aspecto diz respeito aos problemas físicos do próprio faraó, algo que muitos atribuem às uniões matrimoniais entre parentes consanguíneos, que podem ter contribuído para a sua pouca resistência física.
Bem, de qualquer forma, deixemos esses detalhes (inclusive sobre o tesouro propriamente dito) para outras postagens, pois este assunto fascinante está longe de ser esgotado...
Crédito das Imagens:
Fotos em cores do rosto de Tutancâmon no segundo sarcófago e busto do faraó: O Antigo Egito. Biblioteca de História Universal Life. Livraria José Olympio Editora, 1969. 
Escultura de Tutmés III: História Geral da Arte. Escultura I. Ediciones Del Prado, 1995, p. 45.
Fotos de Howard Carter e Lorde Carnarvon: Wikipédia.
Fotos em preto e branco atribuídas ao fotógrafo Harry Burton:
Treasures of Tutankhamun. Ballantine Books, New York, 1976. 
Wikipédia
http://www.culture24.org.uk/history-and-heritage/archaeology/art491894-Discovering-Tutankhamun-Ashmolean-Museum-Art-Archaeology
http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/141958/Heritage/Ancient-Egypt/Tutankhamuns-tomb-off-the-tourist-track-starting-O.aspx
http://www.athenapub.com/aria-PE-TutTomb04.htm
Esquema da tumba: http://www.magnusmundi.com/a-tumba-de-tutancamon/
Foto do terceiro sarcófago: https://www.khanacademy.org/humanities/ancient-art-civilizations/egypt-art/new-kingdom/a/tutankhamuns-tomb
Foto da múmia de corpo inteiro: Wikipédia.
Foto da cabeça da múmia em cores:
http://www.independent.co.uk/news/science/3000-years-old-the-face-of-tutankhamun-398985.html
Máscara funerária em cores: Pinterest.
Máscara funerária de lado: https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/201711209881944-museu-cairo-tumulo-tutancamon-fotos/
Imagens em cores das peças da tumba: Treasures of Tutankhamun. Ballantine Books, New York, 1976. 

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