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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Mapas Históricos



Todos aqueles que acompanham o blog História Mundi devem ter percebido que, eventualmente e quando a nossa disponibilidade de tempo permite, lançamos postagens referentes a mapas. Claro, dando destaque aos mapas de época e que possam ser utilizados na pesquisa histórica. Foi o caso do mapa da América de Sebastian Münster, da Tábua Peutinger, do mapa de Cantino, do mapa Vinland, entre outros (acima, o mapa Terra Brasilis de 1519). Os estudos referentes a esses documentos cartográficos se constituem em fontes de informações para os historiadores, pois revelam não apenas o conhecimento que se tinha do espaço geográfico, como também nos ajudam a entender e a decifrar a mentalidade de uma determinada época, as concepções políticas e militares que acabaram sendo incorporadas às cartas cartográficas e até mesmo, para a história da arte, pois muitos estudiosos enxergam tais documentos do ponto de vista técnico e artístico. Em várias ocasiões cartas cartográficas sobreviveram ao tempo ou foram conservadas por serem vistas como se fossem quadros ou pinturas!
Pois bem, pensando nisso, este que vos escreve empreendeu uma pequena varredura pela internet e pode localizar vários sites que permitem o acesso a esses mapas por meio de seu computador, tablet ou celular. Entre essas páginas virtuais, encontramos o "Mapas Históricos". Neste caso, devemos fazer um esclarecimento. Um mapa antigo pode ser uma carta cartográfica de época ou concebido dentro de um espaço de tempo que permite atribuir ao mesmo a sua condição de documento histórico. Por exemplo, a Tábua Peutinger embora refletisse a concepção de mundo da época do Império Romano, foi copiada na Idade Média, muitos séculos depois do fim do Império. 


O mapa da antiga Província de São Paulo de 1886 (imagem acima) feito para a Sociedade Promotora da Imigração, insere-se também nesse caso. As indicações das ferrovias e das linhas de navegação (sim, um dia isso existiu em São Paulo) tinham por finalidade orientar a direção dos imigrantes europeus que chegavam para trabalhar nas fazendas de café. Já um mapa histórico pode ser uma carta cartográfica feita nos dias de hoje para reconstituir um determinado evento de uma civilização ou cultura de outros tempos. Por exemplo, os livros de história estão repletos de mapas indicando as rotas dos viajantes na Expansão Marítima dos séculos XV e XVI, feitos com base na concepção atual que temos do mundo. 


O site Mapas Históricos mostra-se interessante por contemplar as duas possibilidades, com mapas antigos e mapas históricos, podendo-se até fazer comparações, como no caso do mapa de Cantino de 1502 e um mapa atual, ambos mostrando o litoral norte da América do Sul (imagem acima). Útil e interessante para os estudantes do Ensino Médio, Superior e em várias áreas das ciências humanas, o site permite salvar e reproduzir os mesmos em trabalhos ou apresentações de seminários. 
O blog História Mundi reforça o seu compromisso de ser uma ferramenta para os estudiosos ou curiosos em geral. Em função disso, o Mapas Históricos estará, a partir de agora, disponível na coluna Links Interessantes.
Para ver e consultar:
http://www.mapas-historicos.com/

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O mapa da América de Sebastian Münster



O primeiro mapa a mostrar o continente americano de forma exclusiva, separado das demais extensões territoriais e datado do ano de 1540. Eis o trabalho do grande mestre da cartografia (ciência voltada para a elaboração de mapas) da primeira metade do século XVI: Sebastian Münster. Nascido na antiga Alemanha (Sacro Império Romano-Germânico) em 1488 (ou 1489, segundo outras fontes), Münster foi autor da Cosmographia, obra editada em 1544, que continha valiosas informações sobre o mundo conhecido e desconhecido (segundo as concepções da época), publicada em seis línguas. 


Além de cartógrafo, Sebastian Münster (acima retratado pelo pintor Christoph Amberger em 1552) foi também matemático e linguista, professor de hebraico da Universidade de Heidelberg e depois na Basileia (Suíça), onde chegou em 1529. Portanto, um humanista (intelectual) típico dos tempos do Renascimento Cultural, no início da Era Moderna. No ano de 1528 elaborou um detalhado mapa da Alemanha, feito com contribuições de viajantes e eruditos. Münster tornou-se o primeiro cartógrafo a fornecer mapas exclusivos para cada um dos quatro continentes conhecidos (como neste mapa que apresentamos) e também o primeiro a imprimir em separado um mapa da Inglaterra. A maior parte das suas cartas cartográficas foram publicadas em xilogravuras (impressão a partir de uma matriz feita em madeira) por artistas de grande renome, entre eles, Hans Holbein, o Jovem. Por isso, além do valor informativo, os mapas também despertaram o interesse de colecionadores, na condição de verdadeiras obras de arte.
Mas, voltemos ao documento em questão. Antes do mapa da América de Münster, as cartas cartográficas acompanhavam a tese de Colombo, de que a América era parte do continente asiático ou da Índia (daí o nome que Colombo deu aos nativos: índios). Depois que essa concepção foi deixada de lado, a grande ambição dos primeiros exploradores da América era a de alcançar uma passagem para o oceano Pacífico, que levasse ao Extremo Oriente e às especiarias (temperos e produtos orientais de grande valor na Europa). 


Mesmo neste mapa de Münster, o Oriente não aparece tão distante, como mostra a localização de "Zipangri" ou Japão (no detalhe acima), próximo da costa oeste do que hoje são os Estados Unidos. Um detalhe, este foi o primeiro mapa a utilizar o termo "Mare Pacificum" para designar o oceano Pacífico. 


Apesar de representar o então chamado Novo Mundo separado, Sebastian Münster parece localizar alguns pontos ou cidadelas orientais no continente americano. É o caso de "Catigara" (no detalhe acima), muito provavelmente situada no Sudeste Asiático (península da Malásia), mas que neste mapa aparece na costa leste da América do Sul. Münster talvez acreditasse que o Oceano Pacífico fosse uma extensão do Índico. 


Na parte referente ao Brasil (detalhe acima), uma pira ou fogueira com pedaços de corpos humanos ocupa uma boa parte desse território, uma referência à prática do ritual da antropofagia (ingestão da carne humana dos inimigos capturados), por parte de algumas populações nativas (não todas, é claro). O desenho é acompanhado do termo "Canibali". Na porção sul do continente, está registrado o Estreito de Magalhães e o Reino dos Gigantes. O navegador português Fernão de Magalhães (que deu nome ao estreito) registrou a presença de índios de tamanho incomum na região da atual Patagônia (sul da Argentina).



Na América Central Caribenha, várias ilhas já estavam identificadas, como Cuba, Hispaniola (hoje Haiti e República Dominicana), Jamaica e um erro, "Iucatana", que na verdade é a península de Iucatã (México atual) e não uma ilha como está representada no mapa (detalhe acima). Ah, a "Terra florida" no sul da América do Norte, é o atual estado norte-americano da Flórida. 
Uma carta cartográfica com o que de melhor se sabia, até aquele momento, a respeito do novíssimo continente americano (novíssimo do ponto de vista do europeu) e que serviu de base para outros mapas posteriores. Foi nesse documento, literalmente, que a América apareceu no mapa...
Crédito das imagens:
Pintura retratando Sebastian Münster: Wikipédia.
Mapa de Sebastiam Münster e os seus detalhes: A América do Sul e o Brasil no Mapa: a cartografia no rastro dos exploradores ibéricos de Kevin James Brown. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2018, página 6. 

domingo, 14 de maio de 2017

Biblioteca Digital Hispânica



Desde que foi criado no final de 2011, o blog História Mundi se propõe a ser um facilitador do conhecimento, da leitura e da pesquisa. Nesse sentido estamos entregando ao leitor mais uma ferramenta para que o mesmo possa mergulhar nos livros, revistas, jornais, imagens, mapas e obras artísticas, disponíveis a partir de um simples teclado de computador ou do próprio celular. O indivíduo pode ter acesso a informações relativas a praticamente todo o campo do conhecimento, em especial às ciências humanas e explorar imagens (como a fantástica gravura de Rembrandt feita em 1637 e intitulada "Busto de homem com barba e toca com broche"). 
No caso em questão estamos nos referindo à Biblioteca Digital Hispânica (BDH). A mesma contempla obras digitalizadas que compõem a Biblioteca Nacional de España com sede em Madrid, proporcionando acesso gratuito e livre a milhares de documentos, entre os quais livros que foram impressos entre os séculos XV e XIX, manuscritos, gravuras, desenhos, cartazes, folhetos, fotografias, mapas, partituras musicais e até mesmo gravações sonoras. 


A BDH foi criada em 2008 com o objetivo de difundir o patrimônio cultural espanhol e também de cumprir um compromisso estabelecido com a União Européia de contribuir com a Biblioteca Digital Européia, também conhecida como "Europeana", a qual já se encontra disponível em nossos "links interessantes" como Europeana Collections. A proposta é que esta ultima forneça um acesso único por meio da internet para as várias instituições culturais europeias (na imagem acima, mais uma obra de Rembrandt disponível no acervo de gravuras do artista holandês, "Ancião com gorro de pele e capa de veludo" de 1632).  
O caro leitor poderá imaginar que a BDH dispõe de um acervo restrito ao seu país de origem, a Espanha. Não! Claro que se a mesma tivesse a Espanha como referência exclusiva já justificaria plenamente a sua inclusão na nossa lista de links. Mas, como é importante lembrar, grande parte da América do Sul e Central foram colonizadas pelos espanhóis e todo aquele pesquisador interessado em conhecer a cultura latino-americana poderá recorrer a esse precioso acervo. 


Da mesma forma, engana-se aquele que imagina não existir na BDH nenhuma obra ou documento sobre o Brasil. Uma pesquisa simples será o suficiente para termos ideia do enorme material de pesquisa disponível sobre a história brasileira, como por exemplo, documentos do período colonial, livros de viajantes e também a coleção cartográfica (na imagem acima, uma planta do Rio de Janeiro feita por William Stevens em 1763, na mesma época em que a cidade se tornava sede do Governo Geral brasileiro). 


Para que o leitor tenha ideia da importância do acervo disponível são mais de 70 mil monografias, 13 mil manuscritos, 35 mil desenhos, gravuras e fotos, 30 mil partituras e quase 7 mil mapas disponíveis para consultas. Nem todo esse material está disponível online, cabendo ao pesquisador verificar se na catalogação se encontra ou não o ícone com o "cadeado". De qualquer forma, é mais um recurso disponível para todos os interessados em ampliar as suas informações e conhecimentos (no mapa acima, impresso na França em 1719, temos uma ideia da dimensão das capitanias brasileiras no início do século XVIII). 


E claro, a Espanha está presente no acervo da BDH, como por exemplo, através da fabulosa coleção de gravuras do artista espanhol Goya (na imagem acima, São Francisco de Paula, sem data).
A Biblioteca Digital Hispânica passa a fazer parte dos nossos Links Interessantes...

sábado, 21 de julho de 2012

Biblioteca Digital Mundial

O blog História Mundi reforça o seu compromisso de ser um facilitador no que se refere à pesquisa, indo de encontro  aos interessados nos grandes temas da História e também para os profissionais das Ciências Humanas em geral. Desta forma estamos divulgando mais uma ferramenta para os estudiosos e pesquisadores: a Biblioteca Digital Mundial (World Digital Library). Patrocinada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), este sítio têm contribuições dos países-membros da organização, o que inclui, claro, o Brasil. A idéia é a de reunir em um único lugar, tesouros culturais que incluem livros raros, mapas, manuscritos, fotografias, filmes, gravuras, desenhos, entre outros.
A proposta de criar a Biblioteca Digital Mundial nasceu da iniciativa de um bibliotecário da Biblioteca do Congresso dos EUA, James H. Billington, em 2005. A ideia é de que por meio da internet seja possível acessar uma coleção que contemple as riquezas culturais do mundo e a divulgação das mesmas dentro de uma perspectiva multicultural. A UNESCO bancou o projeto, tendo inicialmente a cooperação da própria Biblioteca do Congresso, da Biblioteca de Alexandria (Egito), da Biblioteca e Arquivos Nacionais do Egito, da Biblioteca Nacional (Brasil), da Biblioteca Nacional da Rússia e da Biblioteca Estadual da Rússia. Em seguida, foi apresentado um protótipo para a UNESCO, que acabou originando o projeto definitivo. Em 2009, foi feito o lançamento do sítio para o público, com a contribuição de duas dezenas de instituições que forneceram conteúdo para o mesmo. 



A pesquisa pode ser feita pelo lugar, período, tema, tipo de item e instituição que contribuiu com o material. Outros dispositivos incluem cronologia, sistema de visualização das imagens, informações precisas de cada documento, além do fato da consulta poder ser feita em várias línguas, inclusive o português. 
Entre os items resultantes da contribuição da nossa Biblioteca Nacional está o acervo fotográfico Tereza Cristina, com algumas fotos pertencentes à coleção particular do imperador D. Pedro II. A foto acima, da princesa Isabel (sem data), faz parte dessa coleção.




Da contribuição das instituições norte-americanas, temos entre outras, uma foto pouco conhecida do presidente Abraham Lincoln, de 1861, ano em que teve início a Guerra Civil Norte-Americana.
Contudo, o destaque maior fica com a coleção de mapas, inclusive da América do Sul, abrangendo o período colonial até a fase contemporânea. Para aqueles que estudam a história de nosso continente até o século XIX, é importante fazer a leitura dos documentos confrontando-os com os mapas da época, sobretudo para a localização de lugares cujas denominações sofreram mudanças. 
Apesar de recomendarmos uma visita e, se for o caso, a pesquisa do sítio, lembramos que o acervo disponibilizado pelas várias instituições participantes ainda é pequeno. Para que o projeto caminhe será necessário dispor de um material maior, muito embora a idéia da Biblioteca Digital Mundial seja primar pela qualidade e não pela quantidade. De qualquer forma, fica a indicação e a mesma fará parte de nossos links interessantes. 
Para  acessar a Biblioteca Digital Mundial:
http://www.wdl.org/pt





quinta-feira, 22 de março de 2018

Tábua Peutinger: o mapa-múndi da Roma Antiga



Um mapa simplesmente incrível, cuja concepção remonta aos próprios romanos! A unica carta sobrevivente de um cursus publicus ou rota de estradas da Antiga Roma, copiada no século XIII. Para quem o vê é um exercício incomparável de geografia, pois leva o indivíduo a identificar as cidades, as ilhas, as penínsulas e os continentes como se fosse um viajante da Antiguidade (no detalhe acima, o sul da Itália e a ilha da Sicília, que inclusive aparece com esse mesmo nome). Aliás, era esse o objetivo desse mapa, dirigido aqueles que, por várias necessidades (militares, administrativas, comerciais) percorriam as províncias do Império Romano, da Europa até a Ásia, passando pelo norte da África, as dimensões atingidas por Roma em seu momento máximo de expansão no início da era cristã e indo até o mundo conhecido nessa época. O mapa apresentava aquilo que os romanos chamavam de itinerarium. Muitos estudiosos comparam esse documento a um moderno itinerário (vejam que o termo permanece) de metrô e linhas ferroviárias, representadas geralmente no plano horizontal e retilíneo. Daí o debate entre os especialistas a respeito de se denominar ou não a carta de mapa e por isso prevalece o termo Tábua. Alguns ainda designam esse documento como sendo um cartograma, uma espécie de quadro esquemático onde determinados locais estão assinalados por pontos ou figuras interligados por linhas retas. Na Tábua Peutinger a preocupação maior era a de orientar os viajantes, principalmente do Ocidente (Roma) para o Oriente. Ora, não é por outra razão que o verbo "orientar" teve a sua origem exatamente nesse aspecto, pois a referência para os antigos caminhos estava no Oriente (onde nasce o sol).
Na cartografia (arte ou técnica da feitura de mapas) notamos uma diferença entre os gregos e os romanos. Estes últimos estavam mais interessados nas necessidades práticas advindas das campanhas militares e da administração provincial, sem descartar a necessidade de viabilizar o deslocamento de produtos e mercadorias. Portanto, não era o interesse científico que orientava a elaboração dos documentos cartográficos. Já os gregos estavam preocupados com a geografia matemática, com as latitudes e longitudes ou ainda com as medidas astronômicas.





A Tábua Peutinger expressava também a grandeza e o poder do Império Romano. Em função disso, podemos reparar no modo como a Grécia foi representada na Tábua (na imagem acima a península grega), de forma bem simples, sem qualquer referência ao seu passado glorioso ou à sua cultura. No detalhe mais acima, Atenas é identificada apenas como uma pequena cidade entre as demais. 



Para os romanos, os mapas tinham que ter praticidade e serem fáceis de ler. A enfase é dada nas massas territoriais e não nos mares, uma vez que o deslocamento sugerido se dava pelas estradas e também passando pelas cidades, como a própria Roma, representada na imagem acima tendo o ícone da autoridade imperial (reparem do lado direito a Via Apia, a famosa estrada que ligava a cidade ao sul da Itália) e o antigo porto romano de Ostia. Os possíveis obstáculos aos viajantes foram assinalados, como rios, montanhas e florestas. As distâncias entre as cidades também são fornecidas. 



Como nos relata Maurício Waldman, doutor em Geografia pela USP, os romanos criaram uma malha viária incomparável no Mundo Antigo. Portanto, podemos dar razão à assertiva de que "todos os caminhos levam a Roma" (na foto acima, a Via Ápia). A técnica de construção de estradas pavimentadas foi herdada de outros povos já dominados (etruscos, gregos, cartagineses e até dos egípcios, no que se refere ao trabalho com pedras, que foi aproveitado nos calçamentos), mas elevada a uma escala sem precedentes pelos romanos, os quais chegaram a dividir as pistas em faixas e até mesmo estabeleceram um limite de peso para os veículos. Muitos dos traçados dessas estradas foram mantidos nas rodovias modernas da Europa. 
As distâncias estão estabelecidas na Tábua Peutinger e a malha viária estendia-se por 700 milhas romanas ou 104.000 quilômetros, segundo nos informa Maurício Waldman. Daí a necessidade de mapeá-la e ao fazer isso os romanos deixam transparecer a sua visão de mundo e os seus interesses, como a necessidade de estabelecer um controle sobre o espaço territorial. Não é por acaso que a cidade de Roma aparece na parte central do pergaminho, revelando a proeminência da mesma sobre o mundo daquela época. Os mapas não são documentos puramente técnicos, mas carregam também uma conotação ideológica.  
Como já destacamos, a Tábua Peutinger é uma cópia de um original antigo (e que se perdeu), feito no formato de pergaminho e confeccionado por um monge da cidade francesa de Colmar, no ano de 1265. 





O pergaminho é dividido em 11 seções, embora uma parte (que seria a 12ª seção) está em falta, exatamente a que mostraria a Península Ibérica e as ilhas Britânicas. O professor alemão Konrad Miller fez uma reconstituição dessa página em 1898, com base em outras informações documentais referentes a essas províncias europeias (nas imagens acima a Península Ibérica onde podemos ver o estreito de Gibraltar com a sua antiga designação de Colunas de Hércules e no detalhe superior a antiga Britânia, hoje Inglaterra). 


A hipótese mais aceita é de que a origem da Tábua Peutinger foi um documento cartográfico romano, possivelmente do século IV da nossa era, cuja concepção teve por base o mapa-múndi preparado por Marcus Vipsanius Agripa e que ficou conhecido pelo nome de Orbis Terrarum. Esse mapa foi feito no tempo em que o imperador Augusto (imagem acima) governou Roma, de 27 a.C. até 14 d.C..


O cônsul e general Agripa (na foto acima, o seu busto) foi o grande comandante da Batalha do Ácio (ano 31 a.C.), onde Augusto se impôs em definitivo sobre as forças de Marco Antônio (e sua consorte Cleópatra), o que lhe garantiu o controle político e militar de Roma, encerrando a guerra civil dos tempos de Júlio César. Também devemos a Agripa a abertura de muitas estradas, a transformação arquitetônica da cidade de Roma com belos edifícios feitos em mármore (como o famoso Panteão) e a redação de livros (infelizmente perdidos) que demonstram o grande conhecimento que o general tinha de geografia. Agripa foi sogro do segundo imperador romano, Tibério (que governou ao tempo em que Cristo foi crucificado), avô materno de Calígula e bisavô materno de Nero. 



O imperador Augusto determinou um levantamento detalhado das estradas romanas e no âmbito desse inventário é que surgiu o mapa-múndi de Agripa (na imagem acima, uma reconstituição do Orbis Terrarum). O mapa ultrapassou a delimitação dos territórios imperiais e buscou abranger a totalidade do mundo conhecido. Existem evidências de que o mapa de Agripa foi gravado em mármore no Porticus Vipsania (teto sustentado por colunas e do qual restam apenas vestígios), logo após a sua morte (ocorrida no ano 12 a.C.). Esse mapa serviu de base para os outros que foram confeccionados nos tempos do Império. 



Mas, voltemos à Tábua Peutinger. A mesma foi descoberta em uma biblioteca na cidade alemã de Worms por Konrad Celtes em 1494, que não divulgou o achado até a sua morte, deixando o pergaminho como herança para o antiquário e humanista Konrad Peutinger (no retrato acima, de autor desconhecido) em 1508, do qual deriva o nome Tábula ou Tábua Peutinger. O pergaminho ficou em poder da família Peutinger por mais de duzentos anos, passando por vários outros donos até ser entregue às instituições do Império Habsburgo (Austríaco) estando atualmente com a Biblioteca Nacional da Áustria. 





O pergaminho mede incríveis 6,80 metros de comprimento por 34 centímetros de largura, exatamente como aparece na imagem acima, que comprimimos para dar ao leitor uma visão geral do documento (o lado esquerdo é oeste e o direito leste, tendo aproximadamente ao centro a Itália).



Na foto acima, temos uma reconstituição do rolo do pergaminho, feita por um artesão contemporâneo. Tal formato seria o apropriado para o manuseio e guarda da Tábua Peutinger em tempos mais remotos.
A confirmação de que se trata de um mapeamento feito com base no século I de nossa era, em pleno período da chamada Paz Romana, nos é dada por uma série de detalhes.


A inclusão da cidade de Pompéia destruída pela famosa erupção vulcânica do Vesúvio no ano 79 d.C., a qual não foi reconstruída (portanto não poderia ser assinalada em mapas posteriores) e do farol de Alexandria em toda a sua grandiosidade, atestam que a referência da carta cartográfica remete ao tempo de Augusto (no detalhe acima, temos Pompéia assinalada, bem como a área montanhosa onde se localiza o vulcão Vesúvio). 



O mapa-múndi de Agripa sofreu revisões na Tábua original do século IV, pois podemos identificar a cidade de Constantinopla (atual Istambul e que aparece no detalhe acima), que passou a ser a nova capital do Império Romano e foi erguida nos tempos do imperador Constantino, que governou de 324 d.C. a 337 d.C.. É possível que o documento ainda tivesse sofrido outra correção no século V, já que a cidade de Ravena tem destaque, pois foi capital da parte ocidental do império nessa mesma época. As três cidades mais importantes do Império Romano, Roma, Constantinopla e Antióquia são representadas com ícones imperiais que identificam a reverência dada às mesmas. 
Por outro lado, no decorrer da Idade Média a Tábua Peutinger sofreu outras intervenções, como a localização de referências bíblicas descontextualizadas em relação à Roma Antiga, como o monte Sinai e uma inscrição com o nome de Moisés. As mesmas foram acrescentadas na parte do mapa que localiza o possível caminho do Êxodo pelos hebreus, através da península do Sinai. 


Além das províncias e territórios imperiais, a Tábua revela áreas do Oriente Médio, da Mesopotâmia (na imagem acima, a região que hoje corresponde ao Iraque atual, aparecendo com o próprio nome de Mesopotâmia), da Índia (inclusive a ilha do Ceilão ou atual Sri Lanka) e alcança as bordas da China.
No ano de 2007 a Tábua Peutinger foi colocada no registro da Memória do Mundo da Unesco e devido a esse fato, foi exibida ao público apenas por um único dia, em função da absoluta fragilidade desse incomparável documento cartográfico referente à Antiguidade Clássica.


Mas, temos uma boa notícia para o nosso caro leitor. É possível "navegar" pela Tábua Peutinger na Wikipédia (versão em inglês) e ver em todos os detalhes esse rico material que nos leva de volta ao passado de dois mil anos atrás (na imagem acima, temos o delta do rio Nilo no Egito e à esquerda o farol de Alexandria). Trata-se também de um excelente recurso para os professores de história e geografia usarem em sala de aula!
Para ver:
https://en.wikipedia.org/wiki/Tabula_Peutingeriana
Crédito das imagens:
Retrato de Konrad Peutinger:
http://www.livius.org/pictures/a/other-pictures/konrad-peutinger/
Foto da Via Ápia: Roma Imperial. Biblioteca de História Universal Life. Livraria José Olympio, 1969, pag. 17. 
Cabeça do imperador Augusto: Roma Imperial en el Museo Nacional de Belas Artes. Buenos Aires (Argentina), 1999, pag. 36.
Busto de Agrippa: Wikipédia
Reconstituição contemporânea do rolo do pergaminho:
https://imgur.com/gallery/ZK2Yu
Reconstituição do mapa-múndi de Agripa:file:///E:/Tabula%20Peutingeriana%20mapa%20de%20Agripa%20texto.html
Demais imagens: editadas pelo autor a partir da própria Tábua Peutinger exibida na Wikipédia

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A Dança dos Mapas

Atenção professores de história e geografia. Saiu hoje no UOL uma reprodução de como seriam os mapas do Brasil nos anos de 1709, 1822, 1889, 1920, 1943, 1960, 1977, 1988 e 2011. Mostram os territórios antes de se tornarem Estados e os Estados que foram divididos. Trata-se de um material importante para uma abordagem interdisciplinar História e Geografia.
O link é:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/infografico/2011/12/02/conheca-as-principais-mudancas-que-deram-origem-aos-estados-brasileiros.jhtm
É isso aí...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Pesquisadores

Mais duas dicas para aqueles que fazem trabalho de pesquisa em História do Brasil: a Biblioteca Digital do Senado Federal e a Biblioteca Virtual do Amazonas. A primeira, como o próprio nome indica, é uma parte do acervo dos livros do Senado que estão disponíveis na internet e constituido por mais de 200 mil documentos, artigos, livros e obras raras.
Já a Biblioteca do Amazonas é voltada para o estudo daquela região e constituida de fotos, mapas, revistas, livros e ainda links que remetem a outras bibliotecas do Brasil. Conta com parte do acervo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Importante para aqueles que estudam História Regional.
Os links são:

Biblioteca Digital do Senado Federal:
http://www2.senado.gov.br/bdsf/item/id/82005

Biblioteca Virtual do Amazonas:
http://www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/acervo/digitalizado/index.php?Letra=A

As duas bibliotecas estarão em nossos links interessantes. É isso aí...

segunda-feira, 11 de março de 2013

Coleção Brasiliana da USP





Mais uma importante fonte de pesquisas para os historiadores e profissionais das ciências humanas em geral.  Trata-se do acervo digitalizado da coleção Brasiliana da USP (Universidade de São Paulo). O mesmo é formado por um arquivo documental, bibliográfico e cartográfico que está disponível para todos, via internet e que contempla um material importantíssimo para o estudo da história do Brasil.
O projeto da BRASILIANA USP foi lançado no ano de 2009 com a finalidade de oferecer acesso público e gratuito a todo esse material, que inclui também manuscritos e gravuras. A iniciativa contou com o apoio do Ministério da Cultura, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da Petróleo Brasileiro S.A. (PETROBRÁS). 
O trabalho de digitalização ficou a cargo da Brasiliana USP Laboratório, que se tornou referência no país no que diz respeito à tecnologia na área de digitalização e de transferência de inovação para várias instituições públicas brasileiras.
Uma das obras disponíveis para consulta é a "Viaje del capitán Pedro Teixeira, aguas arriba del rio de las Amazonas: 1638-1639", publicada em Madri em 1889, cujo mapa está reproduzido na imagem acima. Trata-se do relato de explorador português Pedro Teixeira, que partiu de Cametá, no Pará e alcançou a cidade de Quito, no Equador, em 1639. 



Além de obras raras de viajantes e exploradores, a coleção conta com um precioso acervo de mapas e gravuras, como a reproduzida acima, que faz parte da obra "Santarem, dans la province du Para", de Auguste François Biard e publicada em Paris, no ano de 1862. Uma curiosidade, trata-se de uma imagem da cidade paraense poucos anos antes de receber refugiados da Guerra Civil Norte-Americana. Muitos confederados, inclusive comandantes militares, escolheram a cidade para estabelecer as famílias, que abandonaram o sul dos Estados Unidos após o conflito, que, como sabemos, terminou com a vitória do norte liderado pelo presidente Abraham Lincoln (um bom assunto para uma futura postagem). 
O acesso ao acervo da Coleção Brasiliana da USP é:
www.brasiliana.usp.br
Claro, ele estará disponível em nossos links interessantes na  coluna da direita do blog. 

sábado, 30 de setembro de 2017

Biblioteca Digital Unesp



Caro leitor, o blog História Mundi mantém o seu compromisso de ser uma ferramenta de estudo e pesquisa, não apenas para estudantes e professores, mas também voltado ao público em geral. O saber e o conhecimento devem ser cultivados no cotidiano, no dia a dia e de forma permanente. Na verdade, se constituem em instrumentos para lidarmos com a nossa própria vida e para que tenhamos meios de enfrentar as adversidades da mesma. 
Pois bem, nesse sentido colocamos hoje à disposição dos interessados mais uma dessas ferramentas: a Biblioteca Digital Unesp. Trata-se de uma grande iniciativa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para os estudiosos e pesquisadores. A seleção pode ser feita por meio das "comunidades": Hemeroteca (revistas, jornais), História de São Paulo (que inclui uma coleção formada por 95 volumes de manuscritos dos séculos XVIII e XIX, transcritos e impressos pelo Arquivo do Estado de São Paulo, a partir de 1894), Livros (como um dos volumes de "O Capital" de Karl Marx, em alemão, na imagem acima), Mapas (sobretudo da região litorânea de São Paulo e relacionados à aspectos da poluição) e Música (partituras). Também existem as "subcomunidades". Por exemplo, quem pesquisar em Hemeroteca terá as subcomunidades Canto Libertário (jornais, revistas, boletins e publicações produzidos por correntes do pensamento libertário nacional e internacional, como socialistas, comunistas e anarquistas), Instrumentos para pesquisa sobre impressos periódicos, Jornais em Língua Estrangeira, Periódicos Paulistas e as Publicações da própria Unesp. 


Entre as raridades do acervo estão várias edições da revista "A Cigarra", dirigida ao público feminino e que durou décadas. Como o exemplar que aparece na imagem acima, do dia 28 de setembro de 1917, portanto há exatamente um século e que traz na capa a figura do lendário tenor italiano Enrico Caruso, que excursionava pelo Brasil naquela época. 


Outro exemplar da mesma revista aparece na imagem acima, de 15 de abril de 1922, que tem como capa a atriz norte-americana Gloria Swanson. Sim, aquela que praticamente interpretou a si mesma no clássico do diretor Billy Wilder, "O Crepúsculo dos Deuses" (1950), no papel de uma atriz decadente do cinema mudo. 
Tudo isso você pode folhear e ler em seu próprio computador, celular ou tablet, sem precisar sair de casa. Como sempre fazemos, o endereço da Biblioteca Digital Unesp fará parte dos nossos Links Interessantes. 
O link da Biblioteca Digital Unesp:
https://bibdig.biblioteca.unesp.br/

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos



Houve época em que o pesquisador das áreas de História, Sociologia, Antropologia, Economia e demais disciplinas, tinha a necessidade de se deslocar a uma biblioteca, arquivo público ou aos acervos de jornais e revistas, para realizar um trabalho que demandava tempo e paciência. Bem, em parte, esse trabalho talvez ainda seja necessário, dependendo do tema ou objeto de estudo do pesquisador. Mas, não há dúvida que as novas mídias digitais facilitaram em muito o serviço. Por exemplo, centenas de livros já se encontram digitalizados e disponíveis na internet. Muitos arquivos já trabalham on line com vários documentos, que podem ser acessados a partir de um simples click no teclado do computador. Mais recentemente, muitos jornais e revistas, sobretudo aqui no Brasil, já disponibilizaram o seu acervo completo na internet, embora em alguns casos, o serviço não seja gratuito. As grandes bibliotecas e acervos fornecem o material a ser pesquisado via e-mail, bastando ao interessado fazer a solicitação. Este que vos escreve já pode desfrutar desse ultimo serviço, inclusive com bibliotecas situadas no exterior. 
Por outro lado, a abrangência temática das disciplinas, entre as quais se inclui a História, necessita de um leque mais amplo de fontes de pesquisa, que vai além da simples fonte documental escrita. As imagens, fotografias (como a do imperador do Brasil, D. Pedro II, de aproximadamente 1870, vista acima), filmes e gravações sonoras também se constituem em material precioso para o pesquisador, sobretudo a partir do advento da Nova História, que trabalha com os aspectos da cultura material, da história das mentalidades e do cotidiano das sociedades. Dessa forma, quanto maior a disponibilidade dessas fontes, melhor para o historiador. 


Este é o caso, por exemplo, do imenso acervo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Por meio da mesma, podemos recorrer a um gigantesco material digitalizado, com obras raras, antes praticamente inacessíveis. A partir da digitação do assunto a ser pesquisado, o navegador poderá encontrar livros, documentos, artigos de jornais, revistas, fotos, mapas, imagens, filmes e gravações sobre o tema. Um belo acervo de fotos está disponibilizado, embora nem todas possam ser salvas. Uma delas é a foto acima, de 1913, que mostra Franklin D. Roosevelt, antes de se tornar presidente dos Estados Unidos, em uma rara foto andando. Como se sabe, o futuro presidente adquiriu paralisia infantil (poliomielite), depois de adulto. 
A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos ou The Library of Congress possibilita também o acesso a links de outras instituições, que disponibilizam o material desejado, nos mais variados formatos, facilitando o manuseio por parte do pesquisador. 



Muitos imaginam que, por ser uma instituição do governo norte-americano, não exista material a respeito do Brasil ou da América Latina. Engano! Existem dezenas de obras referentes ao Brasil escritas por viajantes europeus e norte-americanos, muitos dos quais percorreram o país do Sul até a Amazônia e deixaram as suas impressões em livros que descrevem os mais variados roteiros. Entre esses viajantes, cujas obras podem ser consultadas, destacamos Alfred Russel Wallace, Louis Agassiz, Paul Marcoy, Henry Walter Bates, Matthew Fontaine Maury, entre outros, que percorreram a Amazônia a partir de 1830. Interessante para observarmos a visão que os naturalistas europeus e americanos tinham da região. Alfred R. Wallace foi amigo de Charles Darwin e defensor da teoria evolucionista. 
Muitas dessas obras não estão disponibilizadas em bibliotecas brasileiras. Um material imenso em inglês, francês, espanhol e alemão, referentes ao Brasil, está também disponível para os estudiosos interessados.
Fotos raras do Brasil podem ser vistas, como por exemplo, a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no início da década de 1940 (acima). 


Como vocês devem  estar percebendo, uma pequena parte deste acervo de fotos está publicada nesta postagem. Na fotografia acima, de 1890, um grupo de índios caçadores de cabeças (pelo menos é o que a Biblioteca do Congresso informa) do Alto Amazonas, foi registrado.


Nesta outra imagem acima, a praia do Botafogo e a entrada da baia de Guanabara, são observadas em uma foto tirada do alto do morro do Corcovado, ainda sem o Cristo Redentor, em 1909. 
Portanto, como sempre fazemos, deixamos aqui o link para que os interessados possam navegar e aproveitar mais esse recurso virtual:
http://www.loc.gov/







sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pesquisa: Arquivo Público do Estado de São Paulo

Acredito que um dia poderemos ter livre acesso aos arquivos públicos e a todos os  acervos de documentos, sem sairmos de casa. Enquanto esse dia não chega nos limitamos a pelo menos navegar nos sites dos mesmos arquivos e aproveitarmos os serviços que já estão disponibilizados on-line. É o caso do Arquivo Público do Estado de São Paulo. São mais de quatrocentos anos de material disponível em seu acervo completo e referentes ao governo paulista, mas que dizem respeito também ao nosso país. Esse acervo pode ser dividido nos seguintes ítens:
- Agricultura e Imigração (1812-1948);
- Maços de População (1765-1850);
- Registro de Terras, Sesmarias e Tombamentos de Bens Rústicos (1602-1856);
- Inventários e Testamentos (1578-1801);
- Ofícios Diversos (1603-1913);
- Documentos do antigo Departamento de Ordem Política e Social, o conhecido DEOPS (1924-1983).
Além desses documentos provenientes dos organismos governamentais, existem também os documentos privados, que são frutos de doações, principalmente de famílias. 
Os pesquisadores também podem ter acesso ao acervo iconográfico e cartográfico com mais de 1,5 milhão de cópias fotográficas, positivos, negativos, mapas, ilustrações e caricaturas. Importantes jornais também podem ser consultados, como os periódicos Última Hora, Aqui São Paulo, Movimento entre outros. São mais de 200 títulos de jornais do século XIX aos dias atuais, além de 1.200 títulos e 32 mil exemplares de revistas.
Contudo, a grande maioria desses documentos devem ser consultados no próprio arquivo e o historiador ou pesquisador não pode abrir mão de sua presença física no mesmo e "colocar a mão na massa" como se diz por aí. No entanto, uma parte desse gigantesco acervo está digitalizada e acessível via internet. Esse núcleo compõe o chamado Acervo Digitalizado do Arquivo. Esse setor está composto pelos Anuários Estatísticos, as Cartas da Revolução de 1924 em São Paulo (Revolta Tenentista), Coleções de Fotos, Filmes (ainda são poucos que estão disponibilizados on-line), História da Educação, alguns jornais do início do século XX, Revistas e os Relatórios SACOP (Secretária da Agricultura, Comércio e Obras Públicas criada em 1891) que dizem respeito à colonização e à imigração nos tempos do café em São Paulo.
No que se refere ao material fotográfico, já estão disponibilizados alguns álbuns: o da Repartição de Águas e Esgotos da Cidade de São Paulo de 1893; Álbum da Escola Normal e Anexos de 1908 e o Álbum Vistas de São Paulo, o mais completo e interessante dos três.


Nessas coleções de fotos podemos ter uma visão geral do crescimento da maior metrópole brasileira por meio do contraste entre os edifícios estilo arranha-céu e os antigos casarões que foram derrubados para dar lugar aos mesmos (como na foto acima da avenida Nove de Julho, no início da década de 1950).


 O Álbum sobre a Escola Normal diz respeito ao antigo colégio "Caetano de Campos" (na foto acima de 1908, na sala de aula, como as alunas eram comportadinhas...) no centro velho da cidade de São Paulo e que hoje abriga a Secretaria de Educação do Estado.


Trata-se de um precioso material de fotos que qualquer pessoa pode ver em seu computador e que acaba se constituindo em uma verdadeira narrativa "visual" da grande cidade e mostrando que em muitos aspectos São Paulo já teve dias melhores em termos de beleza paisagística. O centro da cidade tinha praças que mais pareciam parques, como a praça da República (foto acima), aliás onde ficava o antigo colégio público citado.
Por último, lembramos também da mais recente aquisição do Arquivo Público: o acervo completo do jornal "Última Hora". Este periódico pertenceu ao jornalista Samuel Wainer, muito ligado ao presidente Getúlio Vargas. Aproximadamente 36 mil páginas já foram digitalizadas e que correspondem a 60 meses do jornal, com foco na edição carioca. Nesses exemplares, que já estão disponíveis on-line, podem ser vistas a morte de Getúlio Vargas, a Revolução Cubana, a chegada do homem à Lua, a inauguração de Brasília e o golpe militar de 1964, entre outros fatos marcantes. Mais de 300 mil fotos, 600 negativos e 2.223 ilustrações compõe o acervo completo.


Além das fotos, desenhos e caricaturas podem ser acessadas (como a do ex-presidente Jânio Quadros, de autoria desconhecida, na imagem acima). O projeto de digitalização teve a sua primeira etapa cumprida e entregue em 2008 para celebrar o bicentenário da imprensa brasileira.
Fica aqui a indicação para todos os interessados e claro, vai constar da coluna do lado direito do blog, dentro dos links interessantes: