Caro leitor do blog História Mundi, estamos aqui para lembrar que continua nas bancas e livrarias a edição de março da revista Leituras da História, com duas matérias assinadas por nós, "Peripécias Brasileiras" sobre os artistas brasileiros que estiveram em contato com o cantor Elvis Presley e "Visão do Futuro?" a respeito do filme de ficção científica "No Mundo de 2020", um dos primeiros a tratar da possibilidade de uma catástrofe ambiental. Além desses dois temas, a revista proporciona artigos relacionados ao conhecimento histórico com referências à atualidade, proporcionando boas informações ao público em geral, como também aos estudantes dos Ensinos Fundamental, Médio e Pré-Vestibular. Não deixem de ler...
O História Mundi é um blog voltado para a divulgação de temas e assuntos relacionados ao conhecimento histórico atuando também como um facilitador da leitura e da pesquisa dentro das ciências humanas.
Pesquisar este blog
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
Anúncio Antigo 52: calças U.S. Top
As calças U.S. Top surgiram na década de 1970 para competir com as similares importadas, sobretudo as norte-americanas Levi's e Lee. A vestimenta teve a sua origem na conquista do oeste norte-americano a partir da descoberta do ouro naquela região, na segunda metade do século XIX, sendo muito usada por garimpeiros e mineradores. A partir dos anos de 1960 tornou-se a roupa dos jovens nos países ocidentais e claro, tal influência desembarcou aqui no Brasil. Muito associado ao rock'n roll, embora os primeiros roqueiros não utilizassem tanto as calças e jaquetas jeans (Elvis Presley não gostava dessa vestimenta, por exemplo), acabou sendo agregado pra valer a esse ritmo musical no Festival de Woodstock (1969). No imaginário da época, o jeans estava vinculado à ideia de liberdade, ao amor, ao pacifismo e ao movimento estudantil, sobretudo no turbulento ano de 1968 com as grandes manifestações em Paris, nos Estados Unidos e também aqui no Brasil. Neste ultimo a preferência pelos jeans ganhou mais destaque na década de 1970, exatamente quando a fabricante Alpargatas resolveu entrar nesse mercado.
A Alpargatas ou Fábrica Brasileira de Alpargatas e Calçados foi fundada em 1907 pelo escocês Robert Fraser em associação com outra fábrica inglesa, iniciando a sua produção no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo. Em 1909, com o nome de São Paulo Alpargatas Company S.A. a empresa obteve sucesso na venda de seus produtos, principalmente na utilização de sandálias e lonas para o setor cafeeiro. Entre 1930 e 1948, a empresa ficou sob o controle da filial argentina e posteriormente acabou sendo nacionalizada, passando para o comando da Camargo Correa em 1982. E vejam só, acabou tornando-se na década de 1990, controladora da Alpargatas Argentina! Nesses anos, a empresa se firmou como uma das maiores fabricantes do ramo calçadista do Brasil.
Mais recentemente, em 2015, o Grupo Camargo Correa vendeu ao conglomerado J&F Investimentos (a conhecida JBS) a sua participação na Alpargatas. Para fechar o assunto grandes transações, em 2017 as empresas Cambuhy Investimentos e Brasil Warrant, pertencentes à família Moreira Salles, juntamente com a holding Itaúsa (nem preciso dizer a qual banco pertence) adquiriram a Alpargatas. Juntas, as mesmas controlam atualmente 54,24% do capital total da empresa.
Bem, voltando ao anúncio (na foto acima, modelo de calça U.S. Top do início da década de 1980), o material publicitário que mostramos completava o comercial veiculado na televisão, o qual teve um jingle (mensagem musical publicitária) que ficou famoso e motivo de nostalgia para muitos daqueles que viveram essa época, no distante ano de 1976. O mesmo foi composto por Sergio Mineiro e Beto Ruschel, exatamente como aparece abaixo:
A Alpargatas ou Fábrica Brasileira de Alpargatas e Calçados foi fundada em 1907 pelo escocês Robert Fraser em associação com outra fábrica inglesa, iniciando a sua produção no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo. Em 1909, com o nome de São Paulo Alpargatas Company S.A. a empresa obteve sucesso na venda de seus produtos, principalmente na utilização de sandálias e lonas para o setor cafeeiro. Entre 1930 e 1948, a empresa ficou sob o controle da filial argentina e posteriormente acabou sendo nacionalizada, passando para o comando da Camargo Correa em 1982. E vejam só, acabou tornando-se na década de 1990, controladora da Alpargatas Argentina! Nesses anos, a empresa se firmou como uma das maiores fabricantes do ramo calçadista do Brasil.
Mais recentemente, em 2015, o Grupo Camargo Correa vendeu ao conglomerado J&F Investimentos (a conhecida JBS) a sua participação na Alpargatas. Para fechar o assunto grandes transações, em 2017 as empresas Cambuhy Investimentos e Brasil Warrant, pertencentes à família Moreira Salles, juntamente com a holding Itaúsa (nem preciso dizer a qual banco pertence) adquiriram a Alpargatas. Juntas, as mesmas controlam atualmente 54,24% do capital total da empresa.
Bem, voltando ao anúncio (na foto acima, modelo de calça U.S. Top do início da década de 1980), o material publicitário que mostramos completava o comercial veiculado na televisão, o qual teve um jingle (mensagem musical publicitária) que ficou famoso e motivo de nostalgia para muitos daqueles que viveram essa época, no distante ano de 1976. O mesmo foi composto por Sergio Mineiro e Beto Ruschel, exatamente como aparece abaixo:
Liberdade é uma calça velha
Azul e desbotada
Que você pode usar
Do jeito que quiser
Não usa quem não quer
US Top
Desbota e perde o vinco
Denim Indigo Blue
US Top
Seu jeito de viver
Não usa quem não quer
US Top
Desbota e perde o vinco
Para os que estão com muitas saudades mesmo, o comercial da televisão pode ser visto no link abaixo:
https://youtu.be/B5WHh1J5A00
O Anúncio Antigo de hoje acompanhado da partitura do jingle já citado, foi publicado na contracapa da revista Rock Espetacular volume 1, editada em 1976 pela Rio Gráfica e Editora.
Crédito das imagens:
Foto da calça U.S. Top da década de 1980:
https://www.pinterest.co.uk/pin/557390891351800186/
Crédito das imagens:
Foto da calça U.S. Top da década de 1980:
https://www.pinterest.co.uk/pin/557390891351800186/
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
Imagens Históricas 33: Johnny Weissmuller, o Tarzan
Na imagem acima o ator Johnny Weismuller, o mais famoso Tarzan de Hollywood, prepara-se para um mergulho em uma exibição em piscina olímpica, no ano de 1950. Nessa época ele já estava aposentado do conhecido personagem, mas ainda era lembrado como um grande campeão da natação. Johnny (Johann) Weissmuller nasceu na Romênia em 1904, de uma família de origem alemã, como indica o seu sobrenome. Na época, o território romeno era parte do Império Austro-Húngaro, o qual desapareceu nos tratados assinados após a Primeira Guerra Mundial. Mas, bem antes disso, quando Johnny contava com apenas sete meses de vida a sua família emigrou para os Estados Unidos, país onde o menino acabou adquirindo a sua cidadania.
O gosto pela natação teria começado aos nove anos, quando para se curar da poliomielite o médico lhe recomendou algumas braçadas na piscina e daí em diante não parou mais. Weissmuller tornou-se um atleta e participou dos Jogos Olímpicos de Paris em 1924 (foto acima) e das Olimpíadas de Amsterdam em 1928, tendo conquistado um total de cinco medalhas de ouro, um número recorde para a época. Além disso, ainda obteve um bronze no pólo aquático. No total, Weissmuller estabeleceu 67 recordes mundiais e conquistou 52 campeonatos nacionais, tornando-se um dos maiores nadadores de todos os tempos!
Após deixar o esporte olímpico, Johnny Weissmuller (na foto acima, em 1940) trabalhou como garoto propaganda de trajes esportivos e modelo, até ser contatado por Hollywood para viver no cinema o personagem criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burrroughs (1875-1950): Tarzan. O mesmo era um inglês de origem aristocrática, que se vê perdido ainda bebê em meio às selvas da África, após a morte de seus pais. Tarzan acabaria sobrevivendo com a ajuda da macaca Kala e se impõe diante de uma natureza que lhe é hostil. Uma típica história dos tempos do imperialismo europeu no continente africano, que reforça a crença na suposta superioridade e inteligência do homem branco.
Após deixar o esporte olímpico, Johnny Weissmuller (na foto acima, em 1940) trabalhou como garoto propaganda de trajes esportivos e modelo, até ser contatado por Hollywood para viver no cinema o personagem criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burrroughs (1875-1950): Tarzan. O mesmo era um inglês de origem aristocrática, que se vê perdido ainda bebê em meio às selvas da África, após a morte de seus pais. Tarzan acabaria sobrevivendo com a ajuda da macaca Kala e se impõe diante de uma natureza que lhe é hostil. Uma típica história dos tempos do imperialismo europeu no continente africano, que reforça a crença na suposta superioridade e inteligência do homem branco.
Bem, o homem macaco já havia tido cinco outros intérpretes, incluindo Elmo Lincoln, o primeiro a viver o personagem, ainda no cinema mudo (foto acima de 1918). O ator Buster Crable, conhecido por incorporar o herói Flash Gordon, também assumiu Tarzan (não de forma oficial), um ano depois de Johnny Weissmuller em 1933.
No conhecido estúdio da Metro Goldwin Mayer (MGM) Johnny Weissmuller fez seis longas como Tarzan entre 1932 e 1942, quando teve o auge de sua popularidade. O primeiro foi "Tarzan, o Homem Macaco" de 1932 (nas imagens acima, um cartaz promocional e uma cena do filme).
Nas primeiras películas feitas para os estúdios MGM, os personagens de Tarzan e sua namorada Jane (interpretada por Maureen O'Sullivan, mãe da atriz Mia Farrow e portanto, ex-sogra do diretor Woody Allen), a inglesa que acabaria por abandonar tudo e viver com a sua grande paixão na África, apareciam em trajes minúsculos e em cenas bem tórridas para os padrões cinematográficos da época. No segundo filme da série, "Tarzan e sua Companheira" de 1934 (na imagem acima, cena do filme com Jane usando pouca roupa e o cartaz promocional da produção) o casal surge em uma cena que mais se assemelha a um balé aquático e com Jane praticamente nua. Isso porque, até esse momento, ainda não estava em vigor o conhecido Código Hays, que impôs normas e disciplinou as produções hollywoodianas, sobretudo no que dizia respeito às referências sexuais. Por exemplo, o personagem Boy (vivido por Johnny Sheffield), que apareceu no filme "O Filho de Tarzan" de 1939 era adotado, uma vez que pareceria estranho ao público da época que Tarzan e Jane tivessem um filho sem serem casados!
A ultima produção da série Tarzan pela MGM foi "Tarzan Contra o Mundo" lançada em 1942. Curiosamente nesse mesmo filme Elmo Lincoln, o já esquecido primeiro Tarzan, faz uma pequena aparição como figurante, que não lhe é atribuída nos créditos finais. Uma fala de Tarzan ao chegar a Nova Iorque (em busca de Boy, que tinha sido levado por um circo) e ver os prédios de Manhattan, ficou famosa: "Esta é uma selva de pedra".
Já um pouco fora de forma, Johnny Weissmuller ainda viveria Tarzan em mais seis filmes do produtor Sol Lesser, o qual adquiriu os direitos do personagem para os estúdios da RKO, do magnata da aviação Howard Hughes (na imagem acima o cartaz de "Tarzan e a Mulher Leopardo" de 1946). Weissmuller encerrou definitivamente a sua fase como homem macaco em 1948, com o filme "Tarzan e as Sereias" filmado em Acapulco, no México, cidade que escolheu para viver já no final de sua vida e onde se encontra enterrado.
A carreira cinematográfica do ex-campeão olímpico ainda encontrou uma sobrevida com o personagem Jim das Selvas em treze filmes e a partir de 1955 como seriado de televisão com um total de 27 episódios (na imagem acima, cartaz do primeiro filme de Jim das Selvas com Weissmuller de 1948). Foi por esse seriado que ele se tornou conhecido do público brasileiro na década de 1960 e dos mais jovens que não chegaram a vê-lo no cinema como Tarzan, como este que vos escreve. Com o fim da série em 1958, Johnny Weissmuller deixou sua carreira de ator e apenas fez aparições esporádicas em produções menores. Ator? Um exagero qualificá-lo como tal, uma vez que era péssimo intérprete, tanto que os roteiristas sempre lhe atribuíram frases monossilábicas, no gênero "Me Tarzan, You Jane".
Um fato curioso a respeito de Weissmuller foi contado por seu filho Johnny Weissmuller Jr. no livro "Tarzan, my father". No final de 1958 o ator encontrava-se em Havana, Cuba, participando de um torneio de golfe (esporte que apreciava muito) quando foi abordado pelos guerrilheiros cubanos em plena revolução que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista e levou Fidel Castro ao poder. Weismuller se encontrava em um campo de golfe e temendo ser preso, disse aos guerrilheiros que era o Tarzan. Sem convencer os mesmos, o ator não teve dúvidas, resolveu soltar o famoso grito que utilizava nos filmes. Em seguida um dos soldados disse para os demais: "Es Tarzan! Es Tarzan de la jungla!" (É o Tarzan! Tarzan das selvas!). Imediatamente, Weissmuller foi escoltado até o hotel e logo depois deixou a ilha caribenha sem ser importunado! Além desse acontecimento, Johnny Weismuller ainda foi lembrado pelos Beatles que o incluíram na capa do famoso álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band de 1967.
Em 1984, aos 79 anos, Johnny Weissmuller faleceu vítima de edema pulmonar, passando a ser lembrado como o mais famoso intérprete de Tarzan da história do cinema. E também como um grande atleta olímpico...
Crédito das imagens:
Foto de Johnny Weissmuller em 1950: 1950s Decades of the 20th Century. Getty Images. Köneman, 2004, pag. 299.
Cartaz do filme "Tarzan Contra o Mundo":
https://hollywoodrevue.wordpress.com/2012/08/04/tarzans-new-york-adventure-1942/
Fotos de Johnny Weissmuller em 1928 e 1940: Wikipédia.
Foto de Elmo Lincoln: Pinterest.
Imagens e cartazes dos filmes "Tarzan, o Homem Macaco", "Tarzan e sua Companheira", "Tarzan e a Mulher Leopardo" e "Jim das Selvas": Diccionario Del Cine de Aventuras de Javier Coma. Barcelona, Plaza & Janés Editores, 1994, páginas 106, 194, 195 e 217.
Foto de Tarzan e Jane no filme "Tarzan e sua Companheira":
https://www.ebay.com/itm/Johnny-Weissmuller-Maureen-O-Sullivan-Tarzan-Foto-/122708774202?_ul=HN
No conhecido estúdio da Metro Goldwin Mayer (MGM) Johnny Weissmuller fez seis longas como Tarzan entre 1932 e 1942, quando teve o auge de sua popularidade. O primeiro foi "Tarzan, o Homem Macaco" de 1932 (nas imagens acima, um cartaz promocional e uma cena do filme).
Nas primeiras películas feitas para os estúdios MGM, os personagens de Tarzan e sua namorada Jane (interpretada por Maureen O'Sullivan, mãe da atriz Mia Farrow e portanto, ex-sogra do diretor Woody Allen), a inglesa que acabaria por abandonar tudo e viver com a sua grande paixão na África, apareciam em trajes minúsculos e em cenas bem tórridas para os padrões cinematográficos da época. No segundo filme da série, "Tarzan e sua Companheira" de 1934 (na imagem acima, cena do filme com Jane usando pouca roupa e o cartaz promocional da produção) o casal surge em uma cena que mais se assemelha a um balé aquático e com Jane praticamente nua. Isso porque, até esse momento, ainda não estava em vigor o conhecido Código Hays, que impôs normas e disciplinou as produções hollywoodianas, sobretudo no que dizia respeito às referências sexuais. Por exemplo, o personagem Boy (vivido por Johnny Sheffield), que apareceu no filme "O Filho de Tarzan" de 1939 era adotado, uma vez que pareceria estranho ao público da época que Tarzan e Jane tivessem um filho sem serem casados!
A ultima produção da série Tarzan pela MGM foi "Tarzan Contra o Mundo" lançada em 1942. Curiosamente nesse mesmo filme Elmo Lincoln, o já esquecido primeiro Tarzan, faz uma pequena aparição como figurante, que não lhe é atribuída nos créditos finais. Uma fala de Tarzan ao chegar a Nova Iorque (em busca de Boy, que tinha sido levado por um circo) e ver os prédios de Manhattan, ficou famosa: "Esta é uma selva de pedra".
Já um pouco fora de forma, Johnny Weissmuller ainda viveria Tarzan em mais seis filmes do produtor Sol Lesser, o qual adquiriu os direitos do personagem para os estúdios da RKO, do magnata da aviação Howard Hughes (na imagem acima o cartaz de "Tarzan e a Mulher Leopardo" de 1946). Weissmuller encerrou definitivamente a sua fase como homem macaco em 1948, com o filme "Tarzan e as Sereias" filmado em Acapulco, no México, cidade que escolheu para viver já no final de sua vida e onde se encontra enterrado.
A carreira cinematográfica do ex-campeão olímpico ainda encontrou uma sobrevida com o personagem Jim das Selvas em treze filmes e a partir de 1955 como seriado de televisão com um total de 27 episódios (na imagem acima, cartaz do primeiro filme de Jim das Selvas com Weissmuller de 1948). Foi por esse seriado que ele se tornou conhecido do público brasileiro na década de 1960 e dos mais jovens que não chegaram a vê-lo no cinema como Tarzan, como este que vos escreve. Com o fim da série em 1958, Johnny Weissmuller deixou sua carreira de ator e apenas fez aparições esporádicas em produções menores. Ator? Um exagero qualificá-lo como tal, uma vez que era péssimo intérprete, tanto que os roteiristas sempre lhe atribuíram frases monossilábicas, no gênero "Me Tarzan, You Jane".
Um fato curioso a respeito de Weissmuller foi contado por seu filho Johnny Weissmuller Jr. no livro "Tarzan, my father". No final de 1958 o ator encontrava-se em Havana, Cuba, participando de um torneio de golfe (esporte que apreciava muito) quando foi abordado pelos guerrilheiros cubanos em plena revolução que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista e levou Fidel Castro ao poder. Weismuller se encontrava em um campo de golfe e temendo ser preso, disse aos guerrilheiros que era o Tarzan. Sem convencer os mesmos, o ator não teve dúvidas, resolveu soltar o famoso grito que utilizava nos filmes. Em seguida um dos soldados disse para os demais: "Es Tarzan! Es Tarzan de la jungla!" (É o Tarzan! Tarzan das selvas!). Imediatamente, Weissmuller foi escoltado até o hotel e logo depois deixou a ilha caribenha sem ser importunado! Além desse acontecimento, Johnny Weismuller ainda foi lembrado pelos Beatles que o incluíram na capa do famoso álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band de 1967.
Em 1984, aos 79 anos, Johnny Weissmuller faleceu vítima de edema pulmonar, passando a ser lembrado como o mais famoso intérprete de Tarzan da história do cinema. E também como um grande atleta olímpico...
Crédito das imagens:
Foto de Johnny Weissmuller em 1950: 1950s Decades of the 20th Century. Getty Images. Köneman, 2004, pag. 299.
Cartaz do filme "Tarzan Contra o Mundo":
https://hollywoodrevue.wordpress.com/2012/08/04/tarzans-new-york-adventure-1942/
Fotos de Johnny Weissmuller em 1928 e 1940: Wikipédia.
Foto de Elmo Lincoln: Pinterest.
Imagens e cartazes dos filmes "Tarzan, o Homem Macaco", "Tarzan e sua Companheira", "Tarzan e a Mulher Leopardo" e "Jim das Selvas": Diccionario Del Cine de Aventuras de Javier Coma. Barcelona, Plaza & Janés Editores, 1994, páginas 106, 194, 195 e 217.
Foto de Tarzan e Jane no filme "Tarzan e sua Companheira":
https://www.ebay.com/itm/Johnny-Weissmuller-Maureen-O-Sullivan-Tarzan-Foto-/122708774202?_ul=HN
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
Revista Leituras da História (edição de março)
Caro leitor, nunca imaginei que um dia fosse a uma banca de jornal comprar uma revista, para ver uma matéria sobre o cantor Elvis Presley escrita por mim mesmo. Pois esse dia chegou! Na edição de março da revista Leituras da História da Editora Escala (a qual, já está nas bancas e grandes livrarias do país) temos duas matérias de nossa autoria. Uma delas intitulada "Peripécias Brasileiras" lembra os nossos conterrâneos que estiveram com o "Rei do Rock" Elvis Presley e mesmo da influência da música brasileira na carreira do cantor. A matéria de 9 páginas revela ainda fatos pouco conhecidos do grande astro norte-americano e demonstra que, de fato, Elvis morreu. E para comprovar isso consultamos um médico brasileiro.
A outra matéria escrita por nós, intitulada "Visão do Futuro", lembra o filme "No Mundo de 2020" lançado no ano de 1973 e que ficou conhecido por fazer da questão ecológica um dos seus temas principais, além de trazer uma visão absolutamente sombria do futuro da humanidade, abordando a poluição, a natureza destruída, a vida cotidiana deteriorada e o crescimento descontrolado da população. Este ultimo aspecto era uma preocupação muito grande na década de 1970, como hoje a questão do aquecimento global.
Além dessas duas matérias, a edição ainda traz um assunto pouco comentado na mídia, o problema envolvendo a minoria muçulmana em Mianmar, que está sendo vítima de perseguição e mesmo de extermínio. Recomendo a leitura da revista, pois além dos temas da história, a mesma possibilita reflexões importantes e necessárias sobre o mundo em que vivemos. Boa leitura a todos...
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
Anúncio Antigo 51: a novela Estúpido Cupido
O Anúncio Antigo de hoje (imagem acima) lembra a novela Estúpido Cupido exibida em 1976 e início de 1977, momento em que boa parte do público sentia uma certa nostalgia pela década de 1950, como talvez na década de 1980 havia tal sentimento para com a década de 1960 e ocorresse o mesmo na de 1990 pela de 1970... Essas nostalgias brotam após um período de aproximadamente 20 anos. O tempo necessário para que aqueles que foram jovens ou adolescentes cheguem na fase adulta. Uma suposição deste que vos escreve sem maiores embasamentos teóricos ou bibliográficos, mas que parece plenamente observável na realidade.
O saudosismo pela década de 1950 deveu-se também a outros fatores (na foto acima de 1956, cena típica dessa época, com moças passeando em lambretas). O historiador Eric Hobsbawm em seu livro "Era dos Extremos", já considerado um clássico, aponta que na década de 1950 o surto de crescimento econômico pareceu ter um caráter mundial, independente até dos regimes econômicos, embora ganhasse maior visibilidade nos países capitalistas. No Brasil, por exemplo, foi o momento em que o automóvel passou a ser uma presença mais constante na vida da classe média, como também a televisão, a influência maior da cultura norte-americana na música e nos costumes da juventude (calças jeans, cinema, revista em quadrinhos, Coca-Cola entre outros). A mídia (sobretudo a televisão) percebeu bem isso e procurou explorar da melhor forma esse sentimento saudosista. Filmes, novelas, revistas e discos entraram nessa onda. Em 1975 a novela Escalada, escrita por Lauro Cézar Muniz e exibida pela Rede Globo ajudou a despertar esse filão, com uma trama que percorria vários decênios, fixando-se um pouco mais no período final dos anos de 1950, com o governo de Juscelino Kubitschek (cujo nome não podia ser citado, em função da censura imposta pela ditadura militar) e a construção de Brasília, que acabou impulsionando a vida pessoal do personagem Antônio Dias (vivido pelo ator Tarcísio Meira).
O saudosismo pela década de 1950 deveu-se também a outros fatores (na foto acima de 1956, cena típica dessa época, com moças passeando em lambretas). O historiador Eric Hobsbawm em seu livro "Era dos Extremos", já considerado um clássico, aponta que na década de 1950 o surto de crescimento econômico pareceu ter um caráter mundial, independente até dos regimes econômicos, embora ganhasse maior visibilidade nos países capitalistas. No Brasil, por exemplo, foi o momento em que o automóvel passou a ser uma presença mais constante na vida da classe média, como também a televisão, a influência maior da cultura norte-americana na música e nos costumes da juventude (calças jeans, cinema, revista em quadrinhos, Coca-Cola entre outros). A mídia (sobretudo a televisão) percebeu bem isso e procurou explorar da melhor forma esse sentimento saudosista. Filmes, novelas, revistas e discos entraram nessa onda. Em 1975 a novela Escalada, escrita por Lauro Cézar Muniz e exibida pela Rede Globo ajudou a despertar esse filão, com uma trama que percorria vários decênios, fixando-se um pouco mais no período final dos anos de 1950, com o governo de Juscelino Kubitschek (cujo nome não podia ser citado, em função da censura imposta pela ditadura militar) e a construção de Brasília, que acabou impulsionando a vida pessoal do personagem Antônio Dias (vivido pelo ator Tarcísio Meira).
Como era comum, junto com as novelas vinham as trilhas sonoras, geralmente um LP (Long Play com várias gravações e de vinil, claro) com as músicas nacionais e outro trazendo o repertório internacional. No caso da novela Escalada, a trilha sonora internacional foi um dos LPs mais vendidos da história do disco no Brasil até o ano de 1976, segundo dados da própria gravadora Som Livre. A orquestra de Glenn Miller, o cantor Nat King Cole, o conjunto The Platters, Bill Halley e seus Cometas e Elvis Presley passaram a ser nomes conhecidos também dos jovens que viviam nos anos de 1970. Com relação a Elvis ocorreu um fato curioso, uma de suas gravações contida nesse LP era quase desconhecida em sua terra natal, mas estourou aqui no Brasil: Kiss Me Quick. A mesma nem foi gravada na década de 1950 (era de 1961)! E claro, vieram outros "bolachões" da mesma gravadora explorando o filão saudosista como a coleção "Saudade Não Tem Idade" com vários volumes, fora os lançamentos da concorrência, pois o mercado fonográfico era então muito rentável (diferente de hoje).
Obviamente com as novelas não foi diferente. Em agosto de 1976 foi ao ar no horário das 19 horas, também pela Rede Globo, a trama de Estúpido Cupido escrita por Mario Prata e ambientada na virada das décadas de 1950 e 1960, na fictícia cidade de Albuquerque, no interior de São Paulo (na imagem acima, o logo da novela). Uma típica comunidade de classe média cujos personagens jovens estavam sintonizados com as transformações comportamentais da época, embalados pelo rock'n roll, pelo twist (um modismo musical absolutamente passageiro do início da década de 1960), com rapazes montados nas lambretas e usando blusões de couro.
O roteiro proposto pelo autor incluía várias histórias que giravam em torno de um par central, que tinha como personagens a jovem estudante Maria Tereza ou Tetê (vivida pela atriz Françoise Forton) e o namorado João (interpretado por Ricardo Blat). A primeira sonha em ser a futura Miss Brasil e o rapaz, reticente com relação aos planos de sua amada, deseja seguir a carreira de jornalista (na foto acima o casal). Maria Tereza era filha de Olga Oliveira (vivida por Maria Della Costa), uma mulher bonita mas solitária e desquitada (o pior dos mundos para uma mulher naquela época). Olga morava com a mãe e os três filhos: além de Tetê, Ciça (vivida pela atriz Sonia de Paula) e Joel ou Caniço (interpretado pelo ator João Carlos Barroso).
Joel nutre uma paixão por Glorinha (papel da atriz Djenane Machado, foto acima, um dos rostos marcantes da televisão dos anos de 1970).
Outro personagem importante é o pai de João, Alcides Guimarães, o seu Guima (papel do ator Leonardo Villar) que dirigia o Albuquerque Tênis Club. Viúvo e amargurado, enamorou-se de Olga (na foto acima, o casal). Um dos aspectos interessantes do texto do escritor Mario Prata foi a inserção da questão da dissolução do casamento, pois na época o país, em plena ditadura, acompanhava o debate da aprovação ou não do divórcio. A novela Escalada, que mencionamos anteriormente, também abordou o tema. Em 1977, logo depois que Estúpido Cupido terminou, um projeto do senador Nelson Carneiro foi votado no Congresso Nacional e o divórcio foi finalmente aprovado no Brasil, apesar da forte oposição conservadora, sobretudo da Igreja Católica.
Antônio Medeiros ou Mederiquis (papel do ator Ney Latorraca, na foto acima de jaqueta escura ao lado de Françoise Forton) é outro personagem chave da trama por caracterizar o típico jovem daquela geração, bem no gênero "juventude transviada". Fã de Elvis Presley, era líder de uma pequena banda de rock, andava de lambreta e estudava no chamado científico (correspondente ao ensino médio atual).
No transcorrer da história Mederiquis envolve-se com uma garota de fora, a carioca Betina (vivida pela atriz e bailarina do Fantástico Heloísa Millet, imagem acima), formada em sociologia e com uma mentalidade mais avançada que as moças da cidade.
Completando o núcleo jovem, tínhamos o personagem Carneirinho (interpretado por Tião D'Avila). Juntos formavam a turminha nas festas e encontros (na foto acima, os atores Tião D'Avila, Ney Latorraca, João Carlos Barroso e Ricardo Blat, respectivamente da esquerda para a direita, em suas lambretas).
Alguns outros personagens também ganharam destaque, como o mendigo Belchior (interpretado por Luiz Armando Queiróz, foto acima) que se imaginava colocando no ar uma rádio e entrevistando pessoas pela rua. Na conservadora escola religiosa da cidade, tínhamos a Irmã Angelica (vivida por Elizabeth Savalla), professora de português e que destoava do corpo docente da instituição por estimular atividades artísticas e propor a criação de um grupo de teatro. A mesma nutria uma atração platônica pelo personagem Belchior, com quem conversava às escondidas. Como toda cidade do interior que se prezasse também existiam as fofoqueiras, no caso Adelaide e Eulália (respectivamente as atrizes Célia Biar e Kleber Macedo). O bordão usado pelas duas ao telefone para fofocar ficou famoso: "fala, danadinha, fala". Finalmente o personagem Pedro Acioly (interpretado por Nuno Leal Maia) geólogo que chega em Albuquerque com a perspectiva da descoberta de petróleo no município, o que poderia trazer investimentos para a cidade, sobretudo por parte da Petrobrás. Daí o interesse do prefeito Aquino (vivido por Ênio Santos) em dar uma boa estadia ao mesmo e garantir-lhe todos os gastos necessários, o que acabou resultando numa triste surpresa no final da trama (principalmente para o prefeito).
Estúpido Cupido foi a última novela da Rede Globo gravada em preto e branco, exceto pelos dois últimos capítulos em cores, pois a trama avançou no tempo para mostrar como os personagens estariam em 1977. A produção reconstituiu um concurso de Miss Brasil, de acordo com os padrões de 1961, tendo as cenas gravadas no ginásio do Maracanãzinho no Rio de Janeiro, reunindo um público de 10 mil pessoas! Sim, a personagem Tetê venceu a disputa (na foto acima, a cena do desfile). Antes da gravação desse capítulo, Françoise Forton havia sido informada de que ficaria apenas com o 2º lugar, a fim de que o seu namoro com o personagem João não fosse abalado. Contudo, na hora em que a cena foi gravada a atriz foi pega de surpresa, pois ao contrário do que lhe havia dito o diretor Régis Cardoso, ela venceu. Foi uma estratégia da direção para dar maior realismo à reação da personagem.
A novela teve problemas com a censura? De acordo com a atriz Elizabeth Savalla (foto acima) a sua personagem sofreu restrições, pois a Irmã Angélica propôs a montagem da peça "Auto da Compadecida" de Ariano Suassuna, a qual teria um Cristo negro na história. De acordo com informações do site Memória Globo, a cena acabou não indo ao ar, apesar da atriz ter ido até Brasília para tentar reverter a restrição. Um fato curioso na carreira de Elizabeth Savalla é que ela já havia interpretado uma personagem contestadora na novela "Gabriela" (do ano anterior), a estudante Malvina.
A trilha sonora acompanhou o exito obtido pela novela, tanto o LP com as musicas nacionais quanto o seguinte com a trilha internacional (acima, a capa do LP nacional). E o público voltou a dançar os sucessos da época, como por exemplo, a canção título da novela, interpretada por Celly Campelo (presente na coletânea com mais uma música, "Banho de Lua").
A cantora (foto acima Celly Campello no início da década de 1960) que já havia abandonado a carreira artística, fez uma participação especial na novela interpretando a si mesma, marcando o seu retorno quase duas décadas depois. Da mesma forma, a canção "Biquini Amarelo" na voz de Ronnie Cord foi outro destaque da trilha nacional. Esta música ficou muito associada ao presidente que governou o país no primeiro semestre de 1961 (época em que a novela se passava) Jânio Quadros, que certa feita proibiu o uso de biquíni nas praias. Com o sucesso alcançado, os artistas chegaram a homenagear o autor da novela Mario Prata, pela possibilidade de serem lembrados pela geração mais nova.
A trilha sonora internacional (acima a capa desse disco) veio bem recheada para o padrão dos discos de vinil: nada menos do que 20 gravações (10 de cada lado). As mesmas eram "emendadas", isto é, sem pausa entre uma e outra música. Nomes como Little Richard, Ray Charles, The Platters, Bobby Darin, Elvis Presley, Dean Martin, entre outros, marcaram presença nesse disco em gravações originais. A coordenação geral dos dois LPs ficou a cargo de João Araújo (pai do cantor e compositor Cazuza) e parte do design sob responsabilidade do austríaco Hans Donner, recém chegado à emissora. Aliás, a mesma já exibia o seu novo logo desenhado por Donner, o qual é mantido até hoje.
Bem, como já destacamos, apelar à nostalgia é sempre certeza de atingir uma faixa considerável do público e com a novela Estúpido Cupido isso se confirmou mais uma vez. Por falar em nostalgia, na foto acima os atores Tião D'Avila, João Carlos Barroso, Françoise Forton e Ney Latorraca em foto de 2015.
O Anúncio Antigo de hoje (com o rosto estilizado do ator Ney Latorraca) apareceu na revista Rock Espetacular volume 1, editada pela Rio Gráfica e Editora S.A. no ano de 1976, página 16. Aliás, a mesma foi publicada nesse mesmo embalo nostálgico dos "anos 50"...
Crédito das imagens:
Foto da moça em uma lambreta de 1956: 1950s Getty Images Decades of the 20th Century. Könemann, 1994, pag. 267.
Logo da novela Estúpido Cupido: Coleção Nosso Século 1960-1980. Abril Cultural, 1980, pag. 247.
Foto de Ney Latorraca e Françoise Forton na festinha, da atriz Djenane Machado e de Françoise Forton desfilando:
http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/novelas/estupido-cupido.htm
Fotos de Ricardo Blat junto com Françoise Forton e da atriz Elizabeth Savalla:
http://novelasclassicas.blogspot.com.br/2010/09/novela-estupido-cupido-1976.html
Fotos de Ney Latorraca com Heloisa Millet, de Maria Della Cost com Leonardo Villar:
http://astrosemrevista.blogspot.com.br/2016/08/heloisa-millet-sereia-do-fantastico.html
Foto de Luiz Armando Queiroz:
https://www.besthomenagens.com.br/homenageamos-hoje-luiz-armando-queiroz/#catalogo
Foto de Celly Campello:
https://cifrasweb.com.br/celly-campello/
Parte do elenco em foto de 2015:
http://gshow.globo.com/Bastidores/noticia/2015/12/atores-de-estupido-cupido-se-reencontram-40-anos-depois.html
Capa dos LPs com a trilha sonora da novela: acervo do autor.
O roteiro proposto pelo autor incluía várias histórias que giravam em torno de um par central, que tinha como personagens a jovem estudante Maria Tereza ou Tetê (vivida pela atriz Françoise Forton) e o namorado João (interpretado por Ricardo Blat). A primeira sonha em ser a futura Miss Brasil e o rapaz, reticente com relação aos planos de sua amada, deseja seguir a carreira de jornalista (na foto acima o casal). Maria Tereza era filha de Olga Oliveira (vivida por Maria Della Costa), uma mulher bonita mas solitária e desquitada (o pior dos mundos para uma mulher naquela época). Olga morava com a mãe e os três filhos: além de Tetê, Ciça (vivida pela atriz Sonia de Paula) e Joel ou Caniço (interpretado pelo ator João Carlos Barroso).
Joel nutre uma paixão por Glorinha (papel da atriz Djenane Machado, foto acima, um dos rostos marcantes da televisão dos anos de 1970).
Outro personagem importante é o pai de João, Alcides Guimarães, o seu Guima (papel do ator Leonardo Villar) que dirigia o Albuquerque Tênis Club. Viúvo e amargurado, enamorou-se de Olga (na foto acima, o casal). Um dos aspectos interessantes do texto do escritor Mario Prata foi a inserção da questão da dissolução do casamento, pois na época o país, em plena ditadura, acompanhava o debate da aprovação ou não do divórcio. A novela Escalada, que mencionamos anteriormente, também abordou o tema. Em 1977, logo depois que Estúpido Cupido terminou, um projeto do senador Nelson Carneiro foi votado no Congresso Nacional e o divórcio foi finalmente aprovado no Brasil, apesar da forte oposição conservadora, sobretudo da Igreja Católica.
Antônio Medeiros ou Mederiquis (papel do ator Ney Latorraca, na foto acima de jaqueta escura ao lado de Françoise Forton) é outro personagem chave da trama por caracterizar o típico jovem daquela geração, bem no gênero "juventude transviada". Fã de Elvis Presley, era líder de uma pequena banda de rock, andava de lambreta e estudava no chamado científico (correspondente ao ensino médio atual).
No transcorrer da história Mederiquis envolve-se com uma garota de fora, a carioca Betina (vivida pela atriz e bailarina do Fantástico Heloísa Millet, imagem acima), formada em sociologia e com uma mentalidade mais avançada que as moças da cidade.
Completando o núcleo jovem, tínhamos o personagem Carneirinho (interpretado por Tião D'Avila). Juntos formavam a turminha nas festas e encontros (na foto acima, os atores Tião D'Avila, Ney Latorraca, João Carlos Barroso e Ricardo Blat, respectivamente da esquerda para a direita, em suas lambretas).
Alguns outros personagens também ganharam destaque, como o mendigo Belchior (interpretado por Luiz Armando Queiróz, foto acima) que se imaginava colocando no ar uma rádio e entrevistando pessoas pela rua. Na conservadora escola religiosa da cidade, tínhamos a Irmã Angelica (vivida por Elizabeth Savalla), professora de português e que destoava do corpo docente da instituição por estimular atividades artísticas e propor a criação de um grupo de teatro. A mesma nutria uma atração platônica pelo personagem Belchior, com quem conversava às escondidas. Como toda cidade do interior que se prezasse também existiam as fofoqueiras, no caso Adelaide e Eulália (respectivamente as atrizes Célia Biar e Kleber Macedo). O bordão usado pelas duas ao telefone para fofocar ficou famoso: "fala, danadinha, fala". Finalmente o personagem Pedro Acioly (interpretado por Nuno Leal Maia) geólogo que chega em Albuquerque com a perspectiva da descoberta de petróleo no município, o que poderia trazer investimentos para a cidade, sobretudo por parte da Petrobrás. Daí o interesse do prefeito Aquino (vivido por Ênio Santos) em dar uma boa estadia ao mesmo e garantir-lhe todos os gastos necessários, o que acabou resultando numa triste surpresa no final da trama (principalmente para o prefeito).
Estúpido Cupido foi a última novela da Rede Globo gravada em preto e branco, exceto pelos dois últimos capítulos em cores, pois a trama avançou no tempo para mostrar como os personagens estariam em 1977. A produção reconstituiu um concurso de Miss Brasil, de acordo com os padrões de 1961, tendo as cenas gravadas no ginásio do Maracanãzinho no Rio de Janeiro, reunindo um público de 10 mil pessoas! Sim, a personagem Tetê venceu a disputa (na foto acima, a cena do desfile). Antes da gravação desse capítulo, Françoise Forton havia sido informada de que ficaria apenas com o 2º lugar, a fim de que o seu namoro com o personagem João não fosse abalado. Contudo, na hora em que a cena foi gravada a atriz foi pega de surpresa, pois ao contrário do que lhe havia dito o diretor Régis Cardoso, ela venceu. Foi uma estratégia da direção para dar maior realismo à reação da personagem.
A novela teve problemas com a censura? De acordo com a atriz Elizabeth Savalla (foto acima) a sua personagem sofreu restrições, pois a Irmã Angélica propôs a montagem da peça "Auto da Compadecida" de Ariano Suassuna, a qual teria um Cristo negro na história. De acordo com informações do site Memória Globo, a cena acabou não indo ao ar, apesar da atriz ter ido até Brasília para tentar reverter a restrição. Um fato curioso na carreira de Elizabeth Savalla é que ela já havia interpretado uma personagem contestadora na novela "Gabriela" (do ano anterior), a estudante Malvina.
A trilha sonora acompanhou o exito obtido pela novela, tanto o LP com as musicas nacionais quanto o seguinte com a trilha internacional (acima, a capa do LP nacional). E o público voltou a dançar os sucessos da época, como por exemplo, a canção título da novela, interpretada por Celly Campelo (presente na coletânea com mais uma música, "Banho de Lua").
A cantora (foto acima Celly Campello no início da década de 1960) que já havia abandonado a carreira artística, fez uma participação especial na novela interpretando a si mesma, marcando o seu retorno quase duas décadas depois. Da mesma forma, a canção "Biquini Amarelo" na voz de Ronnie Cord foi outro destaque da trilha nacional. Esta música ficou muito associada ao presidente que governou o país no primeiro semestre de 1961 (época em que a novela se passava) Jânio Quadros, que certa feita proibiu o uso de biquíni nas praias. Com o sucesso alcançado, os artistas chegaram a homenagear o autor da novela Mario Prata, pela possibilidade de serem lembrados pela geração mais nova.
A trilha sonora internacional (acima a capa desse disco) veio bem recheada para o padrão dos discos de vinil: nada menos do que 20 gravações (10 de cada lado). As mesmas eram "emendadas", isto é, sem pausa entre uma e outra música. Nomes como Little Richard, Ray Charles, The Platters, Bobby Darin, Elvis Presley, Dean Martin, entre outros, marcaram presença nesse disco em gravações originais. A coordenação geral dos dois LPs ficou a cargo de João Araújo (pai do cantor e compositor Cazuza) e parte do design sob responsabilidade do austríaco Hans Donner, recém chegado à emissora. Aliás, a mesma já exibia o seu novo logo desenhado por Donner, o qual é mantido até hoje.
Bem, como já destacamos, apelar à nostalgia é sempre certeza de atingir uma faixa considerável do público e com a novela Estúpido Cupido isso se confirmou mais uma vez. Por falar em nostalgia, na foto acima os atores Tião D'Avila, João Carlos Barroso, Françoise Forton e Ney Latorraca em foto de 2015.
O Anúncio Antigo de hoje (com o rosto estilizado do ator Ney Latorraca) apareceu na revista Rock Espetacular volume 1, editada pela Rio Gráfica e Editora S.A. no ano de 1976, página 16. Aliás, a mesma foi publicada nesse mesmo embalo nostálgico dos "anos 50"...
Crédito das imagens:
Foto da moça em uma lambreta de 1956: 1950s Getty Images Decades of the 20th Century. Könemann, 1994, pag. 267.
Logo da novela Estúpido Cupido: Coleção Nosso Século 1960-1980. Abril Cultural, 1980, pag. 247.
Foto de Ney Latorraca e Françoise Forton na festinha, da atriz Djenane Machado e de Françoise Forton desfilando:
http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/novelas/estupido-cupido.htm
Fotos de Ricardo Blat junto com Françoise Forton e da atriz Elizabeth Savalla:
http://novelasclassicas.blogspot.com.br/2010/09/novela-estupido-cupido-1976.html
Fotos de Ney Latorraca com Heloisa Millet, de Maria Della Cost com Leonardo Villar:
http://astrosemrevista.blogspot.com.br/2016/08/heloisa-millet-sereia-do-fantastico.html
Foto de Luiz Armando Queiroz:
https://www.besthomenagens.com.br/homenageamos-hoje-luiz-armando-queiroz/#catalogo
Foto de Celly Campello:
https://cifrasweb.com.br/celly-campello/
Parte do elenco em foto de 2015:
http://gshow.globo.com/Bastidores/noticia/2015/12/atores-de-estupido-cupido-se-reencontram-40-anos-depois.html
Capa dos LPs com a trilha sonora da novela: acervo do autor.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
Blog História Mundi citado na revista Leituras da História (edição de fevereiro)
Caro leitor, para mim é motivo de grande orgulho ter o blog História Mundi citado na grande mídia. Como é do conhecimento de todos, na edição de janeiro de 2018, da revista Leituras da História (Editora Escala) tivemos um artigo escrito por nós publicado. Trata-se de "Nair de Teffé: bela. culta e avançada". Na edição deste mês de fevereiro, que está nas bancas (imagem acima) tivemos duas cartas dos leitores, que mostram a ótima repercussão da matéria junto ao público que segue a revista.
É gratificante saber que o blog está "bastante conhecido" como afirma o ilustre leitor Adelmo Soares, de São José dos Pinhais (PR). O História Mundi prioriza o texto acessível e informativo. Como já afirmamos, procuramos recuperar o velho espírito dos antigos almanaques, os quais, por meio da curiosidade, serviam muitas vezes como ponto de partida para leituras mais complexas. Por isso, recomendamos também ao nosso público a revista Leituras da História, que prima pela qualidade de seu material e de seus autores, além de dispor de um Conselho Editorial gabaritado e qualificado nas nossas grandes universidades. É isso aí...
Assinar:
Postagens (Atom)


































