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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Anúncio Antigo 12: Seios Perfeitos


Que silicone, que nada!!! Chegou a "Pasta Russa" do doutor Ricabal. Deixa os seios "desenvolvidos, fortificados e aformoseados" em apenas dois meses, como diz o anúncio. Claro, não havia processo contra propaganda enganosa e nem o Código de Defesa do Consumidor. E como encontrar o tal de doutor Ricabal???
Devemos notar que, naquela época, a única parte do corpo feminino que ficava mais visível eram os seios. Nem pensar nas pernas à mostra. Talvez por isso, já existisse uma preocupação maior com essa área do corpo feminino. Ao mesmo tempo, a mulher mais esbelta era valorizada e não a magreza dos tempos atuais. A grande vantagem da pomada que era anunciada: não causava danos à saúde da mulher. Pelo menos isso. Mas produzia algum resultado? De qualquer forma o produto ficou famoso e figurou nos anúncios de jornais e revistas durante muitos anos, naquele distante início de século XX. A preocupação estética já fazia parte da vida das mulheres, pelos menos nos segmentos sociais mais privilegiados.
O anúncio antigo de hoje foi publicado no jornal "O Estado de São Paulo" de 5.7.1918.

Pesquisa: Arquivo Público do Estado de São Paulo

Acredito que um dia poderemos ter livre acesso aos arquivos públicos e a todos os  acervos de documentos, sem sairmos de casa. Enquanto esse dia não chega nos limitamos a pelo menos navegar nos sites dos mesmos arquivos e aproveitarmos os serviços que já estão disponibilizados on-line. É o caso do Arquivo Público do Estado de São Paulo. São mais de quatrocentos anos de material disponível em seu acervo completo e referentes ao governo paulista, mas que dizem respeito também ao nosso país. Esse acervo pode ser dividido nos seguintes ítens:
- Agricultura e Imigração (1812-1948);
- Maços de População (1765-1850);
- Registro de Terras, Sesmarias e Tombamentos de Bens Rústicos (1602-1856);
- Inventários e Testamentos (1578-1801);
- Ofícios Diversos (1603-1913);
- Documentos do antigo Departamento de Ordem Política e Social, o conhecido DEOPS (1924-1983).
Além desses documentos provenientes dos organismos governamentais, existem também os documentos privados, que são frutos de doações, principalmente de famílias. 
Os pesquisadores também podem ter acesso ao acervo iconográfico e cartográfico com mais de 1,5 milhão de cópias fotográficas, positivos, negativos, mapas, ilustrações e caricaturas. Importantes jornais também podem ser consultados, como os periódicos Última Hora, Aqui São Paulo, Movimento entre outros. São mais de 200 títulos de jornais do século XIX aos dias atuais, além de 1.200 títulos e 32 mil exemplares de revistas.
Contudo, a grande maioria desses documentos devem ser consultados no próprio arquivo e o historiador ou pesquisador não pode abrir mão de sua presença física no mesmo e "colocar a mão na massa" como se diz por aí. No entanto, uma parte desse gigantesco acervo está digitalizada e acessível via internet. Esse núcleo compõe o chamado Acervo Digitalizado do Arquivo. Esse setor está composto pelos Anuários Estatísticos, as Cartas da Revolução de 1924 em São Paulo (Revolta Tenentista), Coleções de Fotos, Filmes (ainda são poucos que estão disponibilizados on-line), História da Educação, alguns jornais do início do século XX, Revistas e os Relatórios SACOP (Secretária da Agricultura, Comércio e Obras Públicas criada em 1891) que dizem respeito à colonização e à imigração nos tempos do café em São Paulo.
No que se refere ao material fotográfico, já estão disponibilizados alguns álbuns: o da Repartição de Águas e Esgotos da Cidade de São Paulo de 1893; Álbum da Escola Normal e Anexos de 1908 e o Álbum Vistas de São Paulo, o mais completo e interessante dos três.


Nessas coleções de fotos podemos ter uma visão geral do crescimento da maior metrópole brasileira por meio do contraste entre os edifícios estilo arranha-céu e os antigos casarões que foram derrubados para dar lugar aos mesmos (como na foto acima da avenida Nove de Julho, no início da década de 1950).


 O Álbum sobre a Escola Normal diz respeito ao antigo colégio "Caetano de Campos" (na foto acima de 1908, na sala de aula, como as alunas eram comportadinhas...) no centro velho da cidade de São Paulo e que hoje abriga a Secretaria de Educação do Estado.


Trata-se de um precioso material de fotos que qualquer pessoa pode ver em seu computador e que acaba se constituindo em uma verdadeira narrativa "visual" da grande cidade e mostrando que em muitos aspectos São Paulo já teve dias melhores em termos de beleza paisagística. O centro da cidade tinha praças que mais pareciam parques, como a praça da República (foto acima), aliás onde ficava o antigo colégio público citado.
Por último, lembramos também da mais recente aquisição do Arquivo Público: o acervo completo do jornal "Última Hora". Este periódico pertenceu ao jornalista Samuel Wainer, muito ligado ao presidente Getúlio Vargas. Aproximadamente 36 mil páginas já foram digitalizadas e que correspondem a 60 meses do jornal, com foco na edição carioca. Nesses exemplares, que já estão disponíveis on-line, podem ser vistas a morte de Getúlio Vargas, a Revolução Cubana, a chegada do homem à Lua, a inauguração de Brasília e o golpe militar de 1964, entre outros fatos marcantes. Mais de 300 mil fotos, 600 negativos e 2.223 ilustrações compõe o acervo completo.


Além das fotos, desenhos e caricaturas podem ser acessadas (como a do ex-presidente Jânio Quadros, de autoria desconhecida, na imagem acima). O projeto de digitalização teve a sua primeira etapa cumprida e entregue em 2008 para celebrar o bicentenário da imprensa brasileira.
Fica aqui a indicação para todos os interessados e claro, vai constar da coluna do lado direito do blog, dentro dos links interessantes:

domingo, 22 de abril de 2012

Anúncio Antigo Errado



O anúncio de hoje é um erro que deve ter causado constrangimento na empresa onde o engenheiro trabalhava. Muitos poderiam imaginar que o mesmo não fosse muito querido pelos demais colegas. Mas, ao que parece não foi isso e sim um erro gráfico. Provavelmente uma confusão entre "pesar" e "prazer". De qualquer forma, o caso ficou famoso e é até hoje muito lembrado nas empresas jornalísticas. Se existe algo que parece não mudar muito com o tempo são os anúncios fúnebres, exceto, é claro, quando se trata de alguém conhecido do grande público.
Este anúncio "errado" foi publicado no jornal "O Estado de São Paulo" de 01.01.1981.

sábado, 21 de abril de 2012

Imagens Históricas 6: Gamal Abdel Nasser


Os estudantes de História lembram do Egito dos tempos dos faraós e das famosas pirâmides. Poucas vezes, em sala de aula, temos a oportunidade de discutir o Egito moderno, principalmente a partir do século XIX. Do ponto de vista cultural e civilizatório, o Egito dos tempos atuais não guarda mais semelhanças com o antigo. Atualmente é um país de língua árabe, religião muçulmana e embora localizado no Nordeste da África, situa-se em termos geopolíticos no contexto do Oriente Médio e de seus graves problemas. Pode-se dizer que a inserção do Egito nesse novo plano teve início em 1869 com a abertura do canal de Suez (no istmo do Sinai, à leste do território egípcio), de importância vital para a economia dos países ocidentais que estavam se industrializando. Estes passaram a ter acesso mais rápido ao Oceano Índico e ao Oriente com os seus importantes mercados para os produtos europeus. Eram os tempos da expansão imperialista das potências ocidentais, liderados por Inglaterra e França. Em 1882, a Inglaterra iniciou uma ocupação militar (principalmente na zona do canal de Suez que os ingleses passaram a controlar) que perdurou por mais de meio século, embora em termos formais o Egito tivesse um governo próprio. Os egípcios eram discriminados e tratados como cidadãos de segunda classe em seu próprio território.
Uma característica permaneceu dos tempos do  Egito dos faraós, a economia agrícola no vale fértil do rio Nilo, sustentada por um campesinato extremamente pobre e em bases semi-feudais.
Em 22.07.1952, um golpe militar, articulado pelo grupo dos "Oficiais Livres", derrubou a monarquia corrupta do rei Faruk e implantou um governo nacionalista, liderado inicialmente pelo general Mohammed Naguib e pelo coronel Gamal Abdel Nasser. Este último não pretendia apenas a derrubada do governo impopular que estava no poder, mas também um programa de reformas sociais, como o da redistribuição das terras aos felás (camponeses) e a modernização econômica do país. Inicialmente, Naguib tornou-se primeiro-ministro, mas as divergências com Nasser acabaram levando ao seu afastamento do cargo em 1954 e depois à sua prisão. Nasser assumiu o comando do Estado, implantou a reforma agrária, construiu a famosa represa de Assuã no rio Nilo para ampliar as terras irrigadas e iniciou uma tentativa de união dos países árabes: o pan-arabismo. Sob sua liderança, o Egito foi um dos participantes da Conferência de Bandung (1955) que deu origem ao bloco dos não-alinhados nos tempos da Guerra Fria (conflito entre os Estados Unidos e a União Soviética).
Contudo, a grande realização de Nasser e que o tornou o grande líder do mundo árabe foi a nacionalização do canal de Suez em 1956, enfrentando as velhas potências imperialistas, Inglaterra e França, que pressionadas pelas novas, E.U.A. e União Soviética, tiveram de recuar diante das pretensões de Nasser.
Por outro lado, Israel via no pan-arabismo uma ameaça à sobrevivência do novo Estado judeu em função dos litígios deste com o povo palestino (de origem árabe) e a crescente influência de Nasser na região. Por sua vez, os palestinos, sob domínio de Israel, viam no Egito e na Síria um apoio à sua luta de libertação e de criação de um Estado nacional (problema que perdura até hoje). A Guerra dos Seis Dias em 1967 representou uma grande derrota para Nasser diante de Israel, mais bem armado e equipado e com um território ainda maior (Israel ocupou nessa mesma guerra a península do Sinai, a faixa de Gaza, a Cisjordânia e as colinas de Golã da Síria).
Na foto acima, publicada no jornal "Última Hora" de 06.09.1954, vemos o general Naguib (à esquerda) e o coronel Nasser (à direita) com o beijo de uma aliança política que já estava no fim. Nesse mesmo ano, Naguib foi afastado.
Nasser morreu em 1970. O seu período marcou o início da presença dos militares no governo egípcio por meio de seus sucessores e que perdura até os dias de hoje, apesar da queda de Osni Mubarak, último herdeiro do nasserismo, no início da "primavera árabe" em 2011.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Anúncio Antigo 11: Rainha do Lar


O dia das mães está chegando!!! Portanto está mais do que na hora de pensarmos em um bom presente para este dia dedicado à "rainha do lar". Que tal um jogo de panelas? Era esse o tipo de presente imaginado para as mães e esposas no ano de 1954, quando o anúncio acima foi publicado. Por meio das propagandas podemos fazer uma análise sociológica de uma determinada época e dos valores sociais que eram vigentes. O papel que era esperado para as mulheres era o de cuidar do lar, do marido e dos filhos. A inserção da mulher no mercado de trabalho, sobretudo para as mulheres de classe média, ainda engatinhava. Com relação às mulheres de baixa renda, a grande maioria na época, eram reservadas profissões como operárias, empregadas domésticas e na melhor hipótese, em escritórios como secretárias. Para aquelas que conseguiam uma boa formação, era aceita a carreira no magistério, as famosas normalistas. As demais atividades eram dominadas pelos homens.
Imaginem dar um presente como esse para uma mulher hoje... Vocês têm idéia da reação? No anúncio acima a mulher demonstra satisfação e o homem um olhar de esperteza. Afinal, ele imagina os pratos que serão preparados por sua fiel e ordeira esposa.
Este anúncio das panelas Rochedo (que existem até hoje) foi publicado na revista "O Cruzeiro" de 18.12.1954.

sábado, 14 de abril de 2012

Anúncio Antigo Especial: Titanic




O ano: 1912. O dia: 14 de abril. Sim meus amigos, há cem anos atrás. Como o tempo passou. O símbolo maior da supremacia naval britânica, o transatlântico de luxo Titanic "deu uma ralada" em um iceberg (bloco de gelo) no Atlântico Norte e afundou. Junto com ele mais de 1.500 passageiros perderam as suas vidas. Até hoje há dúvidas a respeito do número exato de mortos. Contudo, um historiador (ou até mesmo um sociólogo) pode fazer uma analise interessante da tragédia. Na primeira classe (a mais cara) foram embarcados 329 passageiros e o número de sobreviventes foi de 199 ou 60,5% do total. Já na terceira classe (a mais popular) haviam 710 passageiros e o número de sobreviventes foi de apenas 174 ou 24,5% do total. Na primeira classe o número de mortos foi de 130 e na terceira foi de 685. Essas informações podem ser encontradas na Wikipédia. Nesse aspecto o avião é um meio de transporte mais democrático em termos de acidentes. Na queda de um geralmente morrem todos, sem que haja discriminação de classe social.
E se o dono do navio estivesse a bordo? Pois bem, ele estava e se salvou (foi um dos 199 da primeira classe que sobreviveram). Chamava-se J. Bruce Ismay e era o presidente da White Star, companhia de navegação responsável pela construção da embarcação. A opinião pública da época não o perdoou por ter abandonado o seu próprio barco, enquanto o capitão se manteve até o fim comandando a retirada dos passageiros. Vocês entendem agora  a origem e o sentido da expressão "abandonar o barco" usada até hoje quando um indivíduo quer se retirar de uma situação ruim? Um outro detalhe, o navio tinha dezesseis botes salva-vidas com capacidade para 1.178 pessoas, insuficiente para todos os 2.200 passageiros.
Pois bem, mas vamos ao nosso "Anúncio Antigo" de hoje. Trata-se de um dos vários filmes que trataram do assunto e que garantiram que a tragédia não caisse no esquecimento. O filme da 20th. Century Fox produzido em 1953, chamado "Titanic", teve o seu título em português alterado para "Náufragos do Titanic" e a trama (fictícia) girava em torno de um casal aristocrático em plena crise conjugal (na foto abaixo os atores Clifton Webb e Barbara Stanwick numa cena do filme) e que tenta "discutir a relação" dentro do próprio transatlântico na noite do desastre. Na verdade, para esse casal foram dois desastres: o casamento falido e o naúfragio. Diante da tragédia, a crise matrimonial ficou em segundo plano.


Foi a versão mais famosa feita para o cinema da grande tragédia do transporte naval, até 1997, quando o diretor-produtor James Cameron (de Avatar) lançou a sua imbatível versão, que arrebatou 11 Oscars (recorde de prêmios ao lado do bíblico Ben-Hur). E ainda revelou a boa dupla de atores: Leonardo DiCaprio e Kate Winslet.
A versão de 1953 tinha no elenco o ator norte-americano Richard Basehart, que teve a sua carreira artística completamente vinculada a assuntos do mar. Além dessa versão de Titanic, ele ainda atuou no filme "Mobi Dick" de 1956 (sim, a história do caçador de baleias capitão Ahab do romance de Herman Melville) e ainda na famosa série de tv "Viagem ao Fundo do Mar" da década de 1960, onde interpretava o almirante Nelson. Era um predestinado.
Foi pelo cinema que tomei contato com a história do Titanic desde pequeno. Assisti a   versão de 1953 e uma outra produção inglesa "A Night to Remember" (1958), que no Brasil teve o título de "Só Deus por Testemunha". Lembro-me ainda do primeiro episódio do seriado "O Túnel do Tempo" de 1967 onde dois cientistas que faziam viagens pelo tempo foram parar, advinhem onde: no deck do Titanic. Inutilmente, com um jornal que trouxeram do "futuro", tentavam convencer o comandante da inevitável tragédia. Infelizmente o passado não pode ser mudado, nem para os viajantes do tempo... 
O anúncio de hoje foi publicado no jornal "O Estado de São Paulo" de 21.07.1954. Um detalhe também curioso, dos cinemas que exibiam a película naquele ano apenas um sobreviveu: o cine Marabá na avenida Ipiranga no centro de São Paulo.